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cotidiano – Texto de Thiago Roque

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008 Texto de

todo dia, ao la­var o rosto e a barba eter­na­mente por fa­zer, lem­brava do cheiro dela.
ele sim­ples­mente não ia em­bora. uma, duas, três do­ses de­pois, ainda es­tava ali, pe­ne­trando as na­ri­nas, ras­gando os sen­ti­dos.
vi­nho, mi­ojo, res­fe­nol. ten­tou de tudo.
ten­tar. verbo con­ju­gado pe­los per­de­do­res.
às ve­zes, le­van­tava da cama, todo su­ado, em plena ma­dru­gada. co­lo­cava o ban­qui­nho la­ranja na sa­cada, dei­xava es­cor­rer uma lá­grima e ten­tava sen­tir qual­quer ou­tra coisa.
olhaí o ten­tar no­va­mente…
seu bosta.
até so­li­dão re­sol­ve­ria.
mas não. o que vi­nha era aquele cheiro.
o cheiro dela.
mis­tura de… sabe-se lá do quê.
era dela. era ela.
ela era.
já era quase uma da tarde. e ele pre­ci­sava to­mar ba­nho, co­lo­car o je­ans sur­rado, a ca­mi­seta verde, o all-star branco-marrom-de-sujo. ti­nha uma porra de vida pra vi­ver.
tudo isso pen­sando nela. e no cheiro dela.
e o pior: com ela longe. bem longe.
o que era tudo isso? cas­tigo di­vino? li­ção? mal­di­ção?
não.
só mais um dia.
que, não por acaso, até rima com sina.

E-mail: roque.thiago@hotmail.com

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