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Intolerância

quinta-feira, junho 4th, 2009

Seduza todas as mulheres que você desejar, Confunda-me com as desculpas mais esfarrapadas que sua imaginação criar, Convença-me de que o que eu estou vendo não é nada disso que eu estou pensando, Passe em branco o aniversário do nosso namoro, Ignore os bilhetinhos de amor que deixo na porta da geladeira para você. Mas nunca mais – ouviu bem? – nunca mais em sua vida recuse provar meu manjar de coco com calda de damasco. Isso eu não vou perdoar.

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

Balas, chamadas e outras perdas

domingo, abril 5th, 2009

Abro o celular e lá está o aviso de 4 chamadas perdidas. Provavelmente amigos que me procuraram para conversar ou simplesmente dizer que estão vivos e querendo me ouvir. Ou o funcionário de uma telefônica, provavelmente querendo me mostrar as maravilhas da empresa que ele representa e de como eu seria muito mais feliz se mudasse minha conta para ela. Não importa. Foram chamadas perdidas e não ouvi os amigos… mas escapei da propaganda. (mais…)

Agonia e êxtase de uma avó

terça-feira, fevereiro 10th, 2009


São ondas de preocupação e alegria que se revezam quando você se vê como avó, principalmente se for de primeira viagem. Nasceu: que maravilha! E tome de lágrimas de emoção. Passa bem: graças a Deus! Perdeu peso: é assim mesmo logo que sai da barriga, não se preocupe! Pegou o peito, o mamilo está machucado, recolhe o leite para dar depois. Está chorando: nossa, é uma fera! Está dormindo: olha só, parece um anjinho. (mais…)

O cansaço do Rio

domingo, fevereiro 8th, 2009

Para cada passeio deslumbrante pelo bondinho do Pão de Açúcar, uma bala perdida ao pé do Pão. Para cada visita ao Cristo Redentor com direito a uma panorâmica do Rio de tirar o fôlego, um assassinato bem ali, seja a vítima brasileira ou estrangeira, não faz a menor diferença para quem aperta o gatilho. Para cada poesia que a Lagoa Rodrigo de Freitas inspira com seu espelho, o choque de saber que a tranqüilidade dos passantes não existe mais, com uma tragédia à espreita em cada curva. (mais…)

Querem roubar meu jacaré

domingo, janeiro 18th, 2009

É por essas e outras que tenho horror a modismo. Quando surge um, mesmo quem não tem a menor afinidade com ele, se deixa levar e adota-o para não ficar de fora da onda. Aliás, é justamente sobre ondas, mas do mar, que quero pôr a boca no trombone. (mais…)

Estava escrito

sexta-feira, dezembro 19th, 2008

Quatro reis magos foram avisados que uma criança muito especial havia nascido em Belém, num local de difícil acesso. Cada um a seu jeito se preparou para a longa viagem, e três providenciaram presentes para levar ao recém-nascido. (mais…)

Tecendo a rede de afetos

sexta-feira, dezembro 5th, 2008

Dizem que o que acontece pela internet não parece real. Que o relacionamento afetivo virtual é artificial e quase sempre perigoso. Há quem critique a troca de e-mails entre amigos e conhecidos, muitas vezes morando a milhas de distância uns dos outros, alegando que o insubstituível calor humano ao vivo sempre foi e continua sendo o melhor e o mais autêntico carinho. Quanto a isso não tenho dúvida, mas não custa pensar nos dois lados dessa moeda tão injustiçada. (mais…)

DNA de consumidor

quarta-feira, novembro 26th, 2008

Cada vez tenho mais certeza de que um código de barra aparece na testa dos cidadãos brasileiros no momento em que eles se encontram na posição de consumidores. Não importa se é um empresário bem-sucedido, uma cozinheira de mão cheia, um pai admirado pelos filhos ou uma compositora de talento, todos reconhecidos em seu meio. (mais…)

Desperdício humano

terça-feira, novembro 18th, 2008

Já falei sobre isso em outra crônica, mas volto ao assunto, ainda lamentando o desperdício de crianças e adolescentes sem eira nem beira, desaproveitados e desconhecendo seus próprios talentos que não aqueles dirigidos a delitos. Hoje me refiro especificamente aos que são jogados em instituições cuja finalidade é "formular e implantar programas de atendimento a menores em situação irregular, prevenindo-lhes a marginalização e oferecendo-lhes oportunidades de promoção social" (Lei Estadual 1.534 de 27/11/1967), mas que na sua maioria não passam de um depósito de seres humanos. Nestes, os internos passam grande parte de seu tempo planejando a fuga ou especulando sobre como vão se dar bem quando fizerem 18 anos e se reintegrarem à bandidagem. (mais…)

Viagem

quinta-feira, outubro 30th, 2008

Encontrei espaço numa curva do saguão e me sentei no chão, perto da loja de café. Naquelas alturas, o aeroporto Antonio Carlos Jobim não oferecia muito mais conforto do que isso para quem fosse pernoitar por ali. No meu cantinho improvisado já me sentia num razoável bed and breakfast, dada a proximidade da máquina de capuccino e dos pãezinhos de queijo para quando eu acordasse. Eu estava sozinha, esperava a chamada para meu embarque, adiado em muitas horas, e observar meus companheiros daquele albergue improvisado passou a ser uma distração, pois já devorara boa parte do livro que levava na bolsa “para ler na viagem”. (mais…)