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Primeiras noções

sábado, 9 de agosto de 2008 Texto de

– Pri­meiro se po­si­ci­one bem atrás do fu­zil. Na hora do su­foco pode não dar tempo de es­co­lher a me­lhor po­si­ção, mas pelo me­nos você tem que es­tar bem apoi­ada, em pé ou dei­tada, certo?

– Certo.

– Bom, uma das mãos vai sus­ten­tar o cano, que é muito pe­sado e tende a bai­xar.

– Tá bom.

– Mas não po­nha a mão no cano, ela vai se quei­mar quando pas­sar a mu­ni­ção.

– En­tão onde eu se­guro?

– Mais pra trás, no guarda-mão, jus­ta­mente por isso tem esse nome.

– Ah, tá. 

– Agora en­coste a so­leira da co­ro­nha no om­bro, e des­canse a maçã do rosto na co­ro­nha, do jeito que eu es­tou fa­zendo.

– As­sim?

– Isso mesmo. A sua mão desse mesmo lado vai se­gu­rar o pu­nho do fu­zil e o dedo in­di­ca­dor vai des­can­sar na te­cla do ga­ti­lho, pronta pra ser aci­o­nada.

– É a mesma coisa que aper­tar o ga­ti­lho?

– É, mas deixa isso pros cow­boys. No nosso ofí­cio nós di­ze­mos aci­o­nar a te­cla do ga­ti­lho. Bem de­va­gar e con­ti­nu­a­mente, pra não per­der o alvo com um mo­vi­mento brusco. En­ten­deu?

– Acho que sim.

– An­tes de su­bir­mos aqui pro ter­raço você disse que es­tava com um pouco de medo, lem­bra?

– Lem­bro.

– E agora? 

– Só um pou­qui­nho, tá me­nos.

– Mais tarde, quando você sen­tir o cheiro de pól­vora de­pois do seu pri­meiro tiro, vai ver muita coisa mu­dar.

– Como as­sim?

– Na hora você vai en­ten­der o que es­tou fa­lando.

– Ah, é?

– Pode apos­tar. Bom, con­ti­nu­ando. Afaste a tam­pi­nha da lu­neta e co­mece a pro­cu­rar o alvo. 

– Por que a lu­neta tem uma tam­pi­nha?

– Por­que de­pen­dendo do lo­cal onde você se po­si­ci­o­nar, o vi­dro da lu­neta vai dar re­flexo e vão te lo­ca­li­zar.

– Ah, en­tendi, isso não é bom… E quem a gente vai acer­tar?

– Nin­guém. Hoje só es­tou te pas­sando as di­cas de po­si­ci­o­na­mento pra você ir se acos­tu­mando com o peso do fu­zil e com a ma­neira de se­gu­rar sua arma.

– Só isso?

– Por en­quanto, é. 

– Mas en­tão quando eu vou co­me­çar de ver­dade?

– Nessa pro­fis­são é pre­ciso ter pa­ci­ên­cia e au­to­con­trole, fi­lha. Co­me­çar de ver­dade, só quando você fi­zer 11 anos.

E-mail: anaflores.rj@terra.com.br

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