Crônicas

Primeiras noções

quarta-feira, 16 de outubro de 2013 Texto de
Foto: Narciso Contreras/AP

Foto: Nar­ciso Contreras/AP

– Pri­meiro se po­si­ci­one atrás do fu­zil, de ma­neira con­for­tá­vel mas firme. Na hora do su­foco pode não dar tempo de es­co­lher a me­lhor po­si­ção, mas pelo me­nos você tem que es­tar bem apoi­ada, em pé ou dei­tada, certo?
 – Certo.
 – Bom, uma das mãos vai sus­ten­tar o cano, que é muito pe­sado e tende a bai­xar.
 – Tá bom.
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Crônicas

Desculpe, mas é que…

sábado, 6 de abril de 2013 Texto de

O mé­dico mar­cou o pro­ce­di­mento para as 11h, no pró­prio con­sul­tó­rio, por ser uma in­ter­ven­ção muito sim­ples. Às 11h30 li­gou para o con­sul­tó­rio pe­dindo à as­sis­tente que se des­cul­passe co­migo, mas é que ter­mi­nava uma alta para ou­tro pa­ci­ente no hos­pi­tal e já es­tava a ca­mi­nho. Ao meio-dia a as­sis­tente me cha­mou para me pre­pa­rar para o pro­ce­di­mento, o mé­dico apa­re­ceu às 12h20 para dar um alô e só re­tor­nou às 13h, quando en­tão co­me­çou a pe­quena ci­rur­gia, duas ho­ras de­pois da hora mar­cada.
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Crônicas

Alguém viu por aí?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 Texto de

 

 

Pri­meiro, es­tra­nhei a over­dose do verbo “co­lo­car”, um ver­da­deiro cu­ringa da lín­gua por­tu­guesa nos dias atu­ais. Não se põem mais os pin­gos nos ii, não se tam­pam as pa­ne­las, não se veste a ca­misa nem se calça a san­dá­lia, não se acres­centa o azeite à sa­lada, não se adi­ci­ona um te­le­fone à agenda do ce­lu­lar nem se guarda o dito cujo na mo­chila.
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Contos

Maktub

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 Texto de

Adoração dos Reis Magos
Qua­dro Ado­ra­ção dos Reis Ma­gos

Qua­tro reis ma­gos fo­ram avi­sa­dos que uma cri­ança muito es­pe­cial ha­via nas­cido em Be­lém, num lo­cal de di­fí­cil acesso.

Cada um a seu jeito se pre­pa­rou para a longa vi­a­gem, e três pro­vi­den­ci­a­ram pre­sen­tes para le­var ao recém-nascido.
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Crônicas

Por isso eles existem

segunda-feira, 8 de outubro de 2012 Texto de

Não, não me re­firo a lo­bi­so­mens, mulas-sem-cabeça e se­me­lhan­tes. Nunca os vi pes­so­al­mente, mas pelo sim, pelo não, digo que los hay. Refiro-me a uma praga con­creta e pal­pá­vel, em­bora seu mo­dus ope­randi seja esconder-se atrás de ár­vo­res, por­tões e em cima de te­lha­dos, na caça im­pla­cá­vel ao fla­grante de ce­le­bri­da­des. A praga da era da co­mu­ni­ca­ção ins­tan­tâ­nea e de tudo-pelo-lucro e que se chama pa­pa­razzo – pro­fis­si­o­nal ou ama­dor.
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Crônicas

‘Moça bonita não paga’

sexta-feira, 24 de agosto de 2012 Texto de

Que me des­cul­pem os que mo­ram em ruas de feira, mas adoro ir à feira. Sei que é vi­sí­vel o trans­torno que ela traz, não só à mo­vi­men­ta­ção dos mo­ra­do­res e ao ba­ru­lho desde cedo, como tam­bém à su­jeira que só ter­mina de ser re­ti­rada à tarde. Mas pre­firo ir à feira a com­prar cer­tos pro­du­tos em su­per­mer­ca­dos. São sem­pre mais fres­cos e com pre­ços que vão bai­xando à me­dida que a ma­nhã passa. A tal da xepa.
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Crônicas

Dois encantos

terça-feira, 24 de abril de 2012 Texto de


Um dos fa­mo­sos mo­sai­cos de Gaudí, em Bar­ce­lona

Por que com­pa­rar as duas, não sei. Tam­bém não sei se meus cri­té­rios são vá­li­dos. Falo ape­nas como uma vi­a­jante que vi­si­tou Pa­ris de­pois de 40 anos sem vê-la, e que en­trou em Bar­ce­lona pela pri­meira vez. Pois é, es­tou me re­fe­rindo a Pa­ris e Bar­ce­lona, que acabo de vi­si­tar.
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Colaboradores

Bizarrices morais

quarta-feira, 16 de novembro de 2011 Texto de

In­te­res­sante o que ocorre numa so­ci­e­dade onde o roubo, a en­ga­na­ção com­pul­siva e o mau ca­rá­ter são mo­eda cor­rente em to­dos os es­tra­tos so­ci­ais e pro­fis­sões: os atos de ho­nes­ti­dade e de­so­nes­ti­dade pro­vo­cam re­a­ções sin­gu­la­res en­tre a po­pu­la­ção.
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Crônicas

Que venham as ressacas

sexta-feira, 2 de setembro de 2011 Texto de

Sem­pre acon­tece em épo­cas de res­saca no li­to­ral ca­ri­oca. Refiro-me às da orla ca­ri­oca por se­rem as mais pró­xi­mas a mim, as que te­nho opor­tu­ni­dade de as­sis­tir. É um bo­nito es­pe­tá­culo, além de as­sus­ta­dor, ver as on­das in­va­dindo as cal­ça­das, ar­ras­tando o que está à sua frente e dei­xando seu ras­tro de areia quando co­me­çam a amai­nar. Como os olhos de Ca­pitu. Mas re­co­nheço que só é pra­zer para quem está ali de es­pec­ta­dor, como eu, e não para quem perde seu dia de praia ao sol, o qui­os­que, o carro, a bi­ci­cleta ou ou­tro bem.
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Colaboradores

Tenha modos, mocinha

quinta-feira, 2 de setembro de 2010 Texto de

A pri­meira e úl­tima vez que al­mo­ça­mos jun­tos foi numa can­tina sim­pá­tica, de co­mida sa­bo­rosa, como me ha­viam in­di­cado. An­tes, um po­ti­nho de azei­to­nas, que ele co­mia e cus­pia os ca­ro­ços, di­reto da boca para o prato, fa­zendo ba­ru­lho. Che­ga­ram os pe­di­dos e, com a lín­gua, ele aju­dava a ti­rar a co­mida dos den­tes. Fa­lava en­quanto mas­ti­gava e, jus­tiça seja feita, eu até con­se­guia en­ten­der al­guma coisa do que ele di­zia.
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