Impressões

Extraordinário

sábado, 23 de janeiro de 2010 Texto de

Há coi­sas na vida que ro­lam sem que te­nha­mos nos dado conta até que… nos da­mos conta. Acabo de ler “Pe­dro Pá­ramo” (Best­Bolso), obra-prima do me­xi­cano Juan Rulfo. Eu sem­pre tive von­tade de ler o ro­mance, mas não sei ex­pli­car o porquê de não ter lido an­tes. Quem gosta de li­te­ra­tura, e prin­ci­pal­mente de fic­ção, não pode se en­tre­gar ao luxo de des­pre­zar o li­vro. Está na capa: “A lei­tura pro­funda da obra de Juan Rulfo me deu, en­fim, o ca­mi­nho que bus­cava para con­ti­nuar meus li­vros”. Quem as­sina a frase é Ga­briel Gar­cía Már­quez, o len­dá­rio es­cri­tor co­lom­bi­ano de “Cem anos de so­li­dão”.

O mais ex­tra­or­di­ná­rio é que Juan Rulfo é um dos mais acla­ma­dos es­cri­to­res me­xi­ca­nos e de toda a Amé­rica La­tina sem ter pu­bli­cado mais do que dois li­vros – o ro­mance “Pe­dro Pá­ramo” e “Chão em cha­mas” (con­tos). Se você já to­mou uma ga­rapa bem feita, des­sas que saem de uma cana de qua­li­dade, des­sas cuja cana é bem limpa, bem tri­tu­rada e de um sa­bor ím­par, é fá­cil ima­gi­nar o que é “Pe­dro Pá­ramo”: um ro­mance cujo con­teúdo é a mais limpa es­sên­cia. Rulfo co­lheu a matéria-prima, lim­pou e lim­pou, tri­tu­rou e tri­tu­rou e dela fez cair so­bre o pa­pel ape­nas o me­lhor dos néc­ta­res.

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