Arquivos de Romance

 

Capitão do exército confessa crime brutal contra a própria mulher e desencadeia narrativa sobre comportamento, política e sexo a partir dos incendiários anos 1960

O ro­man­ce “Es­ta­do Bru­to” si­tua-se em três pe­río­dos dis­tin­tos: no fim da in­cen­diá­ria dé­ca­da de 1960, quan­do o país es­tá sob o do­mí­nio mi­li­tar; no iní­cio tur­bu­len­to dos anos 1990, sa­cu­di­do pe­la que­da do pri­mei­ro pre­si­den­te elei­to de­mo­cra­ti­ca­men­te após o pe­río­do di­ta­to­ri­al; e na me­ta­de des­ta se­gun­da dé­ca­da dos anos 2000. A nar­ra­ti­va, am­bi­en­ta­da nes­ses mo­men­tos cru­ci­ais da vi­da na­ci­o­nal, equi­li­bra-se na fron­tei­ra da trans­gres­são com­por­ta­men­tal e é sus­ten­ta­da por uma ar­ma mais po­de­ro­sa do que as ques­tões po­lí­ti­cas de­ter­mi­nan­tes pa­ra a cons­tru­ção de ca­da épo­ca: a bus­ca pe­la com­pre­en­são da pró­pria exis­tên­cia sob o prin­cí­pio da hon­ra.
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‘O museu da inocência’

terça-feira, 23 de agosto de 2011 Texto de

Ca­pa do li­vro edi­ta­do pe­la Com­pa­nhia das Le­tras

Aca­bei de ler “O mu­seu da ino­cên­cia” (Com­pa­nhia das Le­tras, 568 pgs.), do tur­co Orhan Pa­muk, Prê­mio No­bel de Li­te­ra­tu­ra em 2006. Pa­ra quem gos­ta de sa­bo­re­ar um li­vro com cal­ma, sem pres­sa de che­gar ao fim, ab­sor­ven­do a nar­ra­ti­va de mo­do a acei­tar a ve­lo­ci­da­de im­pos­ta pe­lo au­tor, é um pra­to cheio. A his­tó­ria de uma im­pres­si­o­nan­te pai­xão vi­vi­da pe­lo pro­ta­go­nis­ta, Ke­mal, um su­jei­to de trin­ta e pou­cos anos que es­tá pa­ra se ca­sar mas de re­pen­te co­me­ça a mer­gu­lhar num sen­ti­men­to que o do­mi­na com­ple­ta­men­te, não po­de­ria ser con­ta­da de ou­tro mo­do que não fos­se a pas­sos len­tos, com a pa­ci­ên­cia e a per­sis­tên­cia dos aman­tes que não se atro­pe­lam nas ca­rí­ci­as por cau­sa do de­se­jo de che­gar ao clí­max.
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Estrada apocalíptica

terça-feira, 3 de agosto de 2010 Texto de


Ca­pa do li­vro com ce­na do fil­me já lan­ça­do com Vig­go Mor­ten­sen no pa­pel prin­ci­pal

Aca­bo de ler “A Es­tra­da” (Al­fa­gua­ra), li­vro de Cor­mac Mc­Carthy lan­ça­do em 2006 e que ga­nhou um dos mais im­por­tan­tes prê­mi­os da li­te­ra­tu­ra mun­di­al: o nor­te-ame­ri­ca­no Pu­lit­zer. Já es­cre­vi aqui que gos­to de ler mais de um li­vro ao mes­mo tem­po, ao me­nos dois: um mais in­ten­so ou, sei lá, mais com­ple­xo e ou­tro que exi­ja me­nos con­cen­tra­ção. Acho que um re­ve­za­men­to en­tre es­ses dois ti­pos de lei­tu­ra fun­ci­o­na bem. Ao me­nos no meu ca­so. En­tão, en­quan­to re­leio as mais de 2.500 pá­gi­nas de “Guer­ra e Paz”, vou en­fi­an­do obras mais fá­ceis no meio do ca­mi­nho.
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O velho e o mar

sábado, 24 de julho de 2010 Texto de

Ca­pa do li­vro edi­ta­do pe­la Ber­trand Bra­sil

Nel­son Ro­dri­gues ti­nha uma re­cei­ta pe­cu­li­ar a res­pei­to dos li­vros: ler pou­cos e mui­to. Ou se­ja, pa­ra ele, era pre­ci­so re­ler mui­tas ve­zes os mes­mos li­vros. Já es­cre­vi aqui no blog que não con­cor­do, mas se eu ti­ves­se de es­co­lher al­guns li­vros pa­ra se­guir a re­cei­ta, um de­les se­ria, sem dú­vi­da, “O ve­lho e o mar”.

