Archive for agosto, 2011

Comentário que fiz na TV TEM sobre mais vereadores

quarta-feira, agosto 31st, 2011

Abaixo, o texto do meu comentário levado ao ar ontem à noite no TEM Notícias segunda edição, da TV TEM, sobre o aumento do número de vereadores em várias cidades:

NÃO É DISSO QUE A POPULAÇÃO ESTÁ PRECISANDO.// NÃO É ISSO QUE O ELEITOR ESPERA DAQUELES QUE DEVERIAM REPRESENTÁ-LO EM DECISÕES IMPORTANTES COMO ESSA.// AUMENTAR O NÚMERO DE VEREADORES HOJE NÃO TEM JUSTIFICATIVA LÓGICA.//SANGRA OS COFRES PÚBLICOS COM MAIS GENTE PENDURADA NAS TETAS DESSA VACA GORDA.//E, ALÉM DISSO, É IMORAL.// COMO A OPINIÃO PÚBLICA PODE SER TÃO DESPREZADA ASSIM?// SERÁ QUE QUEM FAZ ESSE TIPO DE PROPOSTA – E TAMBÉM QUEM VOTA FAVORAVELMENTE – PODE BOTAR A CABEÇA NO TRAVESSEIRO E DORMIR COM A CONSCIÊNCIA LIMPA?// DEVE HAVER PESSOAS DO BEM EM NOSSAS CÂMARAS, EU TENHO QUE ACREDITAR NISSO!// MAS NÃO É ESSA A RESPOSTA QUE NOSSAS CÂMARAS NOS DÃO NA PRÁTICA.// NÃO PRECISAMOS DE MAIS GENTE PARA TORRAR NOSSO SUADO DINHEIRO.// NÃO PRECISAMOS DE MAIS GENTE PARA CONTRATAR ASSESSORES, PARA DEFENDER SEUS PRÓPRIOS INTERESSES, PARA ENGANAR O ELEITOR, PARA TOMAR CAFEZINHO, PARA DAR NOME DE RUA.// NÃO!// PRECISAMOS DE GENTE QUE NOS PROVE QUE NÃO SOMOS PALHAÇOS QUANDO VAMOS ÀS URNAS ESCOLHER UM NOME QUE NOS REPRESENTE, QUE PENSE E TRABALHE PARA A NOSSA CIDADE.// SERÁ QUE ISSO É PEDIR MUITO???//

Relógio

quarta-feira, agosto 31st, 2011

Acordei outro dia às seis e pouco. A luz pálida que entrava pelas frestas da janela iluminava o relógio branco da cabeceira. Estava ali o tal, logo cedo e já uma expressão pouco simpática emergia de sua moldura arredondada. O ponteiro fino, o dos segundos, avançava incansável, sem rodeios, prepotente como sempre. O maior deles, o dos minutos, punha-se num movimento dissimulado. Sabe aquela chuva que nos convida a atravessar a rua por ser fraca e depois nos surpreende ensopados? Pois assim o é também esse pino longo dos minutos em sua constante zombaria. Já o das horas, aquele curto e grosso, é de um descaramento só. Finge-se morto, mas é voraz. Vai, de pouco em pouco, como o abutre faminto, bicando nossos pedaços. Não dormi mais. Fiquei só olhando aquele relógio...

terça-feira, agosto 30th, 2011

As inscrições para o Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade, destinado a vários segmentos do jornalismo, incluindo sites e blogs, estão quase no fim. Para quem quiser saber mais, publico aqui alguns detalhes enviados por Jornalistas&Cia. Boa sorte aos participantes! (mais…)

O evangelho, segundo a festa gay

segunda-feira, agosto 29th, 2011

Bem à minha frente, um rapaz de uns dezoito anos talvez e uma garota quem sabe um pouco mais nova se beijam continuamente; dois ou três passos adiante, um cara alto e loiro beija a orelha de um negro e os dois dançam ao som animado de Preta Gil; muito perto de mim, uma família que inclui uma criança de dois anos assiste ao show; as crianças se divertem, os homossexuais se divertem, os heterossexuais se divertem. Eu nunca havia ido a uma parada gay. Não por preconceito, mas apenas por questões circunstanciais. Desta vez, peguei o final do evento em Bauru. E o show também (Preta é uma ótima animadora de palco!). (mais…)

‘O museu da inocência’

terça-feira, agosto 23rd, 2011

Capa do livro editado pela Companhia das Letras

Acabei de ler “O museu da inocência” (Companhia das Letras, 568 pgs.), do turco Orhan Pamuk, Prêmio Nobel de Literatura em 2006. Para quem gosta de saborear um livro com calma, sem pressa de chegar ao fim, absorvendo a narrativa de modo a aceitar a velocidade imposta pelo autor, é um prato cheio. A história de uma impressionante paixão vivida pelo protagonista, Kemal, um sujeito de trinta e poucos anos que está para se casar mas de repente começa a mergulhar num sentimento que o domina completamente, não poderia ser contada de outro modo que não fosse a passos lentos, com a paciência e a persistência dos amantes que não se atropelam nas carícias por causa do desejo de chegar ao clímax. (mais…)

Adeus, Deco: velho amigo irmão

sábado, agosto 20th, 2011

Esta foto é da década de 1980; estou à esquerda ao lado de Eli (então namorada do Deco) e do próprio (à direita)

O Deco (com o “é” aberto) morreu neste sábado. Recebi a informação por volta de meio-dia. Havia acabado de acontecer. Eu ainda estava deitado, ouvindo cair lá fora uma chuva intermitente, uma chuva boa nestes dias secos. A moleza característica ao acordarmos em dias assim transformou-se em prostração dolorida quando do outro lado da linha o jornalista Sérgio Bento me disse que havia uma “notícia brava” vinda de Cafelândia. Mal tive tempo de pensar no que poderia ser até que ele me dissesse que “o Dequinho teve um enfarte fulminante”. Ele era jornalista nascido em Pirajuí, mas vivia em Cafelândia havia mais de quarenta anos. (mais…)

A caminhada e o garoto de bicicleta

quinta-feira, agosto 18th, 2011

Retomo aos poucos minhas atividades físicas, que considero fundamentais para minha sobrevivência. Assim como experimento o estímulo impressionante da cafeína após meus (no máximo) dois cafezinhos diários, também sinto a endorfina produzir seus efeitos como se um sol particular nascesse diante de mim. Fiquei parado durante algumas semanas, nem sei explicar o porquê. Mas o fato é que desde já lamento o que perdi nesse período. Porque caminhar é também vivenciar uma crônica da vida. (mais…)

Manifesto aos amigos

terça-feira, agosto 2nd, 2011

O que dizer aos amigos bem numa hora dessa?
Tenho medo de destoar. De que tudo se amolde mal.
De escorregar. De azedar. De adoçar.
É que todas as palavras soariam falsas ou piegas.
Todos os elogios cairiam no descrédito.
Todas as exclamações pareceriam evidentes.
Todos os obrigados seriam banais.
Todas as lembranças resvalariam no oportunismo.
Todos os sorrisos lembrariam disfarce.
Todas as lágrimas verteriam dúvidas.
Todos os abraços se fechariam cômicos.
Todas as bocas se abririam hesitantes.
Todos os beijos estalariam mortos.
Todas as emoções escapariam abruptas.
Todos os sentidos explodiriam insensatos.
Porque agora, bem por este agora, tudo em mim é gratidão.
É crueza. É pele em flor. É crença.