Arquivos de Otávio Nunes

Em São Pau­lo, pes­ca­dor só tem mes­mo pes­quei­ro pa­ra dar ba­nho na mi­nho­ca. Se for a um rio, só pe­ga bo­ta ve­lha e gar­ra­fa PET. O nú­me­ro des­ses es­ta­be­le­ci­men­tos cres­ce na Gran­de São Pau­lo e al­guns até se trans­for­mam em enor­mes com­ple­xos de en­tre­te­ni­men­to com res­tau­ran­te, pou­sa­da, play­ground, pis­ci­na e ou­tras atra­ções.
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Serafim e seus filhos - Texto de Otávio Nunes

quinta-feira, 3 de setembro de 2009 Texto de

(His­to­ri­nha ba­se­a­da na mú­si­ca homô­ni­na
e ma­ra­vi­lho­sa de Ruy Mau­rity e Jo­sé Jor­ge)

- Pa­pai, exis­tem lo­bi­so­mens?

- Não, mi­nha fi­lha.

- En­tão por que tem fil­mes na te­le­vi­são que...?
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Os guerreiros - Texto de Otávio Nunes

terça-feira, 4 de agosto de 2009 Texto de

O va­len­te guer­rei­ro Ju­ruí, fi­lho do ca­ci­que da tri­bo dos Nhan­de­qua­ra­bim, po­vo que ha­bi­ta a mar­gem di­rei­ta do Rio Xin­gu, no sen­ti­do da cor­ren­te­za das águas, en­trou na oca da fa­mí­lia. Seu pai es­ta­va a afi­ar a pon­ta de uma lan­ça, pa­ra pes­car ma­trin­xã no gran­de rio.
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Árvore da vida - Texto de Otávio Nunes

quinta-feira, 2 de julho de 2009 Texto de

En­con­trei a ár­vo­re cu­jos fru­tos ali­men­tam a hu­ma­ni­da­de. Es­tá ve­lha, mas fron­do­sa, ver­de e pro­du­ti­va, co­mo sem­pre. Sen­tei-me à sua som­bra e lhe per­gun­tei so­bre o cal­vá­rio de sua vi­da, ao for­ne­cer co­mi­da pa­ra bi­lhões de bo­cas no mun­do. Ela não re­cla­ma de ter de ge­rar inin­ter­rup­ta­men­te, se­gun­do após se­gun­do. Ape­nas me diz que seus fru­tos não são dis­tri­buí­dos igua­li­ta­ri­a­men­te. Há pes­so­as que se sa­tis­fa­zem com um ou dois, en­quan­to ou­tros le­vam mi­lha­res. Che­gam até mes­mo a ven­der seus fru­tos a quem não con­se­gue ter aces­so a ela.
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“Ma­ria, Ma­ria, quem traz na pe­le
es­sa mar­ca pos­sui a es­tra­nha ma­nia
de ter fé na vi­da”

(Mil­ton Nas­ci­men­to e Fer­nan­do Brant)

Ma­ria Au­re­li­na le­van­ta ce­do, faz o ca­fé, vai à pa­da­ria com­prar pães, acor­da as cri­an­ças pa­ra irem à es­co­la e pre­pa­ra o ca­fé com lei­te de­las. Des­pe­de-se dos fi­lhos e se en­ca­mi­nha ao tan­que, on­de qui­los de rou­pa a es­pe­ram. Na ho­ra do al­mo­ço, re­fo­ga dois co­pos de ar­roz, pe­ga na ge­la­dei­ra a va­si­lha com o fei­jão co­zi­do no dia an­te­ri­or, fri­ta um ovo e co­me so­zi­nha, na me­sa da co­zi­nha.
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Afogado em números - Texto de Otávio Nunes

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 Texto de

Es­ta his­to­ri­nha idi­o­ta co­me­çou quan­do tro­quei de car­ro. Na ne­go­ci­a­ção com o ven­de­dor, dei meu veí­cu­lo ve­lho co­mo en­tra­da e com­ple­tei o res­tan­te com mi­nhas eco­no­mi­as. Saí to­do fe­liz da vi­da ao vo­lan­te do meu car­ro no­vo, em­bo­ra usa­do. Lo­go de­pois pa­rei no pos­to pa­ra co­lo­car ga­so­li­na, pois as lo­jas têm o cos­tu­me bes­ta de ven­der car­ro com pouquís­si­mo com­bus­tí­vel.
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Rei da rima - Texto de Otávio Nunes

terça-feira, 6 de janeiro de 2009 Texto de

O po­e­ta por­tu­guês Bo­ca­ge (1765/1803), cu­jo no­me com­ple­to era Ma­nu­el Ma­ria Bar­bo­sa Du Bo­ca­ge, as­so­vi­a­va fe­liz da vi­da en­quan­to pas­se­a­va pe­lo cais da Ci­da­de do Por­to à pro­cu­ra de ins­pi­ra­ção pa­ra no­vo po­e­ma. De re­pen­te, um dos ma­ri­nhei­ros o re­co­nhe­ceu e o sau­dou.
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Espaço vital - Texto de Otávio Nunes

sábado, 6 de dezembro de 2008 Texto de

O so­nho do re­pór­ter Hél­bon Del­li­de era se trans­fe­rir pa­ra a edi­to­ria de po­lí­ti­ca da re­vis­ta Ta­tu­ra­na, a mai­or se­ma­nal do país. De­di­ca­do e sa­gaz, ha­via con­cluí­do re­cen­te­men­te sua pós-gra­du­a­ção em Jor­na­lis­mo Po­lí­ti­co, de­fen­den­do uma te­se bas­tan­te com­ple­xa, que dei­xou a ban­ca­da de pro­fes­so­res em pa­pos-de-ara­nha, so­bre a re­la­ção (a seu ver, pro­mís­cua) en­tre emis­so­ras de te­le­vi­são e ins­ti­tu­tos de pes­qui­sa de in­ten­ção de vo­tos. Foi um fu­ror. Só não vi­rou li­vro por­que ele não quis. “Pes­qui­sei pe­lo bem da so­ci­e­da­de, não por di­nhei­ro”, res­pon­deu a du­as edi­to­ras.
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Amigo invisível - Texto de Otávio Nunes

sexta-feira, 7 de novembro de 2008 Texto de

Ami­go in­vi­sí­vel na in­fân­cia to­dos têm. É co­mum no mun­do dos pe­que­nos. Mas con­for­me o tem­po avan­ça, e in­fe­liz­men­te to­ma con­ta­to com o mun­do adul­to, o in­fan­te es­que­ce aque­le ami­gui­nho que um dia lhe fez com­pa­nhia. Eu tam­bém pas­sei por is­so, é cla­ro. Só que nos úl­ti­mos anos, no aden­trar da ida­de, re­a­tei ami­za­de com aque­le ser que me acom­pa­nhou na me­ni­ni­ce. Em ou­tras pa­la­vras mais sim­ples, sem bor­dar o tex­to: dei pa­ra fa­lar so­zi­nho.
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Novo prefeito - Texto de Otávio Nunes

quinta-feira, 9 de outubro de 2008 Texto de

O no­vo pre­fei­to de Bei­ra­di­nha sen­tou-se na ca­dei­ra es­to­fa­da e olhou atra­vés da ja­ne­la. Lá fo­ra, os ci­da­dãos an­da­vam de um la­do pa­ra ou­tro, à pro­cu­ra de seu des­ti­no. “A par­tir de ho­je, eu os go­ver­no”, pen­sou con­si­go mes­mo o al­cai­de re­cém-elei­to.
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