Arquivos de Otávio Nunes

Em São Paulo, pes­ca­dor só tem mesmo pes­queiro para dar ba­nho na mi­nhoca. Se for a um rio, só pega bota ve­lha e gar­rafa PET. O nú­mero des­ses es­ta­be­le­ci­men­tos cresce na Grande São Paulo e al­guns até se trans­for­mam em enor­mes com­ple­xos de en­tre­te­ni­mento com res­tau­rante, pou­sada, play­ground, pis­cina e ou­tras atra­ções.
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(His­to­ri­nha ba­se­ada na mú­sica homô­nina
e ma­ra­vi­lhosa de Ruy Mau­rity e José Jorge)

– Pa­pai, exis­tem lo­bi­so­mens?

– Não, mi­nha fi­lha.

– En­tão por que tem fil­mes na te­le­vi­são que…?
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Os guerreiros – Texto de Otávio Nunes

terça-feira, 4 de agosto de 2009 Texto de

O va­lente guer­reiro Ju­ruí, fi­lho do ca­ci­que da tribo dos Nhan­de­qua­ra­bim, povo que ha­bita a mar­gem di­reita do Rio Xingu, no sen­tido da cor­ren­teza das águas, en­trou na oca da fa­mí­lia. Seu pai es­tava a afiar a ponta de uma lança, para pes­car ma­trinxã no grande rio.
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En­con­trei a ár­vore cu­jos fru­tos ali­men­tam a hu­ma­ni­dade. Está ve­lha, mas fron­dosa, verde e pro­du­tiva, como sem­pre. Sentei-me à sua som­bra e lhe per­gun­tei so­bre o cal­vá­rio de sua vida, ao for­ne­cer co­mida para bi­lhões de bo­cas no mundo. Ela não re­clama de ter de ge­rar inin­ter­rup­ta­mente, se­gundo após se­gundo. Ape­nas me diz que seus fru­tos não são dis­tri­buí­dos igua­li­ta­ri­a­mente. Há pes­soas que se sa­tis­fa­zem com um ou dois, en­quanto ou­tros le­vam mi­lha­res. Che­gam até mesmo a ven­der seus fru­tos a quem não con­se­gue ter acesso a ela.
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“Ma­ria, Ma­ria, quem traz na pele
essa marca pos­sui a es­tra­nha ma­nia
de ter fé na vida” 

(Mil­ton Nas­ci­mento e Fer­nando Brant)

Ma­ria Au­re­lina le­vanta cedo, faz o café, vai à pa­da­ria com­prar pães, acorda as cri­an­ças para irem à es­cola e pre­para o café com leite de­las. Despede-se dos fi­lhos e se en­ca­mi­nha ao tan­que, onde qui­los de roupa a es­pe­ram. Na hora do al­moço, re­foga dois co­pos de ar­roz, pega na ge­la­deira a va­si­lha com o fei­jão co­zido no dia an­te­rior, frita um ovo e come so­zi­nha, na mesa da co­zi­nha.
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Esta his­to­ri­nha idi­ota co­me­çou quando tro­quei de carro. Na ne­go­ci­a­ção com o ven­de­dor, dei meu veí­culo ve­lho como en­trada e com­ple­tei o res­tante com mi­nhas eco­no­mias. Saí todo fe­liz da vida ao vo­lante do meu carro novo, em­bora usado. Logo de­pois pa­rei no posto para co­lo­car ga­so­lina, pois as lo­jas têm o cos­tume besta de ven­der carro com pouquís­simo com­bus­tí­vel.
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Rei da rima – Texto de Otávio Nunes

terça-feira, 6 de janeiro de 2009 Texto de

O po­eta por­tu­guês Bo­cage (1765/1803), cujo nome com­pleto era Ma­nuel Ma­ria Bar­bosa Du Bo­cage, as­so­vi­ava fe­liz da vida en­quanto pas­se­ava pelo cais da Ci­dade do Porto à pro­cura de ins­pi­ra­ção para novo po­ema. De re­pente, um dos ma­ri­nhei­ros o re­co­nhe­ceu e o sau­dou.
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O so­nho do re­pór­ter Hél­bon Del­lide era se trans­fe­rir para a edi­to­ria de po­lí­tica da re­vista Ta­tu­rana, a maior se­ma­nal do país. De­di­cado e sa­gaz, ha­via con­cluído re­cen­te­mente sua pós-graduação em Jor­na­lismo Po­lí­tico, de­fen­dendo uma tese bas­tante com­plexa, que dei­xou a ban­cada de pro­fes­so­res em papos-de-aranha, so­bre a re­la­ção (a seu ver, pro­mís­cua) en­tre emis­so­ras de te­le­vi­são e ins­ti­tu­tos de pes­quisa de in­ten­ção de vo­tos. Foi um fu­ror. Só não vi­rou li­vro por­que ele não quis. “Pes­qui­sei pelo bem da so­ci­e­dade, não por di­nheiro”, res­pon­deu a duas edi­to­ras.
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Amigo in­vi­sí­vel na in­fân­cia to­dos têm. É co­mum no mundo dos pe­que­nos. Mas con­forme o tempo avança, e in­fe­liz­mente toma con­tato com o mundo adulto, o in­fante es­quece aquele ami­gui­nho que um dia lhe fez com­pa­nhia. Eu tam­bém pas­sei por isso, é claro. Só que nos úl­ti­mos anos, no aden­trar da idade, re­a­tei ami­zade com aquele ser que me acom­pa­nhou na me­ni­nice. Em ou­tras pa­la­vras mais sim­ples, sem bor­dar o texto: dei para fa­lar so­zi­nho.
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Novo prefeito – Texto de Otávio Nunes

quinta-feira, 9 de outubro de 2008 Texto de

O novo pre­feito de Bei­ra­di­nha sentou-se na ca­deira es­to­fada e olhou atra­vés da ja­nela. Lá fora, os ci­da­dãos an­da­vam de um lado para ou­tro, à pro­cura de seu des­tino. “A par­tir de hoje, eu os go­verno”, pen­sou con­sigo mesmo o al­caide recém-eleito.
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