Agonia e êxtase de uma avó | Márcio ABC

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Agonia e êxtase de uma avó

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009 Texto de


São on­das de pre­o­cu­pa­ção e ale­gria que se re­ve­zam quan­do vo­cê se vê co­mo avó, prin­ci­pal­men­te se for de pri­mei­ra vi­a­gem. Nas­ceu: que ma­ra­vi­lha! E to­me de lá­gri­mas de emo­ção. Pas­sa bem: gra­ças a Deus! Per­deu pe­so: é as­sim mes­mo lo­go que sai da bar­ri­ga, não se pre­o­cu­pe! Pe­gou o pei­to, o ma­mi­lo es­tá ma­chu­ca­do, re­co­lhe o lei­te pa­ra dar de­pois. Es­tá cho­ran­do: nos­sa, é uma fe­ra! Es­tá dor­min­do: olha só, pa­re­ce um an­ji­nho.

E quem dis­se que vo­cê acer­ta, de pri­mei­ra, na so­lu­ção dos pro­ble­mas que apa­re­cem, só por­que mais de trin­ta anos atrás pas­sou por is­so co­mo mãe? O cho­ro, por exem­plo, po­de ser có­li­ca, fo­me, ga­ses, ca­lor, frio, so­li­dão, té­dio, pre­o­cu­pa­ção com o fu­tu­ro, a bar­ba do avô... Po­de ser qual­quer coi­sa, mas até acer­tar, lá se vai al­gum tem­po. Vai ofe­re­cer chu­pe­ta? - Cla­ro que sim, di­zem uns. Chu­pe­ta um dia vai pro li­xo, se chu­par de­do vai ser mais di­fí­cil pa­rar. - Nem pen­sar, di­zem ou­tros. E vo­cê no meio, pen­san­do: ca­da cri­an­ça é um ca­so, há que se es­pe­rar pa­ra ver qual é a da sua e os pais é que po­dem re­sol­ver. Avó me­ti­da não dá, fi­ca só na su­ges­tão e olhe lá!

O avan­ço das no­vi­da­des tam­bém con­ta na di­fi­cul­da­de de se exer­cer a avo­zi­ce. Na ho­ra do cho­ro ou do des­con­for­to, no seu tem­po de ma­mãe fvo­cê da­va cha­zi­nho de er­va-do­ce pa­ra acal­mar ou água fil­tra­da e fer­vi­da pa­ra sa­ci­ar a se­de no ve­rão­zão ca­ri­o­ca. Na­da dis­so, vo­vó. Ho­je é só lei­te ma­ter­no, es­que­ce a água e o chá. E a con­cha de re­co­lher o lei­te, subs­ti­tuin­do a tal bom­ba? Bem me­lhor e con­for­tá­vel pa­ra a mãe. Va­ci­nas e tes­tes se mul­ti­pli­cam, a trí­pli­ce ago­ra é he­xa, mui­to an­tes da se­le­ção bra­si­lei­ra. E se jun­tam a ro­ta­ví­rus e o tes­te da ore­lhi­nha, que de­tec­ta pos­sí­veis fu­tu­ros pro­ble­mas de au­di­ção. É o ca­sa­men­to da Me­di­ci­na com a Tec­no­lo­gia pa­ra a tran­qui­li­da­de dos pais ...e dos avós! E mui­to cho­ro pros be­bês, com tan­ta agu­lha­da.

E a fun­chi­co­rea? Ah, a fun­chi­co­rea!... A quin­ta ma­ra­vi­lha na vi­da dos be­bês, de­pois do lei­te, do acon­che­go, das brin­ca­dei­ras e da ho­ra do ba­nho! Uma en­cos­ta­di­nha da chu­pe­ta no po­zi­nho má­gi­co e o cho­ro pa­ra, os olhi­nhos se fe­cham e aos pou­cos a cal­ma vol­ta a rei­nar na ca­sa. Se der sor­te de o cho­ro ser de so­no, aí é so­pa no mel, por­que lo­go o be­bê es­ta­rá dor­min­do. Mas peraí...na bu­la diz que fun­chi­co­rea é fei­ta com um mon­tão de sa­ca­ri­na... Nos­sa! Que hor­ror! Mas o pe­di­a­tra dis­se que po­de dar, não faz mal ne­nhum. Hmm, e ago­ra? Bom, tam­bém tem a shan­ta­la, aque­la mas­sa­gem in­di­a­na que tran­qui­li­za a baby sem da­nos co­la­te­rais. Ma­ra­vi­lha! Ela dor­miu an­tes de ter­mi­nar a ses­são. Co­mo não pen­sa­mos nis­so an­tes, meus deu­ses?

Com cho­ro so­fri­do ou com ri­sa­das, com o in­com­pa­rá­vel “chei­ri­nho de be­bê”, com cocô mo­le ou sem cocô, com mil fo­tos do­cu­men­tan­do ca­da gra­ci­nha, ser avó é uma sen­sa­ção ple­na, qua­se in­des­cri­tí­vel de tão boa. Há pou­co tem­po, quan­do mi­nha ne­ta ti­nha só 1 mês, fi­quei com ela dor­min­do ani­nha­da no meu co­lo du­ran­te uma ho­ra e meia, só pra adi­ar a ho­ra de de­vol­vê-la ao ber­ço. De­pois a gen­te re­cla­ma que a cri­an­ça es­tá mal acos­tu­ma­da... hehehe

Di­zem que os avós são os pais com açú­car. Eu di­ria que são os pais com fun­chi­co­rea ...e mui­ta shan­ta­la.

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

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