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Tecendo a rede de afetos

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008 Texto de

Di­zem que o que acon­tece pela in­ter­net não pa­rece real. Que o re­la­ci­o­na­mento afe­tivo vir­tual é ar­ti­fi­cial e quase sem­pre pe­ri­goso. Há quem cri­ti­que a troca de e-mails en­tre ami­gos e co­nhe­ci­dos, mui­tas ve­zes mo­rando a mi­lhas de dis­tân­cia uns dos ou­tros, ale­gando que o in­subs­ti­tuí­vel ca­lor hu­mano ao vivo sem­pre foi e con­ti­nua sendo o me­lhor e o mais au­tên­tico ca­ri­nho. Quanto a isso não te­nho dú­vida, mas não custa pen­sar nos dois la­dos dessa mo­eda tão in­jus­ti­çada.

Se você faz ne­gó­cios com si­tes sem re­fe­rên­cias con­fiá­veis ou con­sulta seu saldo ban­cá­rio pela in­ter­net, paga con­tas e faz trans­fe­rên­cia de di­nheiro sem to­mar com­pro­va­das pre­cau­ções de se­gu­rança, aí você tem chance de en­gros­sar a lista de ví­ti­mas da rede. E o preço a pa­gar pode ser bem sal­gado. Se você acre­dita em cor­ren­tes, obe­dece a tudo o que lhe man­dam fa­zer nes­sas men­sa­gens, encaminha-as para pes­soas de sua lista por­que acre­dita que se não o fi­zer pode cor­rer ris­cos em sua vida pes­soal, tam­bém está caindo nos mo­der­nos contos-do-vigário e nas len­das ur­ba­nas que pro­li­fe­ram na rede. 

Bom senso e caldo de ga­li­nha nunca fi­ze­ram mal a nin­guém. Não é por­que a rede está aberta a to­dos que vou mer­gu­lhar de olhos fe­cha­dos. Nem vou cli­car em links es­tra­nhos, de re­me­ten­tes des­co­nhe­ci­dos, só por­que al­guém está ju­rando que foi meu co­lega de co­lé­gio e quer mos­trar fo­tos da­quele tempo, e ou­tras ba­bo­sei­ras pa­re­ci­das. Nes­ses ca­sos, “Get smart!” é a pa­la­vra de or­dem para quem quer ter na in­ter­net uma ali­ada e não uma ini­miga pe­ri­gosa.

Mas quando te­nho a opor­tu­ni­dade de corresponder-me com pes­soas que­ri­das que de ou­tra ma­neira não po­de­riam se co­mu­ni­car co­migo, ver pe­las web­ca­me­ras em tempo real fi­lhos, ne­tos e ami­gos que es­tão ge­o­gra­fi­ca­mente dis­tan­tes de mim, isso me dá uma cer­teza pes­so­al­mente com­pro­vada: o meio uti­li­zado pode ser vir­tual, mas o sen­ti­mento que es­ses mo­men­tos pro­vo­cam é bem real. 

Mata-se a sau­dade, sim, quando re­ce­be­mos e man­da­mos no­tí­cias por e-mail ou sim­ples­mente ba­te­mos papo pelo mes­sen­ger, quando ou­vi­mos pelo skype vo­zes fa­mi­li­a­res ou aque­las que du­rante muito tempo fi­ca­ram ape­nas guar­da­das na me­mó­ria. Se­ria me­lhor um abraço aper­tado e ca­lo­roso? Claro que sim! Aper­tar no colo os fi­lhos e os ne­tos? Que dú­vida! Mas na im­pos­si­bi­li­dade mo­men­tâ­nea de isso acon­te­cer, não sou eu que vou des­pre­zar es­sas al­ter­na­ti­vas que a in­ter­net me ofe­rece.
Al­ter­na­ti­vas vir­tu­ais, sim. Ir­re­ais, não.

E agora, com li­cença, vou res­pon­der ao e-mail de uma ex-colega de tra­ba­lho que no mo­mento dá au­las em Ma­cau. Inté!

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

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