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O que eu acho do caso Padre Beto

segunda-feira, 29 de abril de 2013 Texto de
Eu e o padre Beto no lançamento de Pater

Eu e o pa­dre Beto no lan­ça­mento de Pa­ter

Em ver­dade (a mi­nha, claro), vos digo: o pa­dre Beto não se en­caixa na en­gre­na­gem da Igreja Ca­tó­lica. Há certa in­dig­na­ção, ou re­volta, de parte da po­pu­la­ção (ca­tó­lica ou não) con­tra a ati­tude to­mada pelo bispo de Bauru (que ini­ci­al­mente pe­diu re­tra­ta­ção e agora re­cor­reu à ex­co­mu­nhão). No en­tanto, não há qual­quer sur­presa nessa pos­tura.

A Igreja Ca­tó­lica é um ele­fante que ca­mi­nha a pas­sos de tar­ta­ruga. Suas po­si­ções, seus dog­mas, seus man­da­men­tos, sua com­pre­en­são de mundo, to­dos os seus ten­tá­cu­los fa­zem parte de um com­plexo ema­ra­nhado de fios em que qual­quer des­vio pode pro­vo­car um grande nó, um ter­rí­vel en­rosco ca­paz de fa­zer tro­pe­çar o por­ten­toso pa­qui­derme e, daí, que­brar a ve­lha casca de mi­lê­nios.

Con­cordo com a es­sên­cia da pre­ga­ção do pa­dre Beto. Mas o pa­ra­fuso do pa­dre Beto não en­tra na porca da Igreja. E ele sabe disso. Sem­pre soube, aliás. Mas tal­vez con­si­de­rasse a pos­si­bi­li­dade de o ele­fante co­me­çar a se li­vrar da ca­ra­paça de tar­ta­ruga com um pouco mais de agi­li­dade. Isso, en­tre­tanto, está fora de co­gi­ta­ção.

A Igreja ja­mais mu­dará por den­tro. E a jus­ti­fi­ca­tiva para isso é sim­ples: não é con­ve­ni­ente mu­dar. Há uma grande par­cela da so­ci­e­dade ca­tó­lica que não de­seja essa mu­dança, que pre­cisa acre­di­tar ce­ga­mente, que pre­cisa se sen­tir am­pa­rada pelo di­vino (uma pos­tura que deve ser res­pei­tada como qual­quer ou­tra, in­cluindo a do pa­dre ex­co­mun­gado).

O pa­dre Beto, no fundo, for­çou a barra quando, fi­nal­mente, per­ce­beu que a ca­ra­paça é im­pe­ne­trá­vel. Me­teu seu pa­ra­fuso na porca da Igreja e aper­tou até es­pa­nar. O pa­dre Beto não con­se­guia mais acom­pa­nhar o pe­sado pa­qui­derme. In­qui­eto, ele te­meu a atro­fia. A mesma atro­fia do grande ele­fante que se move a pas­sos de tar­ta­ruga.

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