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Socorro! Estão STARTANDO um projeto

quarta-feira, 20 de agosto de 2008 Texto de

Le­vei um susto quando ouvi. Em plena hora de al­moço, duas mu­lhe­res con­ver­sando so­bre tra­ba­lho na mesa ao lado. Im­pos­sí­vel não ou­vir a con­versa de vi­zi­nhos, que tam­bém nos ou­vem, já que a pro­xi­mi­dade das me­sas em 99% dos res­tau­ran­tes do Cen­tro é para al­can­çar o má­ximo da ca­pa­ci­dade de ocu­pa­ção e, em con­seqüên­cia, o saldo ban­cá­rio do dono do res­tau­rante. E a pri­va­ci­dade que desça ralo abaixo. Tam­bém, quem man­dou es­pe­rar pri­va­ci­dade num res­tau­rante no Cen­tro do Rio, na hora do al­moço? Daí a con­versa ter en­trado pe­los meus ou­vi­dos, pa­la­vras es­par­sas mas ni­ti­da­mente do uni­verso em­pre­sa­rial.

E en­tão eu ouvi. Foi algo como “…até se­tem­bro já po­de­mos star­tar o pro­jeto…”. Ca­cilda!!! Juro que ouvi. Es­tão star­tando um pro­jeto em al­gum lu­gar aqui no Rio, mais pre­ci­sa­mente no Cen­tro! E para da­qui a pouco,
em se­tem­bro! Mais um de­sas­tre que os ca­ri­o­cas vão ter que en­go­lir sem mas­ti­gar, exa­ta­mente o que eu fiz com o peixe que eu es­tava de­gus­tando na­quela hora, as­sim que ouvi a bomba. Que pro­jeto é esse que será star­tado em se­tem­bro? Um boi­cote ao PAC? Apa­gão no Su­deste? O lan­ça­mento do BBB-8? 

Quase per­gun­tei à vi­zi­nha em­pre­sá­ria um es­cla­re­ci­mento as­sim por alto, mas eu es­ta­ria con­fir­mando mi­nha abe­lhu­dice, con­fes­sando que ouvi o se­gredo de­las e elas tal­vez ti­ves­sem que me eli­mi­nar em se­guida. Fi­quei na mi­nha, e o pior, nin­guém mais na mesa onde eu es­tava pa­re­cia ter ou­vido ou, se ou­viu, não deu a me­nor bola, por­que os três con­ti­nu­a­ram a al­mo­çar e a con­ver­sar como se nada es­ti­vesse pres­tes a mu­dar na vida da ci­dade. Pelo sim, pelo não, fiz o mesmo e con­ti­nuei no papo.

Po­bre de nós, ci­da­dãos, que nem na hora do al­moço es­ta­mos li­vres de cons­pi­ra­ções, com­plôs e in­tri­gas cor­po­ra­ti­vas (é me­lhor en­trar na dança e tro­car em­pre­sa­ri­ais por cor­po­ra­ti­vas, é mais “mu­derno”), e quase ser­mos en­vol­vi­dos ne­las sem que­rer. E só por es­tar­mos cal­ma­mente al­mo­çando. O ne­gó­cio, agora, é es­co­lher muito bem o lo­cal da re­fei­ção, exa­mi­nar a cara dos vi­zi­nhos de mesa e, ao me­nor si­nal de con­ver­sas de tra­ba­lho, star­tar uma re­ti­rada es­tra­té­gica e mu­dar de ponto. Se­guro mor­reu de ve­lho, uai.

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

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