Arquivos de Dudu Oliva

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Próximo encontro

segunda-feira, 8 de Março de 2010 Texto de

Ela vi­via nu­ma bo­lha, pois co­mo era ra­di­o­a­ti­va des­de nas­cen­ça, tu­do apo­dre­cia ao re­dor quan­do seu cor­po en­tra­va em con­ta­to com o ar. As úni­cas pes­so­as que co­nhe­cia eram os ci­en­tis­tas com rou­pas es­pe­ci­ais.
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Gozos

quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010 Texto de

Jo­vem dan­ça fre­ne­ti­ca­men­te na rave/ Fiéis fa­zem vi­gí­lia no templo/
Ca­sal de aman­tes ca­da vez mais uni­dos no leito/ A mãe ama­men­tan­do o
filho/ O es­cri­tor ao ter­mi­nar seu romance/ O jo­ga­dor que faz gol no
úl­ti­mo mi­nu­to, ven­cen­do a partida/ O mé­di­co que sal­va uma vi­da, que
es­ta­va pres­tes a abra­çar a mor­te /O la­vra­dor, de­pois de uma óti­ma
colheita/ Al­guém que se des­lum­bra com a be­le­za do céu estrelado/

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A criança

quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010 Texto de

III.

Quan­do o me­ni­no acor­da en­con­tra vá­ri­os an­jos ao seu re­dor. Fi­ca fe­liz
de vê-los, mas a úni­ca coi­sa que o dei­xa tris­te é que não po­de­rá mais
vol­tar pa­ra a fa­mí­lia e os ami­gos da es­co­la.
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Silêncio

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010 Texto de

Ob­ser­va o ami­go dei­ta­do na ca­ma. Quan­do o ou­tro acor­da, a pri­mei­ra coi­sa que vê: os olhos fe­li­nos. Já es­ta­va acos­tu­ma­do com o bi­cha­no que nun­ca mia e pa­re­ce es­tar au­sen­te o tem­po to­do.

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Instantes

segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010 Texto de

uma le­ve ba­ti­da de carro/
um ho­mem es­cu­ta mú­si­ca al­ta no automóvel/
al­guém con­ver­san­do no ce­lu­lar, pa­re­ce es­tar em casa/
ma­la­ba­ris­tas ar­ran­jan­do uns tro­ca­dos com su­as habilidades/
uma ca­sal cor­re de mãos da­das pa­ra pe­gar a con­du­ção lotada/
lá em ci­ma a lua im­pe­ra, ape­sar de não re­pre­sen­tar na­da nes­te mo­men­to;
pois, os tran­seun­tes apres­sa­dos não a olhavam/

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Pescaria

segunda-feira, 23 de novembro de 2009 Texto de

Fis­ga­va as pa­la­vras es­cre­ven­do; de­pois, ia des­can­sar um pou­co. Elas vol­ta­vam a vi­rar pei­xes e re­tor­na­vam pa­ra as pro­fun­de­zas do mar. Quan­do acor­da­va, as vá­ri­as pá­gi­nas es­cri­tas es­ta­vam va­zi­as. Con­tu­do, não fi­ca­va de­si­lu­di­do e co­me­ça­va tu­do de no­vo.

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Ventre

domingo, 18 de outubro de 2009 Texto de

Dei­ta na ca­ma dos pais; ali, o ca­sal con­ver­sa­va lon­gas ho­ras e fa­zia amor. Fi­ca em po­si­ção fe­tal, acre­di­tan­do que a al­co­va o pro­te­ge­rá.

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Intuição

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 Texto de

O po­e­ta es­cre­via ver­sos e mais ver­sos à ama­da. Ela des­fru­ta­va a es­té­ti­ca das com­po­si­ções, po­rém não con­se­guia emo­ci­o­nar-se. Um dia, en­con­trou um ar­te­são que lhe deu uma pe­que­na cai­xa. De­pois de en­tre­gá-la dis­se: “ Pa­ra vo­cê guar­dar os so­nhos e as lem­bran­ças bo­as”. Fi­cou sur­pre­sa com a des­co­ber­ta de que qual­quer pes­soa com sen­si­bi­li­da­de po­de fa­zer um po­e­ma sem in­ten­ção, mes­mo sim­ples ges­tos, sem pa­la­vras.

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Consequência de um ato imaturo

quarta-feira, 12 de agosto de 2009 Texto de

Fi­ca­va com ver­go­nha quan­do al­guém trans­for­ma­va su­as idéi­as em pó e ele nem ti­nha a ca­pa­ci­da­de de sal­vá-las. De­ci­diu não mais co­men­tar so­bre elas, pois ca­da vez que não ti­nha pa­la­vras pa­ra de­ba­ter, sen­tia-se des­pi­do. Com a ca­be­ça a ex­plo­dir re­sol­veu vi­a­jar pa­ra um lu­gar er­mo e der­ra­mou, atra­vés da es­cri­ta, to­dos os pen­sa­men­tos. Quan­do re­tor­nou pa­ra ci­da­de, es­tra­nhou uma quan­ti­da­de enor­me de le­tras en­la­me­a­das es­pa­lha­das por to­do can­to. Ou­viu no­tí­ci­as de que a ci­da­de so­fre­ra uma en­chen­te de pa­la­vras.

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Relato

sexta-feira, 10 de julho de 2009 Texto de

Vi­a­jan­do, por mui­tos lu­ga­res, en­con­trei uma so­ci­e­da­de que vi­ve a
di­ta­du­ra ba­ru­lhen­ta. To­dos são obri­ga­dos a fa­lar e a ex­por su­as
idéi­as. Quem imer­ge no si­lên­cio e se re­ti­ra da ci­da­de é pre­so em um
cam­po de con­cen­tra­ção. Lá, so­frem um pe­no­so pro­ces­so de re­e­du­ca­ção.

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