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mandamentos de uma mente confusa – Texto de Thiago Roque

quinta-feira, fevereiro 19th, 2009

1. vomitar desilusões assim que surjam
2. não ter vergonha de dar risadas tortas
3. cantar melodias cegas
4. rascunhar palavras surdas
5. não distribuir sorrisos homeopáticos (mais…)

poeta – Texto de Thiago Roque

terça-feira, agosto 5th, 2008

não confie no poeta. sobretudo aquele que rima o amor.
farsante. mercador da ilusão.
propaga o amor como um sentimento único. belo. deus grego. narciso.
mentiroso. cara-de-pau.
os meros mortais sabem o quanto o amor pode ser feio, ogro, violento. (mais…)

solidão – Texto de Thiago Roque

sexta-feira, julho 18th, 2008

desde pequena, solidão sonhava em ser professora – influência direta da mãe, distância, que lecionou durante anos e anos no colégio da cidade.
magrinha, cândida, áurea de paz e de sorriso sempre colado ao rosto (parecia ter nascido com ele), não tinha um (aluno, pai, professor) que não se encantasse por ela. (mais…)

violão – Texto de Thiago Roque

quinta-feira, abril 10th, 2008

e lá se foram 11 anos.
ele nem lembrava mais a última vez que pegou o velho violão no canto da sala para tocá-lo.
o cabelo comprido já tinha sido aposentado. um corte curto, a última moda em escritório-com-ar-condicionado, ditava as regras.
também não fazia idéia por que diabos olhou para o violão hoje e sentiu falta, feito carinho de mãe.
talvez culpa. (mais…)

não – Texto de Thiago Roque

segunda-feira, março 17th, 2008

não assinava contrato sem ler. não corria de calça jeans. não dormia com o cabelo molhado.

não viajava de carona. não chutava cachorro. não falava palavrão.

não comia carne vermelha. não esquecia o guarda-chuva. não levantava a voz para falar.

não amava incondicionalmente. não lia sem seus óculos. não cochilava depois do almoço. (mais…)

cotidiano – Texto de Thiago Roque

sexta-feira, janeiro 18th, 2008

todo dia, ao lavar o rosto e a barba eternamente por fazer, lembrava do cheiro dela.
ele simplesmente não ia embora. uma, duas, três doses depois, ainda estava ali, penetrando as narinas, rasgando os sentidos.
vinho, miojo, resfenol. tentou de tudo.
tentar. verbo conjugado pelos perdedores. (mais…)

óbito – Texto de Thiago Roque

sábado, dezembro 15th, 2007

faleceu hoje, em um dia sem sol, sem chuva, sem calor, nem frio, o amor.
filho da pureza (in memoriam) com o pecado, não há uma hora precisa nem causa específica para sua morte.
em seu enterro, milhares de fiéis acumularam-se em filas para lhe dar o último adeus. esse personagem acreditava em um utópico mundo melhor – daí a legião fervorosa que seguia seus princípios e bradava aos sete mares as glórias que o amor poderia promover na vida das pessoas. (mais…)

Assassina – Texto de Thiago Roque

domingo, outubro 7th, 2007

Ela perdeu duas horas no cabelereiro, passou no shopping para pegar um novo salto agulha.
Não esqueceu a maquiagem da moda, o esmalte preto nas unhas, a calça de lycra que deixava a bunda redonda e empinada.
Afinal, a noite era dela. E ela ficava muito bem com sangue nas mãos. (mais…)

ele – Texto de Thiago Roque

sábado, outubro 6th, 2007

Ele não sabe o que é amar.
Não, senhor. Não faz a menor idéia.
Pobre diabo. Nunca chegou perto. Jamais teve fagulha deste bem-querer.
Justiça seja feita: tentou, uma única vez. Passou longe. Gosto de bolacha amanhecida.
Cuspiu. E cerrou as portas. (mais…)

mendigo – Texto de Thiago Roque

domingo, setembro 9th, 2007

Desprezado, o carinho começou a beber.

Vodca e uísque, cada um no seu copo, ora com gelo, ora do jeito que vinha.

Queria esquecer a dor de não ser mais lembrado, de não estar mais no toque dos apaixonados, no abraço dos amigos, no beijo das famílias.

Fora de moda, bradavam. Não acessava a internet, não tinha Orkut, não sabia o que é wireless… (mais…)