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Tenha modos, mocinha

quinta-feira, 2 de setembro de 2010 Texto de

A pri­meira e úl­tima vez que al­mo­ça­mos jun­tos foi numa can­tina sim­pá­tica, de co­mida sa­bo­rosa, como me ha­viam in­di­cado. An­tes, um po­ti­nho de azei­to­nas, que ele co­mia e cus­pia os ca­ro­ços, di­reto da boca para o prato, fa­zendo ba­ru­lho. Che­ga­ram os pe­di­dos e, com a lín­gua, ele aju­dava a ti­rar a co­mida dos den­tes. Fa­lava en­quanto mas­ti­gava e, jus­tiça seja feita, eu até con­se­guia en­ten­der al­guma coisa do que ele di­zia. A be­bida ter­mi­nou e ele chu­pou o gelo, ten­tando su­gar o lí­quido der­re­tido. Eu não quis so­bre­mesa, ele pe­diu uma fruta. Me le­van­tei, pa­guei a mi­nha parte e saí sem di­zer nada, com um vago gesto de des­pe­dida. Mais tarde li­gou e me cha­mou de mal edu­cada pela mi­nha saída in­tem­pes­tiva. Ti­nha pen­sado em me le­var a um res­tau­rante fino, para eu co­nhe­cer pra­tos e pes­soas so­fis­ti­ca­dos, mas re­ce­ava que eu re­pe­tisse mi­nha ati­tude da­quela tarde e pre­fe­ria não ar­ris­car, afi­nal co­nhe­cia do chef aos gar­çons, e não po­dia apa­re­cer com uma pes­soa como eu. Des­li­gou e nunca mais nos vi­mos.

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