Impressões

Eu confesso

segunda-feira, 23 de julho de 2012 Texto de

Esta é mi­nha avó. To­das as tar­des, ela bo­tava um copo d’água para ben­zer di­ante do rá­dio na hora da con­sa­gra­ção; de­pois, ela nos dava um go­li­nho

Não sou um crente con­victo. Sem­pre es­tive longe dessa po­si­ção. Te­nho muito mais dú­vi­das e in­cer­te­zas do que fé. En­tre­tanto, quero crer. Quase me obrigo a crer na­quele rosto no­bre e afe­tu­oso, de ca­be­los le­ve­mente lon­gos, que me fi­tava desde a pin­tura re­ves­tida de vi­dro na pa­rede da casa de mi­nha avó. A quem – in­co­e­rên­cia? – sem­pre peço pela saúde e fe­li­ci­dade de mi­nha fa­mí­lia, de meus ami­gos e de to­dos por aí, em­bora eu saiba cla­ra­mente dessa im­pos­si­bi­li­dade.

Dito isto, es­tou lendo o li­vro “Pa­la­vras de vida”, do Pa­dre Beto (vou es­cre­ver so­bre o li­vro quando aca­bar de ler, es­tou lendo aos pou­cos em meio a ou­tras obras). E nele en­con­trei on­tem este pen­sa­mento ex­tra­or­di­ná­rio de Santa Te­resa de Ávila: “Uma prova de que Deus está co­nosco não é o fato de que não ve­nha­mos a cair, mas que nos le­van­te­mos de­pois de cada queda”.

Por causa desta frase, lida on­tem pouco an­tes de pe­gar no sono, acor­dei hoje mais crente. Por­que essa ideia é uma ideia apli­cá­vel. Esse Deus me­nos “oni” isso “oni” aquilo, esse Deus me­nos in­fa­lí­vel, esse Deus que de re­pente pode es­tar lu­tando ao nosso lado sem uma cer­teza para nada, me atrai mais, é ca­paz de me fa­zer en­ten­der me­lhor as ma­ra­vi­lhas e as des­gra­ças do mundo.

Compartilhe