Sonho com meu pai

Este é meu pai, em 1954, com o caminhão carregado de capim para o gado

 

Os sonhos para mim são quase sempre grudentos. Daqueles que você acorda no meio da noite se perguntando se foram mesmo sonhos. Houve uma época, por exemplo, que vivi uma verdadeira história épica em que, num país desconhecido, eu era um soldado lutando contra um regime totalitarista.

Quase todas as noites o sonho continuava, como em capítulos. Às vezes, minha impressão era de estar num país da América Central. Outras, no Brasil. Nunca cheguei a uma conclusão a esse respeito. Depois de um tempo, tudo desapareceu. Em algumas noites eu me forçava a pensar naqueles cenários de guerra. Só para ver se o sonho voltava. Mas nada.

Entretanto, nunca deixei de sonhar em capítulos. Outros temas vieram, ficaram por um tempo e se foram.

Mas há, sobretudo, uma série que continua sempre. São sonhos com meu pai, morto em 1994. Acho que, por carregar eternamente a culpa de não ter procurado compreendê-lo melhor e, principalmente, não ter procurado me aproximar dele, geralmente são sonhos tumultuados, desagradáveis, sonhos que viram pesadelos.

Ontem, contudo, ocorreu algo.

Pela primeira vez o sonho foi bom, pela primeira vez acordei com aquela sensação de leveza, de uma nostalgia agradável.

O resumo aqui está: no sítio onde morávamos, eu regava algumas mangueiras. Eram grandes mangueiras, que realmente existiram (ou ainda existem, não sei). Ocorre que eu cuidava ainda da primeira árvore e a água já estava no fim. Foi então que meu pai apareceu e me mostrou um pequeno vaso que ele segurava. Nele havia uma minúscula planta. “Encha o vaso com essa água”, ele me disse, “é o que dá pra fazer”.

Sim, era o que dava pra fazer. A água molhou a terra em volta da planta. Uma leve brisa remexia as folhinhas. Estavam verdes e cheirosas.

Esta é a casa onde nasci; à direita uma das mangueiras que eu regaria no sonho

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One Response to “Sonho com meu pai”

  1. Para quem acredita que os sonhos são cargas emocionais armazenadas no inconsciente, que projetam imagens e sons, derivados de cargas emocionais e que por isso, o sonho sempre demonstra aspectos da vida emocional, podemos denotar facilmente uma tentativa de você ter querido mudar algo existencial em sua vida, ou mais profundamente, de ter uma convivência mais assídua com seu pai. Para os espíritas Kardecistas, é através dos sonhos que temos contato com amigos, parentes, instrutores e desafetos. Dessa forma, precisamos aproveitar o máximo para podermos ser esclarecidos sobre as dificuldades que estamos passando. É através dessa conversa que teremos com esses espíritos afins que poderemos, no dia seguinte, estarmos aptos a tomar decisões mais precisas. Mesmo não lembrando do sonho na maioria das vezes, através de uma visão, uma frase ou uma conversa, podemos lembrar de algo que nos foi elucidado durante o sonho e, assim, podermos tomar a decisão correta. Seja como for, este ” sonho ” serviu como um bálsamo para a sua alma e o desprendeu de antigas mágoas, ressentimentos, rancores, receios em torno do seu pai. Para os católicos, são os anjos do Senhor trazendo o conforto de Deus ao seu coração e dizendo que está tudo bem entre vocês, seu pai o entendeu e você o perdoou ou aceitou certas circunstâncias vividas entre vcs. ” É o que dá pra fazer “.