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poeta - Texto de Thiago Roque

terça-feira, 5 de agosto de 2008 Texto de

não con­fie no po­e­ta. so­bre­tu­do aque­le que ri­ma o amor.
far­san­te. mer­ca­dor da ilu­são.
pro­pa­ga o amor co­mo um sen­ti­men­to úni­co. be­lo. deus gre­go. nar­ci­so.
men­ti­ro­so. ca­ra-de-pau.
os me­ros mor­tais sa­bem o quan­to o amor po­de ser feio, ogro, vi­o­len­to.
mas o po­e­ta se ven­de - de­ve ga­nhar um bom di­nhei­ro por fo­ra. afi­nal, me­lhor do que ven­der en­ci­clo­pé­di­as - seu pri­mei­ro tra­ba­lho.
nas mãos de­le, o amor ga­nha sta­tus de oxi­gê­nio. in­dis­pen­sá­vel.
na­tu­ral: res­pi­re, ins­pi­re, ame.
doi­do de pe­dra quem se re­cu­sa a amar. ca­mi­sa-de-for­ça ne­le.
frau­de. o po­e­ta e o amar.
de­ve­ria ser cri­me ser po­e­ta. con­de­na­do em to­das as ins­tân­ci­as à pe­na de mor­te.
en­con­tra um pin­gen­te dou­ra­do de co­ra­ção na rua e pron­to: es­tá lá a es­cre­ver que ao aca­so, nu­ma noi­te fria, o co­ra­ção de al­guém che­gou às su­as mãos, obra do des­ti­no, obra do ine­vi­tá­vel, obra cós­mi­ca.
ba­le­la. obra de um des­cui­da­do. é só um pin­gen­te.
são só fra­ses. li­nhas tor­tas que me­xem com seu de­se­jo.
são só pa­la­vras. ri­mas po­bres. ir­res­pon­sá­veis.
é só um po­e­ta.
não con­fie ne­le.
nem no amor.
sen­ti­men­to que o po­e­ta diz co­nhe­cer tão bem.
que diz to­mar chá das cin­co jun­to.
com quem diz tro­car con­fi­dên­ci­as.
mais uma men­ti­ra.
no má­xi­mo, são co­nhe­ci­dos que tre­pam.
e o po­e­ta não li­ga no dia se­guin­te.
aliás, nem o amor.

E-mail: roque.thiago@hotmail.com

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