Retratos

Primeira escola e primeiro crime

quarta-feira, 25 de agosto de 2010 Texto de

A ima­gem acima mos­tra cri­an­ças di­ante de um pré­dio bem sim­ples e rús­tico. Aí muita gente co­me­çou a apren­der a ler e a es­cre­ver. Eu tam­bém. A foto não é do meu tempo. É da época de meus pais. Meus pais es­tu­da­ram aí. Mais tarde foi mi­nha vez, coisa de dois ou três me­ses an­tes de mu­dar­mos para a ci­dade. A es­cola fi­cava na Fa­zenda Bem Es­tar, lo­ca­li­zada em Ca­fe­lân­dia, mu­ni­cí­pio do in­te­rior de São Paulo. 

Lá den­tro, ha­via uma única sala para pelo me­nos dois gru­pos de es­tu­dan­tes que es­ta­vam em anos di­fe­ren­tes. A pro­fes­sora desdobrava-se para en­si­nar, por exem­plo, o pri­meiro e o ter­ceiro anos. En­quanto ela pas­sava a ta­refa de classe para o pri­meiro ano, o ter­ceiro es­pe­rava. E vice-versa. Era as­sim a mai­o­ria das es­co­las ru­rais na­que­les tem­pos – no dos meus pais e tam­bém no meu.

A es­tru­tura da es­cola con­sis­tia numa mesa para a pro­fes­sora e em car­tei­ras du­plas para os alu­nos. Ao lado, ha­via um quar­ti­nho feito como des­pensa. Nesse quar­ti­nho, co­meti meu pri­meiro crime: junto com um co­lega, enfiei-me lá na hora do re­creio e comi cho­co­late em pó rou­bado de uma lata. Em ou­tra oca­sião, fo­mos olhar a pro­fes­sora na “ca­si­nha” (a pri­vada de al­ve­na­ria cons­truída no quin­tal do pré­dio es­co­lar). Eram cri­mes gra­ves para a época. 

Compartilhe