Arquivos de Sociedade

Moro num bairro rico de São Paulo. Por conta da lo­ca­li­za­ção do es­cri­tó­rio de tra­ba­lho, re­solvi pa­gar um alu­guel mais caro e fi­car bem perto. Em com­pen­sa­ção, eco­no­mi­zei em ou­tros gas­tos com lo­co­mo­ção. E, claro, com saúde. Su­por­tar o trân­sito di­a­ri­a­mente por aqui é ar­ris­car co­ra­ção, fí­gado etc. Faz 21 me­ses que vim pra cá. E uma das coi­sas mais per­cep­tí­veis nas ruas é o ver­ti­gi­noso cres­ci­mento de uma po­pu­la­ção in­vi­sí­vel para os car­ni­cei­ros que co­man­dam o país: pe­din­tes, de­sem­pre­ga­dos, mo­ra­do­res de rua.
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Crônicas

Das 20h às 23h28

quinta-feira, 17 de março de 2016 Texto de

Chupa, Lula! Às oito ho­ras, gri­ta­ram lá em­baixo no mo­mento em que fe­chei o vi­dro do nono, pen­du­rei a bolsa no om­bro di­reito (pro­ce­di­mento que se não me en­gano está co­me­çando a me dar dor nas cos­tas) e desci a pé os quase du­zen­tos de­graus (ali­via um pouco o peso da cons­ci­ên­cia), dei boa noite ao guarda-noturno que sem­pre me diz bom des­canso pro se­nhor (pro se­nhor!), ga­nhei a cal­çada e dei de cara com dois ca­ras, um ne­gro alto e um branco baixo, am­bos pa­ra­dos ou­vindo algo no ce­lu­lar, que logo per­cebi como sendo a tal gra­va­ção Lula/Dilma.
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Impressões

Sobre Mariana e Paris

sábado, 14 de novembro de 2015 Texto de

Des­cas­cá­va­mos as la­ran­jas miú­das e do­ces, e as cas­cas des­pren­dendo sumo que im­preg­nava as mãos e os bra­ços caíam so­bre o ca­pim, onde aos pou­cos, e com o pas­sar dos dias, misturavam-se ao solo, tal­vez ali­men­tando suas raí­zes ou ape­nas fundindo-se na­tu­ral­mente com a his­tó­ria de seu bi­oma, por as­sim di­zer, num sexo ele­men­tar em que a terra ime­mo­rial pe­ne­tra o ve­ge­tal úmido, ou vice-versa, tanto faz
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Crônicas

Renascidos do inferno

terça-feira, 3 de março de 2015 Texto de

O con­fronto en­tre dois Bra­sis – o que gos­ta­ria de se ver li­vre de Dilma e do PT e o que a ele­geu e ainda acre­dita na pre­si­dente e na es­tru­tura po­lí­tica que a sus­tenta – faz bor­bu­lhar neste mo­mento a ig­no­rân­cia que ge­ral­mente per­ma­nece en­co­berta pela omis­são nas­cida de re­ceios, as bra­va­tas sem sen­tido de gente de­sa­cos­tu­mada a dis­cu­tir po­lí­tica, os ran­co­res for­mu­la­dos a par­tir de ba­ses frou­xas e os ódios ra­sos quase sem­pre ob­ti­dos pela falta de ar­gu­men­tos. Tudo isso é ver­dade, mas há algo mais im­por­tante acon­te­cendo: fi­nal­mente abri­mos, em meio ao tor­por do fu­te­bol e de to­das as ba­na­li­da­des de nosso co­ti­di­ano, uma pe­quena fresta para olhar o que re­al­mente im­porta.
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Contos

Questão glútea

sábado, 22 de novembro de 2014 Texto de

Nem mesmo as duas li­ga­ções te­lefô­ni­cas aten­di­das si­mul­ta­ne­a­mente fo­ram su­fi­ci­en­tes para impedir-me o es­panto e logo, a cu­ri­o­si­dade. Dona Hen­rica ha­via mar­cado a con­sulta ju­rí­dica há dois dias, li­gara na vés­pera e na­quela ma­nhã tam­bém, an­tes de dirigir-se ao es­cri­tó­rio onde ad­vogo. Ha­via uma ex­trema an­si­e­dade em seu rosto quando a se­cre­tá­ria, des­cum­prindo uma or­dem ex­pressa de mi­nha parte, enfiou-a su­bi­ta­mente sala aden­tro. Mi­nha sur­presa, en­tre­tanto, não re­si­diu em sua ex­pres­são, mas na parte do corpo que se­para as cos­tas das per­nas, ou seja, a re­gião glú­tea.
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Crônicas

