Impressões

Estrada apocalíptica

terça-feira, 3 de agosto de 2010 Texto de


Capa do li­vro com cena do filme já lan­çado com Viggo Mor­ten­sen no pa­pel prin­ci­pal

Acabo de ler “A Es­trada” (Al­fa­guara), li­vro de Cor­mac Mc­Carthy lan­çado em 2006 e que ga­nhou um dos mais im­por­tan­tes prê­mios da li­te­ra­tura mun­dial: o norte-americano Pu­lit­zer. Já es­crevi aqui que gosto de ler mais de um li­vro ao mesmo tempo, ao me­nos dois: um mais in­tenso ou, sei lá, mais com­plexo e ou­tro que exija me­nos con­cen­tra­ção. Acho que um re­ve­za­mento en­tre es­ses dois ti­pos de lei­tura fun­ci­ona bem. Ao me­nos no meu caso. En­tão, en­quanto re­leio as mais de 2.500 pá­gi­nas de “Guerra e Paz”, vou en­fi­ando obras mais fá­ceis no meio do ca­mi­nho.

Com­prei o li­vro na terça-feira. Co­me­cei a ler as 240 pá­gi­nas na quarta-feira de noi­tão. Como vi­a­jei a tra­ba­lho na quinta e só vol­tei pra casa na sexta-feira à noite, re­to­mei a lei­tura de sexta para sá­bado. Não con­se­gui pa­rar. Aca­bei às 4h da ma­nhã.

O drama de pai e fi­lho em fuga num mundo pós-apocalipse é emo­ci­o­nante.

Em vez de nar­rar di­re­ta­mente as ce­nas de um ver­da­deiro fim do mundo, Cor­mac Mc­Carthy es­co­lheu um nú­cleo ao mesmo tempo res­trito e ex­ta­or­di­na­ri­a­mente am­plo como o pró­prio uni­verso – a re­la­ção en­tre pai e fi­lho – para con­tar o ta­ma­nho do es­trago.

Mais do que apo­ca­líp­tico, o li­vro cons­trói para o lei­tor um mundo tão forte, ho­nesto e sin­cero en­tre pai e fi­lho, que no fim das con­tas é pos­sí­vel ima­gi­nar que nem mesmo a mais ter­rí­vel das tra­gé­dias é ca­paz de rom­per um laço hu­mano dessa mag­ni­tude. Na se­mana que an­te­cede ao co­mer­ci­a­lís­simo Dia dos Pais, é bom po­der ima­gi­nar algo as­sim.

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