Crônicas

O lixo que fica entalado

domingo, 22 de novembro de 2009 Texto de

Diz que elei­ção é co­mo fu­te­bol e car­na­val: uma fes­ta, mas dei­xa mui­ta su­jei­ra. Além do li­xo co­mum – dos san­ti­nhos e to­dos os pa­péis pro­du­zi­dos pa­ra se­du­zir o elei­tor, so­bra tam­bém o en­tu­lho hu­ma­no que as­su­me as sa­gra­das ca­dei­ras pú­bli­cas. Fo­ra uns e ou­tros que po­dem se con­tar nos de­dos, a per­gun­ta é ine­vi­tá­vel e vem do su­jei­to des­co­nhe­ci­do na por­ta do bar: co­mo é que se con­se­gue jun­tar tan­ta coi­sa ruim?

Até há pou­co tem­po, eu cos­tu­ma­va olhar as lis­tas pa­ra ver quan­tos ti­nham si­do elei­tos dos po­lí­ti­cos que em te­se re­pre­sen­ta­vam avan­ços. Era con­so­la­dor en­con­trar os no­mes de­les. Ho­je, de­ci­di­da­men­te, es­tá mais di­fí­cil. Há pou­cas es­pe­ran­ças pa­ra se agar­rar.

O que te­rá le­va­do o elei­tor a es­co­lher no­mes cu­jo pas­sa­do cons­pi­ra con­tra os bá­si­cos prin­cí­pi­os de de­cên­cia po­lí­ti­ca? Se­ria fal­ta de op­ções? Pes­so­as com a fi­cha lim­pa, as­sus­ta­das com tan­ta po­dri­dão, es­ta­ri­am se afas­tan­do des­sa fren­te? Foi uma for­ma de pro­tes­to que re­fle­te o de­sen­can­to com mu­dan­ças es­pe­ra­das que não vi­e­ram? O elei­tor es­tá de­sin­for­ma­do? Os veí­cu­los de co­mu­ni­ca­ção fa­lham ao ten­tar cum­prir seu pa­pel?

Os es­tu­di­o­sos e su­as pes­qui­sas po­dem até nos es­cla­re­cer es­sas dú­vi­das, mas uma coi­sa é cer­ta: em com­pa­ra­ção à su­jei­ra que fi­ca pe­las ru­as ou en­ta­la­da nos bu­ei­ros, o li­xo que te­ve o res­pal­do das ur­nas é o que in­co­mo­da mais.

* O ar­ti­go aci­ma foi pu­bli­ca­do no jor­nal BOM DIA há al­gum tem­po, mas o tem­po aqui é se­cun­dá­rio. In­fe­liz­men­te, a crí­ti­ca con­ti­nua va­len­do.

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