Do lado de fora da Copa

terça-feira, 24 de junho de 2014 Texto de
Cena do filme "O ano em que meus pais saíram de férias"

Cena do filme “O ano em que meus pais saí­ram de fé­rias”

No filme “O ano em que meus pais saí­ram de fé­rias”, há uma cena em­ble­má­tica ca­paz de tra­du­zir o sen­ti­mento que em­bala o tor­ce­dor numa Copa do Mundo. Um grupo de re­vo­lu­ci­o­ná­rios as­siste ao jogo Bra­sil x Tche­cos­lo­vá­quia e quando o país eu­ro­peu (en­tão um es­tado co­mu­nista que ainda reu­nia a Re­pú­blica Tcheca e a Es­lo­vá­quia) abre o pla­car, vá­rios de­les gri­tam gol, fe­cham os pu­nhos, di­zem pa­la­vras de or­dem etc. No en­tanto, mi­nu­tos de­pois, quando Ri­ve­lino co­bra uma falta e em­pata, aí sim há uma ex­plo­são es­pon­tâ­nea e eles se abra­çam, vi­bram e co­me­mo­ram in­de­pen­den­te­mente de po­si­ções po­lí­ti­cas.
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As no­vas re­la­ções hu­ma­nas, mo­ti­va­das ou mesmo man­ti­das pe­las re­des so­ci­ais, cri­a­ram uma ver­tente que às ve­zes as­susta: trata-se do “misturê-fuzuístico-se-eu-não-jogar-levo-a-bola-embora”.

De modo quase ina­cre­di­tá­vel, pes­soas que se di­zem de­mo­cra­tas e bla­bla­blá de­so­vam uma in­to­le­rân­cia im­pres­si­o­nante nos mais ra­sos de­ba­tes so­bre po­lí­tica ou com­por­ta­mento.
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Crônicas

A tática do Tufim e o futuro do passado

terça-feira, 20 de maio de 2014 Texto de
Eu aos 9: terceiro ano do grupo escolar

Eu aos 9: ter­ceiro ano do grupo es­co­lar

– Você acha que pode? – a mu­lher que apa­renta ter ses­senta anos bate uma das mãos na perna, in­dig­nada, na fila do banco.

Es­tão em duas e fa­lam so­bre um epi­só­dio ba­nal numa es­cola pú­blica. O aluno quis des­cer o braço na pro­fes­sora. Pelo que ouvi de­las, a coisa não che­gou às vias de fato. E tal­vez a in­dig­na­ção da­quela se­nhora de baixa es­ta­tura e olhos graú­dos atrás dos ócu­los acabe se per­dendo na grande ba­bel em que se trans­for­mou a es­cola pú­blica no Bra­sil.
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Crônicas

“Ela”, o filme, e o tronco da bananeira

sexta-feira, 4 de abril de 2014 Texto de

Eu co­nheci um cara que na in­fân­cia ti­nha uma ba­na­neira pre­fe­rida. “Quando eu faço o bu­raco no tronco, eu con­verso com ela”, ele me disse uma vez. “E eu a ouço quando a gente está… você sabe”, ele tam­bém me disse. Veja bem o que ele me disse: “… quando a gente está”. Ou seja, ele in­cluiu a ba­na­neira no mundo da ra­zão, ele deu uma cons­ci­ên­cia à ba­na­neira.
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Crônicas

O chiqueirinho do elo perdido

sexta-feira, 28 de março de 2014 Texto de

A dis­cus­são na As­sem­bleia Le­gis­la­tiva so­bre a cri­a­ção de va­gões ex­clu­si­vos para mu­lhe­res no Me­trô é quase ina­cre­di­tá­vel. Pa­rece ro­teiro de um des­ses pro­gra­mas de hu­mor que exa­ge­ram nos te­mas des­pre­zí­veis e em suas ca­ri­ca­tu­ras exa­ta­mente com o ob­je­tivo de cha­mar aten­ção para o ab­surdo que re­pre­sen­tam.
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