Impressões

Uruguai

sexta-feira, 14 de maio de 2010 Texto de

Uru­guai 1

Li esta se­mana “Quem de nós – uma his­tó­ria de amor”, mais um be­lís­simo li­vro do uru­guaio Ma­rio Be­ne­detti, um dos gran­des es­cri­to­res do sé­culo 20. Aliás, ele fez parte tam­bém deste sé­culo: mor­reu no ano pas­sado, já aos 88 anos. 

Es­cri­to­res como Be­ne­detti de­ve­riam ter prazo de va­li­dade maior. Em­bora, claro, sua obra cer­ta­mente o eter­ni­zará.

“Quem de nós” foi pu­bli­cado na dé­cada de 1950, mas, como acon­tece com mui­tas das obras mais im­por­tan­tes da li­te­ra­tura, encaixa-se em qual­quer tempo. 

É o tri­ân­gulo amo­roso nar­rado pe­los três pro­ta­go­nis­tas. Só um gê­nio como Be­ne­detti po­de­ria es­cre­ver um li­vro tão pro­fundo e ao mesmo tempo tão di­reto e rá­pido.

Foi a pri­meira no­vela es­crita pelo uru­guaio. E por in­crí­vel que pa­reça a pri­meira ver­são bra­si­leira só saiu em 2007 (Edi­tora Re­cord).

É di­vi­dida em três par­tes, cada qual es­crita por um dos per­so­na­gens: Mi­guel (o ma­rido), Alí­cia (a es­posa) e Lu­cas (o ter­ceiro en­vol­vido, que foi em­bora quando os ami­gos se ca­sa­ram).

Ape­sar de ter achado “Quem de nós” ótimo, dos li­vros que eu li dele, o que mais gosto é “A tré­gua”. Este é da dé­cada de 1960 e a mais im­por­tante obra do au­tor.

Em for­mato de diá­rio, narra a aven­tura emo­ci­o­nante de Mar­tín San­tomé, cin­quen­tão viúvo que atra­vessa uma vida mo­nó­tona desde que a mu­lher mor­reu, há mais de duas dé­ca­das.

A apro­xi­ma­ção da jo­vem Laura Avel­la­neda, que tra­ba­lha como sua au­xi­liar no es­cri­tó­rio, volta a ilu­mi­nar seu es­pí­rito. O ro­mance, cor­tante e irô­nico, é da­que­les que pren­dem o lei­tor de ma­neira in­su­por­tá­vel.

Uru­guai 2
Eu te­nho uma re­la­ção cu­ri­osa com o Uru­guai. Acho que já fui uru­guaio numa ou­tra vida, num ou­tro es­paço de tempo, não sei, tal­vez hoje mesmo eu o seja, si­mul­ta­ne­a­mente, numa di­men­são que avança ao mesmo passo em que corre esta.

Não há ex­pli­ca­ção. É uma atra­ção que se co­mu­nica sob uma né­voa de in­jus­ti­fi­cá­vel nos­tal­gia. Quando leio os uru­guaios – gosto muito tam­bém de Ho­ra­cio Qui­roga, este ainda an­te­rior a Be­ne­detti, pois nas­ceu no sé­culo 19 -, essa ses­são nos­tál­gica se for­ta­lece.

Nesta Copa, sai­bam to­dos, vou tor­cer tam­bém para o Uru­guai. Sei que no fu­te­bol, este pe­queno e ro­mân­tico país per­deu sua pe­gada, mas se hou­ver um cru­za­mento en­tre a ve­lha Ce­leste e o Bra­sil, dei­xa­rei que o im­passe da tor­cida se re­solva de­baixo da­quela né­voa ca­paz de jun­tar duas di­men­sões. En­tre­tanto, quando o jogo aca­bar, in­de­pen­den­te­mente do re­sul­tado e da di­men­são, es­ta­rei sa­tis­feito.

Compartilhe