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Que alívio

segunda-feira, 19 de Abril de 2010 Texto de

No iní­cio, era es­tra­nho. Ele nas­ceu di­fe­ren­te dos ou­tros.

Na ci­da­de, veio a re­jei­ção, vi­e­ram os be­lis­cões, era mal­tra­ta­do, to­dos ri­am de­le.

De­pois foi ex­pul­so. Pas­sou di­as di­fí­ceis, de mui­ta so­li­dão.

Fi­nal­men­te, ao des­co­brir que era na ver­da­de um lin­do cis­ne, o Pa­ti­nho Feio sor­riu: pa­ra ele, na­da nes­te mun­do po­dia ser mais ri­dí­cu­lo do que um pa­to.

A pas­sa­gem

Via o um­bi­go da ne­gri­nha, meio abau­la­do. Ela chu­pa­va ca­na, e o ven­to me tra­zia o chei­ro. Era do­ce o chei­ro da ba­ba da ne­gri­nha, me acor­da­va, me da­va ton­tu­ra: só não caía por­que não ti­nha os cam­bi­tos da ne­gri­nha. Eu fi­ca­va em pé, ven­do aque­la coi­si­nha de ver­da­de pas­sar, ba­ten­do pé na ter­ra mo­lha­da. Foi des­cen­do a tri­lha no meio dos bar­ra­cos su­jos e tor­tos, ela tam­bém su­ja - e eu qua­se que es­cre­vo meio mor­ta, que ri­ma­va, mas bem o con­trá­rio: es­ta­va mui­to vi­va, a ne­gri­nha, era a pró­pria vi­da.

E-mail: lbrasiliense@uol.com.br

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