Arquivos de Romance

Impressões

‘O museu da inocência’

terça-feira, 23 de agosto de 2011 Texto de

Capa do li­vro edi­tado pela Com­pa­nhia das Le­tras

Aca­bei de ler “O mu­seu da ino­cên­cia” (Com­pa­nhia das Le­tras, 568 pgs.), do turco Orhan Pa­muk, Prê­mio No­bel de Li­te­ra­tura em 2006. Para quem gosta de sa­bo­rear um li­vro com calma, sem pressa de che­gar ao fim, ab­sor­vendo a nar­ra­tiva de modo a acei­tar a ve­lo­ci­dade im­posta pelo au­tor, é um prato cheio. A his­tó­ria de uma im­pres­si­o­nante pai­xão vi­vida pelo pro­ta­go­nista, Ke­mal, um su­jeito de trinta e pou­cos anos que está para se ca­sar mas de re­pente co­meça a mer­gu­lhar num sen­ti­mento que o do­mina com­ple­ta­mente, não po­de­ria ser con­tada de ou­tro modo que não fosse a pas­sos len­tos, com a pa­ci­ên­cia e a per­sis­tên­cia dos aman­tes que não se atro­pe­lam nas ca­rí­cias por causa do de­sejo de che­gar ao clí­max.
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Estrada apocalíptica

terça-feira, 3 de agosto de 2010 Texto de


Capa do li­vro com cena do filme já lan­çado com Viggo Mor­ten­sen no pa­pel prin­ci­pal

Acabo de ler “A Es­trada” (Al­fa­guara), li­vro de Cor­mac Mc­Carthy lan­çado em 2006 e que ga­nhou um dos mais im­por­tan­tes prê­mios da li­te­ra­tura mun­dial: o norte-americano Pu­lit­zer. Já es­crevi aqui que gosto de ler mais de um li­vro ao mesmo tempo, ao me­nos dois: um mais in­tenso ou, sei lá, mais com­plexo e ou­tro que exija me­nos con­cen­tra­ção. Acho que um re­ve­za­mento en­tre es­ses dois ti­pos de lei­tura fun­ci­ona bem. Ao me­nos no meu caso. En­tão, en­quanto re­leio as mais de 2.500 pá­gi­nas de “Guerra e Paz”, vou en­fi­ando obras mais fá­ceis no meio do ca­mi­nho.
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O velho e o mar

sábado, 24 de julho de 2010 Texto de

Capa do li­vro edi­tado pela Ber­trand Bra­sil

Nel­son Ro­dri­gues ti­nha uma re­ceita pe­cu­liar a res­peito dos li­vros: ler pou­cos e muito. Ou seja, para ele, era pre­ciso re­ler mui­tas ve­zes os mes­mos li­vros. Já es­crevi aqui no blog que não con­cordo, mas se eu ti­vesse de es­co­lher al­guns li­vros para se­guir a re­ceita, um de­les se­ria, sem dú­vida, “O ve­lho e o mar”.

Acabo de re­ler a ma­ra­vi­lhosa obra de Er­nest He­mingway (edi­ção da Ber­trand Bra­sil que ga­nhei da mi­nha se­gunda mãe – dona Rita).
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Uruguai

sexta-feira, 14 de maio de 2010 Texto de

Uru­guai 1

Li esta se­mana “Quem de nós – uma his­tó­ria de amor”, mais um be­lís­simo li­vro do uru­guaio Ma­rio Be­ne­detti, um dos gran­des es­cri­to­res do sé­culo 20. Aliás, ele fez parte tam­bém deste sé­culo: mor­reu no ano pas­sado, já aos 88 anos. 

