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O forte

domingo, 9 de maio de 2010 Texto de

Jo­a­quim era tro­peiro. Atra­ves­sava o es­tado le­vando os bois, vi­a­gens de um mês, ou mais, to­mando ca­chaça com os com­pa­nhei­ros de lida, co­zi­nhando em fogo de chão, dor­mindo em­baixo de car­roça, in­verno, ga­roa, chuva, barro, frio. Na­quele baile de cam­pa­nha ar­ran­jou uma na­mo­rada, apaixonou-se, noi­vou e teve que pro­vi­den­ciar um em­prego mais es­tá­vel e se­guro. En­trou para a Vi­a­ção Fér­rea, foi tra­ba­lhar no carro-socorro, pa­ra­mé­dico de trem. Num res­gate, o carro des­car­ri­lado ter­mi­nou de ca­po­tar por cima dele, caí­ram os dois bar­ranco abaixo, quase mor­reu, que­brou uma perna, o osso do qua­dril e teve que se apo­sen­tar. Mas tro­peiro não se do­bra: aos 85 ainda ia ao açou­gue to­das as ma­nhãs, de ben­gala, ainda era o pro­ve­dor da fa­mí­lia, o que bo­tava co­mida na mesa, de fato, com or­gu­lho. Um dia, en­quanto es­co­lhia a carne, uma loira des­co­nhe­cida lhe sor­riu, lhe fez gra­ci­nhas, ele fi­cou meio bobo, e na hora de pa­gar não ti­nha mais a car­teira.

E-mail: lbrasiliense@uol.com.br

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