Em São Pau­lo, pes­ca­dor só tem mes­mo pes­quei­ro pa­ra dar ba­nho na mi­nho­ca. Se for a um rio, só pe­ga bo­ta ve­lha e gar­ra­fa PET. O nú­me­ro des­ses es­ta­be­le­ci­men­tos cres­ce na Gran­de São Pau­lo e al­guns até se trans­for­mam em enor­mes com­ple­xos de en­tre­te­ni­men­to com res­tau­ran­te, pou­sa­da, play­ground, pis­ci­na e ou­tras atra­ções.

Há du­as mo­da­li­da­des de pes­ca­ria: pes­que-pa­gue e pes­que-sol­te (a es­por­ti­va). Na pri­mei­ra, a pes­soa pa­ga pe­lo qui­lo e na se­gun­da de­vol­ve o pei­xe à água. Mas quem for a um pes­gue-pa­gue na es­pe­ran­ça de co­mer pei­xe mais ba­ra­to, es­que­ça. Po­de ser mais ca­ro. O qui­lo da ti­lá­pia, por exem­plo, sai por vol­ta de R$ 7. Es­pé­ci­es no­bres, co­mo pin­ta­do e dou­ra­do, che­gam a cus­tar mais de R$ 20 o qui­lo. E o pri­mei­ro de­les cos­tu­ma pe­sar mais de cin­co qui­los ca­da. Ao fa­zer as con­tas, é me­lhor com­prar no mer­ca­do. Só que lá, vo­cê não te­rá a di­ver­são de sen­tir o bi­cho pu­xar a li­nha e en­ver­gar a va­ra. Pes­quei­ro não é pa­ra en­cher bar­ri­ga, mas pa­ra se di­ver­tir. É es­te o es­pí­ri­to.

Por is­so, a ca­da dia cres­ce mais a pes­ca es­por­ti­va. Na Gran­de São Pau­lo, o pes­que-sol­te cus­ta de R$ 15 a R$ 30 re­ais a diá­ria, ge­ral­men­te de se­te da ma­ti­na às 18 ho­ras, e o pes­ca­dor pe­ga e sol­ta quan­tos qui­ser. Não é acon­se­lhá­vel pra­ti­car a es­por­ti­va com in­ten­ção de le­var o pei­xe. Cus­ta os olhos da ca­ra. E tem ló­gi­ca. O pro­pri­e­tá­rio pre­fe­re o bi­cho na­dan­do pa­ra sa­tis­fa­zer o pú­bli­co do que na pa­ne­la do pes­ca­dor. Por is­so, to­do bom pes­quei­ro re­ser­va la­gos di­fe­ren­tes pa­ra as du­as mo­da­li­da­des. Ob­vi­a­men­te, a la­goa da es­por­ti­va tem pei­xes mai­o­res e me­nos ti­lá­pia.

Pes­ca-se de du­as ma­nei­ras: an­zol pa­ra­do no fun­do do la­go, com chum­ba­da, ou em li­nha sus­pen­sa e pre­sa na boia, com mais ou me­nos um me­tro abai­xo da água. A dis­tân­cia po­de ser re­gu­la­da com a des­ci­da ou su­bi­da da boia. O pri­mei­ro ca­so, o mais co­mum, é pa­ra pei­xes de fun­do, co­mo pa­cu, pin­ta­do, cat­fish, pi­ra­ra­ra, car­pa. Na boia, pe­ga-se os de su­per­fí­cie, co­mo ma­trin­xã, dou­ra­do, ti­lá­pia, pi­au e tam­bém ba­gre e car­pa.

Pa­ra es­pé­ci­es me­no­res, ti­lá­pia, pi­au e cat fish, que os­ci­lam de 500 gra­mas a 3 qui­los, o ide­al é usar va­ra de mão. Pa­cu, ma­trin­xã, dou­ra­do, pin­ta­do, car­pa-ca­be­çu­da e pi­ra­ra­ra so­men­te no mo­li­ne­te ou car­re­ti­lha. São pei­xes di­fí­ceis de ti­rar da água, por bra­vu­ra, ta­ma­nho ou pe­so. Pa­cu, ma­trin­xã, dou­ra­do, pin­ta­do e pi­ra­ra­ra cos­tu­mam dar es­pe­tá­cu­lo e in­flar o pes­ca­dor de or­gu­lho.

Pei­xes co­muns em pes­quei­ros

- Ti­lá­pia: Pre­sen­ça obri­ga­tó­ria. Mas não é bra­si­lei­ra. Co­me­çou a po­vo­ar nos­sas águas no sé­cu­lo pas­sa­do, vin­da da Áfri­ca. É uma dá­di­va dos deu­ses do Ni­lo: pei­xe sem fres­cu­ra, per­mi­te cul­tu­ra co­mer­ci­al, cru­za­men­to, co­me de tu­do, vi­ve em água quen­te e pou­co oxi­ge­na­da, fá­cil de pe­gar, ba­ra­to (ex­ce­to o fi­lé da va­ri­e­da­de Saint Pe­ters), abun­dan­te e de car­ne de­li­ci­o­sa. Is­cas: mi­nho­ca, mas­si­nha e sal­si­cha.

