Impressões

O velho e o mar

sábado, 24 de julho de 2010 Texto de

Capa do li­vro edi­tado pela Ber­trand Bra­sil

Nel­son Ro­dri­gues ti­nha uma re­ceita pe­cu­liar a res­peito dos li­vros: ler pou­cos e muito. Ou seja, para ele, era pre­ciso re­ler mui­tas ve­zes os mes­mos li­vros. Já es­crevi aqui no blog que não con­cordo, mas se eu ti­vesse de es­co­lher al­guns li­vros para se­guir a re­ceita, um de­les se­ria, sem dú­vida, “O ve­lho e o mar”.

Acabo de re­ler a ma­ra­vi­lhosa obra de Er­nest He­mingway (edi­ção da Ber­trand Bra­sil que ga­nhei da mi­nha se­gunda mãe – dona Rita). 

Uma das ci­ta­ções da ore­lha (do es­cri­tor e crí­tico Cy­ril Con­nolly, que mor­reu na dé­cada de 1970) diz as­sim: “… Com­pre o li­vro, leia-o ime­di­a­ta­mente, deixe pas­sar al­guns dias, leia-o no­va­mente, e irá ve­ri­fi­car que ne­nhuma pá­gina desta bela obra-prima po­de­ria ter sido es­crita me­lhor ou de forma di­fe­rente.”

A ob­ser­va­ção é de uma fe­li­ci­dade ím­par.

O li­vro, que co­la­bo­rou muito para que He­mingway con­quis­tasse o Prê­mio No­bel de Li­te­ra­tura em 1954, é da­que­les tex­tos que pa­re­cem pe­ne­trar em nos­sos po­ros de modo a nos fa­zer sen­tir o cheiro do mar, o cheiro de praia de pes­ca­do­res, o cheiro de res­tos de pei­xes e de uma na­tu­reza que, a des­peito de nosso des­prezo, vive ge­ne­ro­sa­mente em nosso âmago.

O em­bate do ve­lho San­ti­ago com o ina­cre­di­tá­vel peixe que ele con­se­gue fis­gar e com a falta de sorte que o per­se­gue há quase três me­ses é o em­bate que tra­va­mos to­dos os dias com nos­sos me­dos e in­cer­te­zas, é a per­so­ni­fi­ca­ção da es­pe­rança ca­paz de nos mo­ver adi­ante qual­quer que seja a cir­cuns­tân­cia.

A re­la­ção do ve­lho San­ti­ago com o me­nino que o ajuda e o ad­mira é a cer­teza de que o ho­mem pode mais. Muito mais.

He­mingway, o au­tor da obra-prima de 1952

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