Es­cri­to­res como Be­ne­detti de­ve­riam ter prazo de va­li­dade maior. Em­bora, claro, sua obra cer­ta­mente o eter­ni­zará.
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Estação

quarta-feira, 7 de abril de 2010 Texto de

Eu te­nho uma forte queda pelo ou­tono. Acho até que é mi­nha es­ta­ção pre­di­leta. Seu charme vi­sual é fla­grante. Toda se­mana vi­ajo de carro cen­te­nas de quilô­me­tros a tra­ba­lho. E nada mais agra­dá­vel na es­trada do que ob­ser­var a na­tu­reza num es­tado ameno. No ve­rão, o sol chega a ce­gar. No in­verno, é uma tre­menda ju­di­a­ção olhar para as pas­ta­gens e plan­ta­ções res­se­qui­das. A pri­ma­vera é, pra mim, ex­ces­si­va­mente sub­missa ao ve­rão, ao qual eu não sou muito che­gado. Já o ou­tono é de um equi­lí­brio gran­di­oso.
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Crônicas, Impressões

A grande ilusão

sexta-feira, 26 de março de 2010 Texto de

Como di­ria mi­nha avó (que mor­reu faz um quarto de sé­culo), on­tem à noite “pe­guei” na TV um bom filme que eu não via há al­gum tempo. An­ti­ga­mente, eu ou­via os mais ve­lhos con­ver­sa­rem en­tre eles referindo-se aos pro­gra­mas de rá­dio ou de te­le­vi­são da noite an­te­rior. Eles per­gun­ta­vam uns aos ou­tros: “Você pe­gou a no­vela on­tem?” ou “Você pe­gou o fu­lano de tal?” (quando o apre­sen­ta­dor do pro­grama era mais fa­moso que o pró­prio pro­grama).
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da Vila

terça-feira, 26 de janeiro de 2010 Texto de

Mais um caso para a sé­rie “Coi­sas que não sei por que ainda não ti­nha feito”: com­prei o CD “Mar­ti­nho ao vivo 3.0 tur­bi­nado”. Fé­rias sem vi­a­gem tam­bém serve para bo­tar cer­tos as­sun­tos em dia. Por que eu ainda não ti­nha esse CD? Não sei.
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Extraordinário

sábado, 23 de janeiro de 2010 Texto de

Há coi­sas na vida que ro­lam sem que te­nha­mos nos dado conta até que… nos da­mos conta. Acabo de ler “Pe­dro Pá­ramo” (Best­Bolso), obra-prima do me­xi­cano Juan Rulfo. Eu sem­pre tive von­tade de ler o ro­mance, mas não sei ex­pli­car o porquê de não ter lido an­tes. Quem gosta de li­te­ra­tura, e prin­ci­pal­mente de fic­ção, não pode se en­tre­gar ao luxo de des­pre­zar o li­vro.
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Geral

Entrevista com Márcio ABC

quinta-feira, 21 de maio de 2009 Texto de

Elaine de Sousa, da Casa Mi­diá­tica

O en­tre­vis­tado dessa se­mana tem dois pés no Jor­na­lismo diá­rio e mãos afoi­tas na Li­te­ra­tura. Au­tor do ro­mance Pa­ra­bala (lan­çado em 2002) e dono de uma tra­je­tó­ria jor­na­lís­tica que ul­tra­passa duas dé­ca­das, Márcio An­to­nio Blanco Cava – ou sim­ples­mente Márcio ABC – é um dos jor­na­lis­tas mais cri­a­ti­vos e au­tên­ti­cos de que te­mos no­tí­cia no in­te­rior pau­lista.
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Conheça o romance “Parabala”

sábado, 16 de maio de 2009 Texto de

O que está es­crito na ore­lha de Pa­ra­bala

A rus­ti­ci­dade dos per­so­na­gens e as tin­tas cruas com as quais se de­li­neiam Pa­ra­bala po­dem, a prin­cí­pio, su­ge­rir um ro­mance po­li­ci­a­lesco; no má­ximo, uma obra de sus­pense. Po­rém, à me­dida que a nar­ra­tiva se de­sen­rola, percebe-se que a ação é, na ver­dade, um pano de fundo para a ex­pres­são de fi­gu­ras hu­ma­nas, mí­ni­mas e, ao mesmo tempo, sin­gu­la­res, di­ante dos seus me­dos, so­nhos, de­se­jos, suas dú­vi­das, es­pe­ran­ças e ilu­sões.
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