Arquivos de Religião

Crônicas

A dor de todos os natais

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 Texto de

O Na­tal dói em mim. Mas, pri­mei­ro, va­mos ao con­tex­to.

Meio sé­cu­lo se pas­sou sem que eu pu­des­se de­ci­frar o sig­ni­fi­ca­do do Na­tal. A prin­ci­pal ra­zão tal­vez se jus­ti­fi­que no fa­to de que não sou re­li­gi­o­so. Is­to é, não te­nho re­li­gião. Eu res­pei­to as re­li­giões, mas não co­mun­go com elas, por as­sim di­zer. As­sim, per­ma­ne­ço a cer­ta dis­tân­cia do ca­rá­ter mís­ti­co so­bre o Cris­to ani­ver­sa­ri­an­te, mas ad­mi­ro o mí­ti­co, o ca­rá­ter mí­ti­co.
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O que eu acho do caso Padre Beto

segunda-feira, 29 de abril de 2013 Texto de
Eu e o padre Beto no lançamento de Pater

Eu e o pa­dre Be­to no lan­ça­men­to de Pa­ter

Em ver­da­de (a mi­nha, cla­ro), vos di­go: o pa­dre Be­to não se en­cai­xa na en­gre­na­gem da Igre­ja Ca­tó­li­ca. Há cer­ta in­dig­na­ção, ou re­vol­ta, de par­te da po­pu­la­ção (ca­tó­li­ca ou não) con­tra a ati­tu­de to­ma­da pe­lo bis­po de Bau­ru (que ini­ci­al­men­te pe­diu re­tra­ta­ção e ago­ra re­cor­reu à ex­co­mu­nhão). No en­tan­to, não há qual­quer sur­pre­sa nes­sa pos­tu­ra.
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De homens e papas

quarta-feira, 13 de março de 2013 Texto de
Afresco de Michelangelo na Capela Sistina

Afres­co de Mi­che­lan­ge­lo na Ca­pe­la Sis­ti­na

Na mi­nha ci­da­de ha­via um pa­dre que era su­per mo­der­no, is­so lá pe­la dé­ca­da de 1980. Pois bem, cri­ti­ca­vam-no. An­tes de­le, ti­nha um que era “uma pes­te”, se­gun­do a lín­gua de boa par­te da po­pu­la­ção. O ou­tro não es­pe­ra­va a noi­va que se atra­sa­va. E as­sim vai. To­dos sem­pre têm al­go a ser cri­ti­ca­do. No ca­so dos pa­pas, che­gam a Vas­cu­lhar até a in­fân­cia do di­to cu­jo pa­ra achar al­gu­ma fe­ri­da que ain­da pos­sa fe­der.
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Crônicas

Victória, 24

terça-feira, 6 de novembro de 2012 Texto de

Há um sé­cu­lo, em 1912, nas­cia a me­ni­na Vic­tó­ria. Ela mor­reu em 1936, aos 24 anos! Es­tá es­cri­to na lá­pi­de de seu tú­mu­lo, no Ce­mi­té­rio da Sau­da­de, em Bau­ru. En­quan­to es­pe­rá­va­mos que o cor­po do pai de um ami­go fos­se en­ter­ra­do, sem que­rer fui atraí­do pa­ra aque­la pla­qui­nha dou­ra­da (ago­ra não sei mais se era dou­ra­da ou se era o re­fle­xo do sol for­te, mas acho que era sim).
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Eu confesso

segunda-feira, 23 de julho de 2012 Texto de

Es­ta é mi­nha avó. To­das as tar­des, ela bo­ta­va um co­po d’água pa­ra ben­zer di­an­te do rá­dio na ho­ra da con­sa­gra­ção; de­pois, ela nos da­va um go­li­nho