Aca­bo de re­ler a ma­ra­vi­lho­sa obra de Er­nest He­mingway (edi­ção da Ber­trand Bra­sil que ga­nhei da mi­nha se­gun­da mãe – do­na Ri­ta).
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Uruguai

sexta-feira, 14 de maio de 2010 Texto de

Uru­guai 1

Li es­ta se­ma­na “Quem de nós – uma his­tó­ria de amor”, mais um be­lís­si­mo li­vro do uru­guaio Ma­rio Be­ne­det­ti, um dos gran­des es­cri­to­res do sé­cu­lo 20. Aliás, ele fez par­te tam­bém des­te sé­cu­lo: mor­reu no ano pas­sa­do, já aos 88 anos.

Es­cri­to­res co­mo Be­ne­det­ti de­ve­ri­am ter pra­zo de va­li­da­de mai­or. Em­bo­ra, cla­ro, sua obra cer­ta­men­te o eter­ni­za­rá.
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Estação

quarta-feira, 7 de abril de 2010 Texto de

Eu te­nho uma for­te que­da pe­lo ou­to­no. Acho até que é mi­nha es­ta­ção pre­di­le­ta. Seu char­me vi­su­al é fla­gran­te. To­da se­ma­na vi­a­jo de car­ro cen­te­nas de quilô­me­tros a tra­ba­lho. E na­da mais agra­dá­vel na es­tra­da do que ob­ser­var a na­tu­re­za num es­ta­do ame­no. No ve­rão, o sol che­ga a ce­gar. No in­ver­no, é uma tre­men­da ju­di­a­ção olhar pa­ra as pas­ta­gens e plan­ta­ções res­se­qui­das. A pri­ma­ve­ra é, pra mim, ex­ces­si­va­men­te sub­mis­sa ao ve­rão, ao qual eu não sou mui­to che­ga­do. Já o ou­to­no é de um equi­lí­brio gran­di­o­so.
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Crônicas, Impressões

A grande ilusão

sexta-feira, 26 de março de 2010 Texto de

Co­mo di­ria mi­nha avó (que mor­reu faz um quar­to de sé­cu­lo), on­tem à noi­te “pe­guei” na TV um bom fil­me que eu não via há al­gum tem­po. An­ti­ga­men­te, eu ou­via os mais ve­lhos con­ver­sa­rem en­tre eles re­fe­rin­do-se aos pro­gra­mas de rá­dio ou de te­le­vi­são da noi­te an­te­ri­or. Eles per­gun­ta­vam uns aos ou­tros: “Vo­cê pe­gou a no­ve­la on­tem?” ou “Vo­cê pe­gou o fu­la­no de tal?” (quan­do o apre­sen­ta­dor do pro­gra­ma era mais fa­mo­so que o pró­prio pro­gra­ma).
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da Vila

terça-feira, 26 de janeiro de 2010 Texto de

Mais um ca­so pa­ra a sé­rie “Coi­sas que não sei por que ain­da não ti­nha fei­to”: com­prei o CD “Mar­ti­nho ao vi­vo 3.0 tur­bi­na­do”. Fé­ri­as sem vi­a­gem tam­bém ser­ve pa­ra bo­tar cer­tos as­sun­tos em dia. Por que eu ain­da não ti­nha es­se CD? Não sei.
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Extraordinário

sábado, 23 de janeiro de 2010 Texto de

Há coi­sas na vi­da que ro­lam sem que te­nha­mos nos da­do con­ta até que... nos da­mos con­ta. Aca­bo de ler “Pe­dro Pá­ra­mo” (Best­Bol­so), obra-pri­ma do me­xi­ca­no Ju­an Rul­fo. Eu sem­pre ti­ve von­ta­de de ler o ro­man­ce, mas não sei ex­pli­car o porquê de não ter li­do an­tes. Quem gos­ta de li­te­ra­tu­ra, e prin­ci­pal­men­te de fic­ção, não po­de se en­tre­gar ao lu­xo de des­pre­zar o li­vro.
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Geral

Entrevista com Márcio ABC

quinta-feira, 21 de maio de 2009 Texto de

Elai­ne de Sou­sa, da Ca­sa Mi­diá­ti­ca

O en­tre­vis­ta­do des­sa se­ma­na tem dois pés no Jor­na­lis­mo diá­rio e mãos afoi­tas na Li­te­ra­tu­ra. Au­tor do ro­man­ce Pa­ra­ba­la (lan­ça­do em 2002) e do­no de uma tra­je­tó­ria jor­na­lís­ti­ca que ul­tra­pas­sa du­as dé­ca­das, Már­cio An­to­nio Blan­co Ca­va - ou sim­ples­men­te Már­cio ABC - é um dos jor­na­lis­tas mais cri­a­ti­vos e au­tên­ti­cos de que te­mos no­tí­cia no in­te­ri­or pau­lis­ta.
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