Impressões

Relógio

quarta-feira, 31 de agosto de 2011 Texto de

Acor­dei ou­tro dia às seis e pou­co. A luz pá­li­da que en­tra­va pe­las fres­tas da ja­ne­la ilu­mi­na­va o re­ló­gio bran­co da ca­be­cei­ra. Es­ta­va ali o tal, lo­go ce­do e já uma ex­pres­são pou­co sim­pá­ti­ca emer­gia de sua mol­du­ra ar­re­don­da­da. O pon­tei­ro fi­no, o dos se­gun­dos, avan­ça­va in­can­sá­vel, sem ro­dei­os, pre­po­ten­te co­mo sem­pre. O mai­or de­les, o dos mi­nu­tos, pu­nha-se num mo­vi­men­to dis­si­mu­la­do. Sa­be aque­la chu­va que nos con­vi­da a atra­ves­sar a rua por ser fra­ca e de­pois nos sur­pre­en­de en­so­pa­dos? Pois as­sim o é tam­bém es­se pi­no lon­go dos mi­nu­tos em sua cons­tan­te zom­ba­ria. Já o das ho­ras, aque­le cur­to e gros­so, é de um des­ca­ra­men­to só. Fin­ge-se mor­to, mas é vo­raz. Vai, de pou­co em pou­co, co­mo o abu­tre fa­min­to, bi­can­do nos­sos pe­da­ços. Não dor­mi mais. Fi­quei só olhan­do aque­le re­ló­gio...

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