Impressões

da Vila

terça-feira, 26 de janeiro de 2010 Texto de

Mais um caso para a sé­rie “Coi­sas que não sei por que ainda não ti­nha feito”: com­prei o CD “Mar­ti­nho ao vivo 3.0 tur­bi­nado”. Fé­rias sem vi­a­gem tam­bém serve para bo­tar cer­tos as­sun­tos em dia. Por que eu ainda não ti­nha esse CD? Não sei. Tem gran­des su­ces­sos ines­que­cí­veis como “Ba­tu­que na co­zi­nha”, “Canta! Canta mi­nha gente”, “Pra que di­nheiro?”. E tam­bém os len­dá­rios “Casa de bamba” e “Pe­queno bur­guês”. Es­tou ou­vindo agora, en­quanto es­crevo. De­lí­cia.

Pe­drei­ras

Gosto de ler vá­rios li­vros ao mesmo tempo, mas acho que en­trei numa fria: “Elo­gi­e­mos os ho­mens ilus­tres” (Ja­mes Agee e Wal­ker Evans – Com­pa­nhia das Le­tras) e “Ulis­ses” (Ja­mes Joyce – Ob­je­tiva) são pe­drei­ras! Quando pego li­vros as­sim, vou in­cluindo ou­tros no meio para dar uma “ali­vi­ada”. A re­ceita é boa. Eu gosto. Aca­bei, por exem­plo, de en­fiar no meio des­ses dois gi­gan­tes – e tam­bém aca­bei de ler – duas no­ve­las de Tho­mas Mann, aliás duas obras-primas do ale­mão de “A Mon­ta­nha Má­gica” fi­lho de ale­mão e de uma bra­si­leira! São elas: “Morte em Ve­neza” e “To­nio Krö­ger”. De­pois, li “Pe­dro Pá­ramo” (ver co­men­tá­rio de sá­bado, 23 de ja­neiro, abaixo). 

“Elo­gi­e­mos os ho­mens ilus­tres” faz parte da co­le­ção “Jor­na­lismo Li­te­rá­rio”, sob a ba­tuta bri­lhante de Ma­ti­nas Su­zuki Jr. Aliás, o pos­fá­cio que ele es­cre­veu é de ba­bar. A frase fi­nal é de dar in­veja a qual­quer um que queira es­cre­ver algo belo e de­fi­ni­tivo: “O li­vro é o mais es­tra­nho e o mais sin­cero mo­nu­mento de uma época em ruí­nas”. “Elo­gi­e­mos…” é a nar­ra­tiva (im­pres­si­o­nante, poé­tica e tam­bém exa­ge­ra­da­mente ino­va­dora) de um es­cri­tor (Ja­mes Agee) que em 1936 vi­aja com um fo­tó­grafo (Wal­ker Evans) ao sul dos EUA para fa­zer uma re­por­ta­gem so­bre os efei­tos da Grande De­pres­são. O re­sul­tado é his­tó­rico.

Cul­tura

O in­ves­ti­mento em cul­tura no Bra­sil em 2010 (in­cluindo o que se perde no ca­mi­nho por ra­zões que to­dos sa­be­mos me­lhor que a ta­bu­ada) será re­corde, anun­cia o mi­nis­té­rio: R$ 2,2 bi­lhões. E as­sim mesmo, os re­cur­sos ainda fi­ca­rão abaixo do re­co­men­dado pela ONU (Or­ga­ni­za­ção das Na­ções Uni­das). A ONU pede que os paí­ses apli­quem em cul­tura ao me­nos 1% do or­ça­mento. Neste ano, o Bra­sil che­gará ao pa­ta­mar de 0,7%, se­gundo cál­cu­los do pró­prio go­verno. Quando Lula en­trou, o ín­dice era, tam­bém se­gundo o go­verno, 0,2%. En­fim, me­lho­rou, é ver­dade. Mas não dá para per­doar.

Li­vro

Uma dica de lei­tura: “Abril des­pe­da­çado”, do al­ba­nês Is­mail Ka­daré. Foi nesse li­vro que Wal­ter Sal­les baseou-se para di­ri­gir o filme homô­nimo, com Ro­drigo San­toro. Obra para quem gosta de uma lei­tura densa, tensa, dra­má­tica. Mi­nha co­ta­ção: ótimo.

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