Arquivos de Meu pai

Crônicas

Sonho com meu pai

quinta-feira, 6 de setembro de 2012 Texto de

Este é meu pai, em 1954, com o ca­mi­nhão car­re­gado de ca­pim para o gado

 

Os so­nhos para mim são quase sem­pre gru­den­tos. Da­que­les que você acorda no meio da noite se per­gun­tando se fo­ram mesmo so­nhos. Houve uma época, por exem­plo, que vivi uma ver­da­deira his­tó­ria épica em que, num país des­co­nhe­cido, eu era um sol­dado lu­tando con­tra um re­gime to­ta­li­ta­rista.
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Crônicas

O sigilo de um passado que nos incomoda

quinta-feira, 23 de junho de 2011 Texto de

Aí está a Nina, ca­chor­ri­nha que tam­bém é mi­nha

Es­con­der coi­sas do nosso pas­sado (ou mesmo do pre­sente) das quais nos en­ver­go­nha­mos nos faz bem? Re­solve nos­sas in­cer­te­zas a res­peito do fu­turo? Sus­tenta nossa es­ta­bi­li­dade emo­ci­o­nal? Evita uma ex­po­si­ção pre­ju­di­cial à nossa ima­gem? A dis­cus­são em torno de do­cu­men­tos si­gi­lo­sos da his­tó­ria do país me des­per­tou para mi­nhas pró­prias de­son­ras.
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Impressões

Clint Eastwood e Silvio Santos

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 Texto de

O ator e di­re­tor Clint Eastwood

O apre­sen­ta­dor e em­pre­sá­rio Sil­vio San­tos

Pu­tas que os pa­ri­ram. Com o de­vido res­peito, claro. Eu te­nho um grande amigo, so­bre o qual já es­crevi em ou­tras pá­gi­nas deste blog. O nome dele é Déco. Meu pri­meiro e grande pro­fes­sor de jor­na­lismo. Ele me di­zia as­sim, em meio às nos­sas noi­ta­das etílico-intelectuais: “ABC, você é um grande fi­lho da puta, mas isso é de ver­dade, um fi­lho da puta mesmo”. Eu olhava para ele meio sem en­ten­der. E ele com­ple­tava: “É isso mesmo. Sua mãe é a puta do Nene Cava” (Nene Cava é meu pai). E com­ple­tava mais: “Per­cebe como puta às ve­zes é uma coisa ma­ra­vi­lhosa?”. Déco, meu grande amigo fi­ló­sofo. Que sau­da­des! É pen­sando nele que digo, a res­peito de Clint e Sil­vio: “Pu­tas que os pa­ri­ram”. Com o maior res­peito.
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Crônicas

Paisagem da janela

terça-feira, 28 de dezembro de 2010 Texto de

Quando eu ti­nha uns 4 ou 5 anos, fiz uma vi­a­gem de trem com mi­nha mãe. O que eu mais me lem­bro da ex­pe­ri­ên­cia é algo bas­tante inu­si­tado: a vi­são as­sus­ta­dora do vão en­tre o va­gão e a pla­ta­forma. Sa­ber que ali em­baixo ha­via um fosso, mesmo que fosse muito im­pro­vá­vel al­guém pi­sar no va­zio e cair na­quele “abismo”, era per­tur­ba­dor.
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Retratos

Primeira escola e primeiro crime

quarta-feira, 25 de agosto de 2010 Texto de

A ima­gem acima mos­tra cri­an­ças di­ante de um pré­dio bem sim­ples e rús­tico. Aí muita gente co­me­çou a apren­der a ler e a es­cre­ver. Eu tam­bém. A foto não é do meu tempo. É da época de meus pais. Meus pais es­tu­da­ram aí. Mais tarde foi mi­nha vez, coisa de dois ou três me­ses an­tes de mu­dar­mos para a ci­dade. A es­cola fi­cava na Fa­zenda Bem Es­tar, lo­ca­li­zada em Ca­fe­lân­dia, mu­ni­cí­pio do in­te­rior de São Paulo.
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Impressões, Retratos

Pais e filhos

sexta-feira, 6 de agosto de 2010 Texto de

Em 1954, meu pai ao lado de ca­mi­nhão car­re­gado de ca­pim

Par­ti­ci­pei da úl­tima cena da vida do meu pai. Ele es­tava mor­rendo no hos­pi­tal. Do lado de lá do leito, mi­nha mãe. Do lado de cá, eu. Na ca­be­ceira. Meus ir­mãos e ou­tras pes­soas es­pe­ra­vam no cor­re­dor. Acon­te­ce­ria a qual­quer mo­mento. Era uma noite no fim de março. Tem­pe­ra­tura amena. Pela ja­nela, dava para ver as ár­vo­res os­ci­la­rem num vento de chuva que vi­ria.
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Retratos

O rio mais lindo que há

segunda-feira, 2 de agosto de 2010 Texto de


Quem mora em São Paulo, por exem­plo, tal­vez não possa ima­gi­nar como são ex­tra­or­di­ná­rias as águas do Ti­etê em re­giões como a de Lins, onde se lo­ca­liza a pe­quena e sim­pá­tica ci­dade de Sa­bino. Nos anos 1990, eu cos­tu­mava ir a um dos ran­chos lo­ca­li­za­dos às mar­gens des­sas águas. Nesta foto, es­tou com mi­nha fi­lha den­tro do rio, o mais lindo de to­dos.
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Crônicas, Impressões

Putos da vida

domingo, 11 de julho de 2010 Texto de

Cresci no meio de pais e tios e avó fa­lando es­pa­nhol. Eles to­dos são (ou fo­ram) fi­lhos de es­pa­nhóis. Gente que veio do ou­tro lado do Atlân­tico em busca de no­vas opor­tu­ni­da­des, de uma vida me­lhor. Mas como é duro vê-los em har­mo­nia. Como é di­fí­cil fa­zer com que eles se en­ten­dam. São ra­nhe­tas. São im­pul­si­vos. Têm sem­pre o san­gue numa tem­pe­ra­tura ina­de­quada para o corpo hu­mano.
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