
Trouxeram-lhe a bebida, mas Natália mal notou. Estava tão absorta pelo ambiente e, claro, pela música, que disse “obrigada” quando o garçom já tinha desaparecido. Observou com curiosidade as silhuetas dançantes sob as poucas luzes instaladas próximas ao teto elevado e estiloso, cujas telhas francesas entremeadas por algumas de vidro filtravam um pouco da claridade externa, às vezes até mesmo a lua alta e cheia. Tudo parecia como antes, pensou ao dar uma olhada geral pelas dependências. Talvez a maior diferença estivesse situada nela própria, rodou o copo entre as mãos com uma mistura de nostalgia e apreensão. Queria evitar uma comoção estúpida, mas ao mesmo tempo sentia o peito contrair-se, o coração batia levemente descompassado à medida que sua respiração oscilava. Molhou os lábios com a esperança de resgatar a estabilidade emocional, mas o máximo que conseguiu foi sentir o álcool queimar a garganta, depois um calorzinho entusiasmou-a momentaneamente. Perguntou-se se teria tomado a decisão certa. Virou um trago e tentou avistar o palco. Sentara-se bem lá atrás, o velho bar estava lotado e muita gente dançava na pista e entre as mesas. (mais…)
