Os ataques terroristas na Índia e a catástrofe em Santa Catarina são de tirar o sono, a alegria e a esperança. Sobre o terrorismo, é mais um capítulo. Mas e esse verdadeiro desmanche logo ali no sul? Parece-me algo novo, sem precedentes ao menos para nós que vivemos num paraíso tropical (por favor, levem em conta que a utilização de “paraíso tropical” é bastante irônico de minha parte). (mais…)
Archive for 2009
A natureza vomita
terça-feira, dezembro 22nd, 2009Artes de saci
terça-feira, dezembro 1st, 2009Desde pequeno ganhara esse apelido. Tinha as duas pernas, não fumava cachimbo nem usava gorro vermelho. Mas como escondia bem as coisas! Era alguém sentir falta das meias, do cachorro ou do tacho de goiabada, que já se sabia que era arte dele. (mais…)
Pescaria
segunda-feira, novembro 23rd, 2009Fisgava as palavras escrevendo; depois, ia descansar um pouco. Elas voltavam a virar peixes e retornavam para as profundezas do mar. Quando acordava, as várias páginas escritas estavam vazias. Contudo, não ficava desiludido e começava tudo de novo.
E-mail: dudu.oliva@uol.com.br
O lixo que fica entalado
domingo, novembro 22nd, 2009Diz que eleição é como futebol e carnaval: uma festa, mas deixa muita sujeira. Além do lixo comum – dos santinhos e todos os papéis produzidos para seduzir o eleitor, sobra também o entulho humano que assume as sagradas cadeiras públicas. Fora uns e outros que podem se contar nos dedos, a pergunta é inevitável e vem do sujeito desconhecido na porta do bar: como é que se consegue juntar tanta coisa ruim? (mais…)
O menino e o lobo
domingo, novembro 8th, 2009Quando nos mudamos, no início da década de setenta, para a propriedade rural de meu avô materno, jamais poderíamos imaginar como seria dramática aquela primeira semana que marcou para sempre nossas vidas. Fomos para o campo cumprir o que se estabelecera tão logo o vovô desistiu de continuar. Deu-se assim: brigando sem queixar-se há cinco ou seis anos com uma interminável seqüência de cânceres, ele cansou-se, mandou chamar as duas filhas, os genros e os netos, anunciou seu fim iminente e foi deitar-se, como se a morte o esperasse na cama, onde, aliás, encontrou-a poucas horas depois. A probabilidade do acontecimento já havia feito com que meu pai e meu tio tomassem a decisão de seguir com a fazenda de médio porte, uma boa produtora de café e melancia. Assim, três ou quatro dias após o enterro, juntamo-nos à vovó. (mais…)
ela e o quarto – Texto de Thiago Roque
terça-feira, novembro 3rd, 2009repousa na cama os planos que tinha para o mundo lá fora.
mundo feio…
o vinil repousa na vitrola-herança, desejando ser usado, nem que for por uma noite.
por uma canção.
mas hoje é quinta-feira. então, desprezo é o que ganha.
é o que todos ganham no final. ou no começo. (mais…)
Estressado? Vá pescar – Texto de Otávio Nunes
domingo, novembro 1st, 2009Em São Paulo, pescador só tem mesmo pesqueiro para dar banho na minhoca. Se for a um rio, só pega bota velha e garrafa PET. O número desses estabelecimentos cresce na Grande São Paulo e alguns até se transformam em enormes complexos de entretenimento com restaurante, pousada, playground, piscina e outras atrações. (mais…)
Ventre
domingo, outubro 18th, 2009Deita na cama dos pais; ali, o casal conversava longas horas e fazia amor. Fica em posição fetal, acreditando que a alcova o protegerá.
E-mail: dudu.oliva@uol.com.br
Dores nas costas
sexta-feira, outubro 16th, 2009I
Outro dia, apareceu-me lá no consultório, pelo meio da tarde, um tal Silvério. Minha clientela geralmente é fixa, não por outra coisa, senão pelo detalhe de a minha agenda viver lotada. Para dizer a verdade, tenho consultas marcadas para os próximos seis meses. Por isso mesmo, quando surge algum novo paciente, é natural alimentar uma certa curiosidade. Contudo, quando ele entrou, ambos não pudemos evitar boas risadas. O fato é que já nos conhecíamos, embora não tivéssemos ligado nossos nomes às respectivas pessoas. Eu o tinha por Silva e ele me tratava por Doutor Juca. São esses os apelidos pelos quais costumam se dirigir a nós, inclusive no edifício onde moramos, coincidentemente no sétimo. Não era para rir? (mais…)
biográfico – Texto de Thiago Roque
quarta-feira, outubro 14th, 2009a memória fez questão de esquecer os primeiros anos.
aquela coisa da primeira palavra, da primeira vez em pé, do primeiro dente, sabe?
pra ele, nunca existiu.
sua primeira lembrança é um dia de chuva. o chinelo indo embora com a correnteza que lavava o meio-fio.
sua primeira perda.
sua primeira bronca também.
até sentia falta das broncas… (mais…)
