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Artes de saci

terça-feira, 1 de dezembro de 2009 Texto de

Desde pe­queno ga­nhara esse ape­lido. Ti­nha as duas per­nas, não fu­mava ca­chimbo nem usava gorro ver­me­lho. Mas como es­con­dia bem as coi­sas! Era al­guém sen­tir falta das meias, do ca­chorro ou do ta­cho de goi­a­bada, que já se sa­bia que era arte dele. Saci não afir­mava nem ne­gava, só fa­zia aquela cara alegre-safada que di­zia tudo. E de nada adi­an­tava apressá-lo: cinco mi­nu­tos ou um mês de­pois, a coisa per­dida apa­re­cia. E tudo vol­tava ao nor­mal até ou­tro su­miço.

Saci só não con­se­guiu de­vol­ver a Flo­rinda, que ele es­con­deu no poço do ter­reno aban­do­nado, quando a mãe dela a pro­cu­rava pra lhe dar uma sova por ela ter ido pra rede com o Ze­cão, um dos peões da fa­zenda. Logo de­pois, Saci foi aco­me­tido de um dos ata­ques que o pe­ga­vam de jeito e nunca mais se lem­brou de onde ha­via es­con­dido a amiga.

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

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