Não sou um cren­te con­vic­to. Sem­pre es­ti­ve lon­ge des­sa po­si­ção. Te­nho mui­to mais dú­vi­das e in­cer­te­zas do que fé. En­tre­tan­to, que­ro crer. Qua­se me obri­go a crer na­que­le ros­to no­bre e afe­tu­o­so, de ca­be­los le­ve­men­te lon­gos, que me fi­ta­va des­de a pin­tu­ra re­ves­ti­da de vi­dro na pa­re­de da ca­sa de mi­nha avó. A quem – in­co­e­rên­cia? – sem­pre pe­ço pe­la saú­de e fe­li­ci­da­de de mi­nha fa­mí­lia, de meus ami­gos e de to­dos por aí, em­bo­ra eu sai­ba cla­ra­men­te des­sa im­pos­si­bi­li­da­de.
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Co­nhe­ci um me­ni­no, que de­pois se tor­nou adul­to, com gra­ves de­fi­ci­ên­ci­as men­tais. Sua vi­da de­ve ter du­ra­do per­to de 40 anos. A mãe e a avó cui­da­vam de­le com um ca­ri­nho im­pres­si­o­nan­te. Ele os­ci­la­va en­tre bons e maus mo­men­tos. Em es­ta­do tur­bu­len­to, che­ga­va a agre­dir a mãe. Era um ter­rí­vel dra­ma.
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A traição e o Cristo Redentor

terça-feira, 6 de setembro de 2011 Texto de

Tá a mai­or re­vol­ta na Ar­qui­di­o­ce­se do Rio por cau­sa do anún­cio do si­te Ohhtel.com, di­ri­gi­do a quem quer ter re­la­ções ex­tra­con­ju­gais. Mo­ti­vo: a uti­li­za­ção da ima­gem do Cris­to Re­den­tor no out­do­or. A men­sa­gem diz: “Te­nha um ca­so ago­ra! Ar­re­pen­da-se de­pois”. É até en­gra­ça­do, mas a uti­li­za­ção do sím­bo­lo de uma re­li­gião mi­le­nar nu­ma pe­ça pu­bli­ci­tá­ria des­se ti­po é ina­de­qua­da sim.
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Crônicas

O evangelho, segundo a festa gay

segunda-feira, 29 de agosto de 2011 Texto de

Bem à mi­nha fren­te, um ra­paz de uns de­zoi­to anos tal­vez e uma ga­ro­ta quem sa­be um pou­co mais no­va se bei­jam con­ti­nu­a­men­te; dois ou três pas­sos adi­an­te, um ca­ra al­to e loi­ro bei­ja a ore­lha de um ne­gro e os dois dan­çam ao som ani­ma­do de Pre­ta Gil; mui­to per­to de mim, uma fa­mí­lia que in­clui uma cri­an­ça de dois anos as­sis­te ao show; as cri­an­ças se di­ver­tem, os ho­mos­se­xu­ais se di­ver­tem, os he­te­ros­se­xu­ais se di­ver­tem. Eu nun­ca ha­via ido a uma pa­ra­da gay. Não por pre­con­cei­to, mas ape­nas por ques­tões cir­cuns­tan­ci­ais. Des­ta vez, pe­guei o fi­nal do even­to em Bau­ru. E o show tam­bém (Pre­ta é uma óti­ma ani­ma­do­ra de pal­co!).
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Simbiose brasileira

terça-feira, 15 de junho de 2010 Texto de

Nem a ar­te nem a po­lí­ti­ca nem a re­li­gião. É o fu­te­bol, só o fu­te­bol, que con­se­gue unir o Bra­sil. Na­da mais. An­tes do jo­go de ho­je, uma sim­ples es­treia em Co­pa do Mun­do con­tra a des­co­nhe­ci­da Co­reia do Nor­te, as ru­as es­ta­vam in­qui­e­tas. As ban­dei­ras nos car­ros, os mo­to­ris­tas apres­sa­dos, as pes­so­as sor­ri­den­tes, as brin­ca­dei­ras en­tre ami­gos ou des­co­nhe­ci­dos. To­dos com um só pen­sa­men­to: a se­le­ção. O fu­te­bol. A Co­pa do Mun­do. Uma cor­ren­te im­pon­de­rá­vel no ar per­pas­sa to­das as al­mas na mais pro­fun­da sim­bi­o­se bra­si­lei­ra.
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