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Incoerências e caras-de-pau

segunda-feira, setembro 29th, 2008

Aos poucos, os candidatos e candidatas a Prefeito do Rio começam literalmente a mostrar a cara e, no momento em que escrevo, alguns deles já se destacam no noticiário. Ou porque nas pesquisas têm índice mais alto de intenção de votos ou porque seus cartazes aparecem mais pelas ruas da cidade. E é aí que entra a incoerência desses candidatos com sua interpretação muito particular sobre o que seja “cuidar da cidade” ou de pensar nela como seus futuros administradores. (mais…)

Obrigada, poeta

sexta-feira, setembro 19th, 2008


Às vezes acontece. Você precisa desabafar, conversar, trocar umas figurinhas, e aqueles que estão sempre presentes pro que der e vier não estão disponíveis naquele exato momento, por uma razão qualquer. Numa dessas vezes, apelei para ele. Que está sempre lá, sentado no mesmo banco da praia de Copacabana, de pernas cruzadas, um livro no colo e aquele ar meio sério, meio pensativo, como esperando que alguém se sente a seu lado. E foi o que eu fiz. Sentei-me ali, pus meu braço no ombro dele e comecei a conversar. Só não digo que comecei a “nossa” conversa, porque falei muito mais do que ele, que só ouvia, e às vezes – juro! – esboçava um sorrisinho complacente. (mais…)

Irrelevâncias essenciais

segunda-feira, setembro 8th, 2008

Num jornal do sul, li a crônica de Arnaldo Jabor, “A morte tem vida própria”. Sempre intenso e criativo em suas idéias, o cronista fala da inevitável chegada da morte para todos e lamenta a partida de alguns amigos numa só semana. E tenta imaginar-se morto, conjecturando sobre do que ele realmente sentirá falta quando partir. Segundo ele, não será dos megashows nem dos grandes amores, mas do que ele genialmente chama de “irrelevâncias essenciais”. (mais…)

Socorro! Estão STARTANDO um projeto

quarta-feira, agosto 20th, 2008

Levei um susto quando ouvi. Em plena hora de almoço, duas mulheres conversando sobre trabalho na mesa ao lado. Impossível não ouvir a conversa de vizinhos, que também nos ouvem, já que a proximidade das mesas em 99% dos restaurantes do Centro é para alcançar o máximo da capacidade de ocupação e, em conseqüência, o saldo bancário do dono do restaurante. E a privacidade que desça ralo abaixo. Também, quem mandou esperar privacidade num restaurante no Centro do Rio, na hora do almoço? Daí a conversa ter entrado pelos meus ouvidos, palavras esparsas mas nitidamente do universo empresarial. (mais…)

Primeiras noções

sábado, agosto 9th, 2008

– Primeiro se posicione bem atrás do fuzil. Na hora do sufoco pode não dar tempo de escolher a melhor posição, mas pelo menos você tem que estar bem apoiada, em pé ou deitada, certo?

– Certo.

– Bom, uma das mãos vai sustentar o cano, que é muito pesado e tende a baixar. (mais…)

Osmose

quinta-feira, julho 10th, 2008

Entrou um inseto no meu ouvido direito. Não que faça muita diferença ter sido no direito ou no esquerdo, mas estou sendo fiel aos fatos. Ele entrou no ouvido direito, e lá se encontra até hoje. Tem mais de duas semanas que isso aconteceu e a essas horas ele já deve estar morto. Porque se ainda estivesse vivo, pelo menos daria para ouvir seu zumbido de desespero ou seu movimento, cócegas, enfim, vida. E não sinto nada. (mais…)

Onde estão

quarta-feira, junho 11th, 2008

Às vezes me dá vontade de sair pela minha cidade procurando certos encantos especiais que aos poucos foram desaparecendo da vida urbana, tragados pela tecnologia ou pela falta de desejo de que eles ainda existam. (mais…)

Não dá tempo

sábado, abril 12th, 2008

Você abre um suplemento literário e lê resenhas sobre livros que estão sendo lançados, obras reeditadas, anúncio de feiras literárias, e se pergunta se uma vida inteira é suficiente para lermos tudo o que queremos. Aí você olha para a mesa de cabeceira e vê empilhados os três livros que está lendo simultaneamente e mais alguns que quer reler e outros que não pode deixar de ler antes de morrer. (mais…)

Com o devido respeito

quinta-feira, março 13th, 2008

Quando Michael Jackson gravou um clipe numa favela do Rio, em 1996, tudo foi combinado anteriormente com os, digamos, donos do pedaço, e a gravação transcorreu em paz. Diz-se que o diretor, Spike Lee, pediu autorização aos “verdadeiros donos do morro” para gravar o clipe e não às autoridades policiais ou aos administradores da cidade. (mais…)

Hífens, acentos e vaidades

quinta-feira, fevereiro 14th, 2008

São oito os países lusófonos. A maioria deles ainda consegue se comunicar sem intérpretes, mas na escrita… ah, na escrita… como divergem! Mesmo assim, alguns autores do país da língua original não permitem que sua obra tenha vocabulário e ortografia adaptados quando é publicada nos outros sete países lusófonos. Defendem a idéia de que a língua é a mesma e as eventuais divergências ortográficas e semânticas são um reflexo das diferenças culturais, importantes no universo literário, e ninguém vai morrer se tiver que consultar o dicionário meia dúzia de vezes, ou mais, durante a leitura. (mais…)