Crônicas

Desculpe, mas é que…

sábado, 6 de abril de 2013 Texto de

O mé­dico mar­cou o pro­ce­di­mento para as 11h, no pró­prio con­sul­tó­rio, por ser uma in­ter­ven­ção muito sim­ples. Às 11h30 li­gou para o con­sul­tó­rio pe­dindo à as­sis­tente que se des­cul­passe co­migo, mas é que ter­mi­nava uma alta para ou­tro pa­ci­ente no hos­pi­tal e já es­tava a ca­mi­nho. Ao meio-dia a as­sis­tente me cha­mou para me pre­pa­rar para o pro­ce­di­mento, o mé­dico apa­re­ceu às 12h20 para dar um alô e só re­tor­nou às 13h, quando en­tão co­me­çou a pe­quena ci­rur­gia, duas ho­ras de­pois da hora mar­cada.

A amiga com­bi­nou de pas­sar às 15h na es­quina da mi­nha casa para ir­mos ao ci­nema, mas só apa­re­ceu às 15h40. Pe­diu mui­tas des­cul­pas pelo atraso, mas é que na úl­tima hora re­ce­beu uma li­ga­ção de pes­soa que não via há muito tempo e achou chato pe­dir para adiar a con­versa. Mas não achou chato me dei­xar 40 mi­nu­tos em pé, na cal­çada, sem me avi­sar o que se pas­sava. E o filme dan­çou.

A acu­pun­tu­rista mar­cou a con­sulta para as 9h da ma­nhã, a pri­meira do dia. Che­gou às 9h40, pe­diu des­cul­pas pelo atraso, mas é que ti­nha adi­ado a volta de Cu­ri­tiba da vés­pera para aquele dia, e se atra­sou do ae­ro­porto até o con­sul­tó­rio.

Atra­sos acon­te­cem e nin­guém pode se ga­bar de nunca ter se atra­sado para um com­pro­misso ou ter dei­xado al­guém es­pe­rando, sem po­der dar no­tí­cias. Mas cer­tos atra­sos po­dem ser evi­ta­dos. Se uma con­sulta é mar­cada para uma de­ter­mi­nada hora, mui­tas ve­zes o cli­ente tem que re­es­tru­tu­rar sua agenda para po­der che­gar na hora e não atra­sar as con­sul­tas de­pois dele. Mas se re­gu­lar­mente é aten­dido uma hora e meia ou duas ho­ras de­pois, al­guma coisa está er­rada. Seja em con­sul­tó­rio ou em sa­lão de be­leza, agenda existe pra or­ga­ni­zar ho­rá­rios.

Nin­guém se atrasa por­que gosta (para al­gu­mas pes­soas, sim, está no san­gue), mas quando se torna ha­bi­tual, deixa de ser um sim­ples atraso para ser falta de edu­ca­ção. Ou de res­peito. Ou de con­si­de­ra­ção. Seja o que for, é uma prá­tica que in­siste em não sair de moda. Mas que já po­dia es­tar se apo­sen­tando para dar lu­gar a ou­tras: edu­ca­ção, res­peito, gen­ti­leza e con­si­de­ra­ção. Sim­ples as­sim.

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