Arquivos de Minha mãe

Crônicas

Três historinhas de chuva

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 Texto de

1. A avó
Bas­ta­va so­ar, dis­tan­te, um tro­vão. Mi­nha avó não sos­se­ga­va mais. O dia in­tei­ro. Até que, en­fim, vi­es­se a chu­va. Man­da­va co­brir os es­pe­lhos da ca­sa, acen­dia uma ve­la pa­ra San­ta Bár­ba­ra so­bre a cô­mo­da do quar­to e cha­ma­va a fa­mí­lia in­tei­ra pa­ra pas­sar a tem­pes­ta­de ao la­do de­la.
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Crônicas

O sigilo de um passado que nos incomoda

quinta-feira, 23 de junho de 2011 Texto de

Aí es­tá a Ni­na, ca­chor­ri­nha que tam­bém é mi­nha

Es­con­der coi­sas do nos­so pas­sa­do (ou mes­mo do pre­sen­te) das quais nos en­ver­go­nha­mos nos faz bem? Re­sol­ve nos­sas in­cer­te­zas a res­pei­to do fu­tu­ro? Sus­ten­ta nos­sa es­ta­bi­li­da­de emo­ci­o­nal? Evi­ta uma ex­po­si­ção pre­ju­di­ci­al à nos­sa ima­gem? A dis­cus­são em tor­no de do­cu­men­tos si­gi­lo­sos da his­tó­ria do país me des­per­tou pa­ra mi­nhas pró­pri­as de­son­ras.
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Crônicas

Paisagem da janela

terça-feira, 28 de dezembro de 2010 Texto de

Quan­do eu ti­nha uns 4 ou 5 anos, fiz uma vi­a­gem de trem com mi­nha mãe. O que eu mais me lem­bro da ex­pe­ri­ên­cia é al­go bas­tan­te inu­si­ta­do: a vi­são as­sus­ta­do­ra do vão en­tre o va­gão e a pla­ta­for­ma. Sa­ber que ali em­bai­xo ha­via um fos­so, mes­mo que fos­se mui­to im­pro­vá­vel al­guém pi­sar no va­zio e cair na­que­le “abis­mo”, era per­tur­ba­dor.
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Retratos

Primeira escola e primeiro crime

quarta-feira, 25 de agosto de 2010 Texto de

A ima­gem aci­ma mos­tra cri­an­ças di­an­te de um pré­dio bem sim­ples e rús­ti­co. Aí mui­ta gen­te co­me­çou a apren­der a ler e a es­cre­ver. Eu tam­bém. A fo­to não é do meu tem­po. É da épo­ca de meus pais. Meus pais es­tu­da­ram aí. Mais tar­de foi mi­nha vez, coi­sa de dois ou três me­ses an­tes de mu­dar­mos pa­ra a ci­da­de. A es­co­la fi­ca­va na Fa­zen­da Bem Es­tar, lo­ca­li­za­da em Ca­fe­lân­dia, mu­ni­cí­pio do in­te­ri­or de São Pau­lo.
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Retratos

FUNDAMENTAIS

terça-feira, 20 de julho de 2010 Texto de
FUNDAMENTAIS

SAÍDA DA BARRIGA - Em 10 de no­vem­bro de 1992, as três mu­lhe­res mais im­por­tan­tes da mi­nha vi­da: mi­nha fi­lha (de pou­cas ho­ras), mi­nha mãe e a mãe da mi­nha fi­lha (dor­min­do o so­no dos jus­tos) PRÓXIMO RETRATO: mi­nha fa­mo­sa ca­chor­ri­nha (nu­ma fo­to de ra­ro char­me) en­tra em ce­na

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Crônicas, Impressões

Memoráveis

segunda-feira, 28 de junho de 2010 Texto de

Aí es­tá a gra­ça da Co­pa. Tem gen­te que fi­ca tor­cen­do pa­ra que os gran­dões se­jam eli­mi­na­dos. Pra quê? O que po­de ser mais emo­ci­o­nan­te do que es­tes dois jo­gos de quar­tas-de-fi­nal?: Bra­sil x Ho­lan­da e Ar­gen­ti­na x Ale­ma­nha.

Pe­na que a Itá­lia saiu. Pe­na que Es­pa­nha ou Por­tu­gal vai sair. Os gran­des con­fron­tos é que fa­zem da Co­pa uma ver­da­dei­ra Co­pa. São des­ses jo­gos que não nos es­que­ce­mos ja­mais.
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Crônicas, Impressões

A primeira Teta ninguém esquece

quinta-feira, 15 de abril de 2010 Texto de

A pri­mei­ra Te­ta que vi, cla­ro, foi a da mi­nha mãe. Aliás, fo­ram as pri­mei­ras te­tas. Por­que, afi­nal, elas são du­as. Mas eu não me re­cor­do, em­bo­ra eu te­nha ma­ma­do até 4 anos de ida­de (eu sei, um ab­sur­do!) e mi­nhas lem­bran­ças te­nham ori­gem bem an­tes dis­so – aos 2 anos.

Cu­ri­o­sa­men­te, na­que­la épo­ca pro­nun­ci­ar “te­ta” era qua­se di­zer um pa­la­vrão. E pen­san­do bem até ho­je ela é pou­co usu­al (di­go a pa­la­vra - rs­s­ss), mes­mo sen­do an­tes de mais na­da nos­sa pri­mei­ra fon­te de ali­men­to.
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Conexão

terça-feira, 30 de março de 2010 Texto de

O Se­na­do já man­dou pa­ra Ara­pi­ra­ca, em Ala­go­as, in­te­gran­tes de sua CPI (Co­mis­são Par­la­men­tar de Inqué­ri­to) que vai in­ves­ti­gar a ban­da­lhei­ra dos pa­dres acu­sa­dos de pe­do­fi­lia.

Não sei se vo­cês vi­ram o pro­gra­ma do Ca­bri­ni, no SBT, que foi quem de­nun­ci­ou o ca­so (pa­ra quem per­deu, es­tá tu­do no you­tu­be, cla­ro). Se não fos­se trá­gi­co, se­ria cô­mi­co. As ce­nas apre­sen­ta­das no “Co­ne­xão Re­pór­ter” são ao mes­mo tem­po ver­go­nha (por ter pa­dres me­ti­dos – li­te­ral­men­te – nes­se ti­po de de­nún­cia) e es­cár­nio (pe­las re­a­ções dos de­nun­ci­a­dos).
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Arruda

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 Texto de

A OAB (Or­dem dos Ad­vo­ga­dos do Bra­sil) quer a saí­da ou a pri­são tem­po­rá­ria do go­ver­na­dor Jo­sé Ro­ber­to Ar­ru­da, do Dis­tri­to Fe­de­ral. Bons tem­pos aque­les em que a pa­la­vra ar­ru­da re­me­tia ime­di­a­ta­men­te ao fa­mo­so ga­lhi­nho pa­ra afas­tar mau olha­do. Que far­ra, não?
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Velhice

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010 Texto de

Nin­guém so­nha com ela. Nin­guém a de­se­ja di­re­ta­men­te. Mas, por bem ou por mal, to­dos de al­gum mo­do a que­rem. É sim­ples: nin­guém – ou qua­se nin­guém – quer mor­rer. Vi ou­tra vez o fil­me “Pel­le, o con­quis­ta­dor” (Di­re­ção de Bil­le Au­gust, 1988, Os­car de me­lhor fil­me es­tran­gei­ro e Pal­ma de Ou­ro no Fes­ti­val de Can­nes), com uma atu­a­ção ex­cep­ci­o­nal de Max Von Sy­dow.
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