Impressões

De homens e papas

quarta-feira, 13 de março de 2013 Texto de
Afresco de Michelangelo na Capela Sistina

Afresco de Mi­che­lan­gelo na Ca­pela Sis­tina

Na mi­nha ci­dade ha­via um pa­dre que era su­per mo­derno, isso lá pela dé­cada de 1980. Pois bem, criticavam-no. An­tes dele, ti­nha um que era “uma peste”, se­gundo a lín­gua de boa parte da po­pu­la­ção. O ou­tro não es­pe­rava a noiva que se atra­sava. E as­sim vai. To­dos sem­pre têm algo a ser cri­ti­cado. No caso dos pa­pas, che­gam a Vas­cu­lhar até a in­fân­cia do dito cujo para achar al­guma fe­rida que ainda possa fe­der.

So­bre o car­deal ar­gen­tino eleito papa, já apa­re­cem vá­rias ci­ta­ções que o li­gam com a di­ta­dura, com a di­reita con­ser­va­dora etc etc. A ver­dade é que se o mundo ca­tó­lico (ou não) quer um papa santo, pode es­que­cer. Por­que o papa, o bispo, o ai­a­tolá, o pai de santo e to­dos os ou­tros que che­gam ao topo de suas igre­jas são hu­ma­nos. E os hu­ma­nos al­gum dia fi­ze­ram merda. Essa ver­dade in­con­tes­tá­vel, en­tre­tanto, não sig­ni­fica que não pos­sam mu­dar e se tor­nar pes­soas me­lho­res. E isso serve para pa­pas e ban­di­dos.

Em tempo: em­bora eu não seja ca­tó­lico (nem de qual­quer ou­tra re­li­gião), tam­bém gos­ta­ria de ver um papa re­al­mente pro­gres­sista que que­brasse ve­lhos ta­bus e com­pre­en­desse as trans­for­ma­ções do mundo, mas te­nho cer­teza de que pra mim não vai dar tempo. Por­que a cha­mada igreja ro­mana se mexe e se ex­põe como uma tar­ta­ruga gi­gan­tesca sob seu casco im­pe­ne­trá­vel. E tudo isso, cá en­tre nós, é per­fei­ta­mente pre­vi­sí­vel.

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