Chico Pe­dreira deu um tiro no vi­zi­nho. O ho­mem foi caindo, quase em câmera-lenta, olho es­bu­ga­lhado no Chico e da boca es­cor­rendo san­gue. Na ja­nela, gri­tava a Ma­ri­a­zi­nha, mu­lher do Chico e causa do crime.
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Primeira lição de amor

sexta-feira, 18 de junho de 2010 Texto de

Li o po­ema.

– Que bo­nito – a me­nina disse.

– Fiz pra ti.

– Du­vido.

Está certa: es­crevi para mi­nha es­posa, há quinze anos.
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O forte

domingo, 9 de maio de 2010 Texto de

Jo­a­quim era tro­peiro. Atra­ves­sava o es­tado le­vando os bois, vi­a­gens de um mês, ou mais, to­mando ca­chaça com os com­pa­nhei­ros de lida, co­zi­nhando em fogo de chão, dor­mindo em­baixo de car­roça, in­verno, ga­roa, chuva, barro, frio. Na­quele baile de cam­pa­nha ar­ran­jou uma na­mo­rada, apaixonou-se, noi­vou e teve que pro­vi­den­ciar um em­prego mais es­tá­vel e se­guro.
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Que alívio

segunda-feira, 19 de abril de 2010 Texto de

No iní­cio, era es­tra­nho. Ele nas­ceu di­fe­rente dos ou­tros.

Na ci­dade, veio a re­jei­ção, vi­e­ram os be­lis­cões, era mal­tra­tado, to­dos riam dele.

De­pois foi ex­pulso. Pas­sou dias di­fí­ceis, de muita so­li­dão.

Fi­nal­mente, ao des­co­brir que era na ver­dade um lindo cisne, o Pa­ti­nho Feio sor­riu: para ele, nada neste mundo po­dia ser mais ri­dí­culo do que um pato.
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Numa es­quina da ave­nida mais mo­vi­men­tada, às sete da noite, o si­nal fica verde, en­tre­tanto a car­roça do pa­pe­leiro não se mexe. Os mo­to­ris­tas co­me­çam a bu­zi­nar. O pa­pe­leiro agita as ré­deas, faz um som es­qui­sito com a boca, e nada adi­anta. O ca­valo em­pa­cou.
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Quando cai o bar­ranco
Es­ti­cada a corda, saiu um ho­mem do meio do barro. As­sus­tado, per­gun­tou as ho­ras, agra­de­ceu o res­gate, ar­ru­mou o ca­belo e foi em­bora cor­rendo. Dos ou­tros, só vi­e­ram cor­pos, sem pressa.
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Abri o li­vro e caiu dele uma flor seca. A jul­gar pelo ta­ma­nho das ou­tras, fal­ta­vam duas pé­ta­las. Que so­fri­mento le­va­ria al­guém a de­sis­tir no mal-me-quer e se­pul­tar esse des­tino num li­vro ve­lho da Bi­bli­o­teca Pú­blica? Me deu von­tade de olhar o nome na fi­cha de re­ti­ra­das, tal­vez procurá-lo.
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Ela disse que o meu ami­gui­nho não es­tava em casa mas me man­dou en­trar. Disse que gos­tava de mim por­que eu era com­por­ta­di­nho e que ela que­ria con­ver­sar co­migo um pou­qui­nho. Me le­vou para o quarto e disse vem, senta aqui no meu co­li­nho…

Me deu um ta­pão na ca­beça por­que a cha­mei de tia.

E-mail: lbrasiliense@uol.com.br

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Ma­tou numa vi­rada o mar­te­li­nho de pinga. Be­bia com raiva. “Corno”, pen­sou, e pe­diu ou­tra dose. A úl­cera quei­mava. Olhou no re­ló­gio e fal­tava meia hora para po­der che­gar em casa. Pôs a mão na boca-do-estômago: “Essa mu­lher ainda me mata”. 

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É noite, e o ar da es­ta­ção, ama­relo. Ao fundo, o trem pa­rado. Na gare há so­mente um ca­sal de ve­lhos sen­ta­dos numa grande mala. Um baú atrás. Olham baixo, imó­veis. Dali a dois me­tros as for­mi­gas car­re­gam so­bras de um in­seto morto.

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