- Car­pa: Tam­bém es­tran­gei­ra. Há três ti­pos nos pes­quei­ros: a hún­ga­ra (ou es­pe­lha­da), a ca­pim e a ca­be­çu­da. Es­pé­cie dó­cil, não ofe­re­ce mui­ta re­sis­tên­cia, ex­ce­to a ca­be­çu­da, pe­lo pe­so, pois ul­tra­pas­sa 10 qui­los. Sua car­ne não é mui­to apre­ci­a­da, em­bo­ra se­ja ven­di­da nor­mal­men­te. Is­cas: as mes­mas da ti­lá­pia.

- Cat­fish: Em­bo­ra nor­te-ame­ri­ca­no, é o ba­gre mais fa­mo­so do pes­quei­ro e fá­cil de pe­gar. En­quan­to uma cren­di­ce po­pu­lar diz que sua car­ne tem gos­to de ter­ra, ou­tros ga­ran­tem ser bo­ba­gem. Co­mo to­do re­pre­sen­tan­te da fa­mí­lia dos ba­gres, é car­nu­do, pou­co es­pi­nho. Ide­al pa­ra as­sar ou fa­zer mo­que­ca. Is­cas: mas­si­nha, sal­si­cha, fí­ga­do de boi, fi­lé de ti­lá­pia, ba­con.

- Pin­ta­do ou ca­cha­ra: No mer­ca­do, re­ce­bem sem­pre o no­me de pin­ta­do. O pri­mei­ro, cla­ro, tem pin­tas no cor­po. Já o ca­cha­ra é lis­tra­do, co­mo ti­gre. Mes­mo as­sim, é di­fí­cil di­fe­ren­ci­ar. Ul­tra­pas­sam 10 qui­los, nu­ma boa. Um chef de co­zi­nha dis­se cer­ta vez que o pin­ta­do é o sal­mão bra­si­lei­ro. Com ra­zão. Es­se ba­grão ca­be­çu­do tem car­ne no­bre.

- Pa­cu e seus pri­mos Tam­ba­qui e Tam­ba­cu: Óti­mos pa­ra se pes­car. For­tes e bri­guen­tos, pu­xam a li­nha pa­ra to­do la­do da la­goa e dão tra­ba­lho pa­ra ti­rar da água. Pe­sam de 5 a 15 qui­los. São pa­ren­tes da pi­ra­nha, mas sem a má fa­ma. Car­ne ra­zoá­vel e ven­di­da no co­mér­cio. Is­cas: mas­si­nha, sal­si­cha, co­ra­ção de ga­li­nha, pe­da­ço de fí­ga­do, goi­a­ba.

- Ma­trin­xã: Bas­tan­te es­por­ti­va e bri­guen­ta. Fis­ga­da, dá sal­tos na água e tra­ba­lho pa­ra sair. Pe­sa de 3 a 10 qui­los e sua car­ne, es­pi­nho­sa ao ex­tre­mo, não é mui­to apre­ci­a­da. Is­cas: mas­si­nha, sal­si­cha, mi­o­lo de pão, goi­a­ba.

- Dou­ra­do: Be­lo e vo­raz, é o rei da água do­ce bra­si­lei­ra. Dá sal­tos co­mo a ma­trin­xã. Sua car­ne é ra­zoá­vel e en­con­trá­vel no mer­ca­do. Is­ca: a me­lhor é o pei­xe vi­vo, uma pe­que­na ti­lá­pia, por exem­plo, mas com mui­ta fo­me tam­bém vem na sal­si­cha.

- Pi­ra­ra­ra: No­va nos pes­quei­ros e al­guns nem a têm. Con­cor­re em be­le­za com o dou­ra­do, com sua cor cinza/esbranquiçada, lis­tras la­te­rais ama­re­las e na­da­dei­ras ver­me­lhas. Um char­me. Ao ser re­ti­ra­do da água, es­te ba­grão bra­si­lei­ro emi­te um som (bu­u­uf!). Há re­la­tos de que a pi­ra­ra­ra ata­ca se­res hu­ma­nos, prin­ci­pal­men­te cri­an­ças, na na­tu­re­za. Mas cer­ta­men­te não é pa­ra co­mer, tal­vez pa­ra de­mar­car ter­ri­tó­rio. Não te­nho in­for­ma­ções so­bre a car­ne. Is­cas: fi­le­zi­nhos de pei­xe, sal­si­cha, fí­ga­do e até mas­si­nha.

Há vá­ri­os si­tes so­bre o as­sun­to na in­ter­net, com en­de­re­ços de pes­quei­ros. Ci­to dois: www.clickpesca.com.br e www.pescar.com.br.

E-mail: otanunes@gmail.com

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