Impressões

Simbiose brasileira

terça-feira, 15 de junho de 2010 Texto de

Nem a ar­te nem a po­lí­ti­ca nem a re­li­gião. É o fu­te­bol, só o fu­te­bol, que con­se­gue unir o Bra­sil. Na­da mais. An­tes do jo­go de ho­je, uma sim­ples es­treia em Co­pa do Mun­do con­tra a des­co­nhe­ci­da Co­reia do Nor­te, as ru­as es­ta­vam in­qui­e­tas. As ban­dei­ras nos car­ros, os mo­to­ris­tas apres­sa­dos, as pes­so­as sor­ri­den­tes, as brin­ca­dei­ras en­tre ami­gos ou des­co­nhe­ci­dos. To­dos com um só pen­sa­men­to: a se­le­ção. O fu­te­bol. A Co­pa do Mun­do. Uma cor­ren­te im­pon­de­rá­vel no ar per­pas­sa to­das as al­mas na mais pro­fun­da sim­bi­o­se bra­si­lei­ra.

Cla­ro, co­mo já dis­se­ram em vá­ri­as oca­siões, é uma pe­na que o ajun­ta­men­to – no sen­ti­do mais pro­fun­do do ter­mo – não ro­le tam­bém em cir­cuns­tân­ci­as cru­ci­ais da po­lí­ti­ca, quan­do se­ria até mais im­por­tan­te que o po­vo fos­se às ru­as mos­trar a for­ça de sua al­ma, de seu co­ra­ção. Mas o fa­to é que na Co­pa não é pre­ci­so or­ga­ni­za­ção, cha­ma­men­to, con­vo­ca­ção. Na­da dis­so. O sen­ti­men­to é es­pon­tâ­neo. As pes­so­as se en­tre­gam. Tal­vez por­que o fu­te­bol se­ja uma das pou­cas coi­sas lim­pas que nos res­tam.

O re­sul­ta­do do jo­go? Não im­por­ta. Os 2 a 1 fa­zem par­te da his­tó­ria das es­trei­as do Bra­sil em Co­pa do Mun­do (leia o co­men­tá­rio de on­tem, abai­xo). Foi uma en­cren­ca da­que­las. Os co­re­a­nos não ti­ve­ram pu­do­res. O ti­me plan­tou-se na li­nha da gran­de área e de­cre­tou: me­to-me aqui e da­qui nin­guém me ti­ra. E nin­guém ti­rou. Mes­mo quan­do o Bra­sil ga­nha­va por 2 a 0, os ca­ras es­ta­vam lá. Cin­co ou seis plan­ta­dos di­an­te da gran­de área. A mu­ra­lha da Co­reia.

Co­mo to­das as Co­pas já mos­tra­ram, a ver­da­de é que a es­treia não diz mui­ta coi­sa. É até bom não co­me­çar com tu­do. A me­lhor fór­mu­la pa­ra uma equi­pe ser cam­peã mun­di­al é cres­cer du­ran­te a com­pe­ti­ção. Po­de per­gun­tar pa­ra qual­quer co­mis­são téc­ni­ca.

En­fim, tá ruim mas tá bom, co­mo se diz.

Os ou­tros em­pa­tes do dia, in­cluin­do o 0 x 0 de Por­tu­gal con­tra Cos­ta do Mar­fim, só con­fir­ma­ram uma coi­sa: eta Co­pi­nha sem ver­go­nha.

Mas vai me­lho­rar. A gran­de ver­da­de é que Co­pa com 32 se­le­ções é um be­lo con­gra­ça­men­to mun­di­al, mas vai mui­ta gen­te ruim, is­so vai.

Da­qui a pou­co, quan­do a por­ca­ri­a­da fi­car pe­lo ca­mi­nho, o ní­vel me­lho­ra. Eu acho.

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