Manifesto aos amigos | Márcio ABC

Crônicas

Manifesto aos amigos

terça-feira, 2 de agosto de 2011 Texto de

O que di­zer aos ami­gos bem nu­ma ho­ra des­sa?
Te­nho me­do de des­to­ar. De que tu­do se amol­de mal.
De es­cor­re­gar. De aze­dar. De ado­çar.
É que to­das as pa­la­vras so­a­ri­am fal­sas ou pi­e­gas.
To­dos os elo­gi­os cai­ri­am no des­cré­di­to.
To­das as ex­cla­ma­ções pa­re­ce­ri­am evi­den­tes.
To­dos os obri­ga­dos se­ri­am ba­nais.
To­das as lem­bran­ças res­va­la­ri­am no opor­tu­nis­mo.
To­dos os sor­ri­sos lem­bra­ri­am dis­far­ce.
To­das as lá­gri­mas ver­te­ri­am dú­vi­das.
To­dos os abra­ços se fe­cha­ri­am cô­mi­cos.
To­das as bo­cas se abri­ri­am he­si­tan­tes.
To­dos os bei­jos es­ta­la­ri­am mor­tos.
To­das as emo­ções es­ca­pa­ri­am abrup­tas.
To­dos os sen­ti­dos ex­plo­di­ri­am in­sen­sa­tos.
Por­que ago­ra, bem por es­te ago­ra, tu­do em mim é gra­ti­dão.
É cru­e­za. É pe­le em flor. É cren­ça.

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