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violão - Texto de Thiago Roque

quinta-feira, 10 de abril de 2008 Texto de

e lá se fo­ram 11 anos.
ele nem lem­bra­va mais a úl­ti­ma vez que pe­gou o ve­lho vi­o­lão no can­to da sa­la pa­ra to­cá-lo.
o ca­be­lo com­pri­do já ti­nha si­do apo­sen­ta­do. um cor­te cur­to, a úl­ti­ma mo­da em es­cri­tó­rio-com-ar-con­di­ci­o­na­do, di­ta­va as re­gras.
tam­bém não fa­zia idéia por que di­a­bos olhou pa­ra o vi­o­lão ho­je e sen­tiu fal­ta, fei­to ca­ri­nho de mãe.
tal­vez cul­pa.
tal­vez sau­da­de.
se­rá que exis­te di­fe­ren­ça?
ele não sa­be.
em to­do ca­so, pe­gou o vi­o­lão. da­que­le jei­to mes­mo, ve­lho e em­po­ei­ra­do.
co­lo­cou no co­lo. mão di­rei­ta pas­se­an­do pe­las cor­das, tal qual um cor­po no sá­ba­do à noi­te, re­ga­do a vi­nho.
na­da. não sa­be o que fa­zer.
não sa­be a gra­va­ta que com­bi­na, o re­mé­dio cer­to pa­ra dor de ca­be­ça, o ta­lher da sa­la­da a ser usa­do.
nes­sa ân­sia, fez-se si­lên­cio. so­no­ro. oco. úni­co.
e do­lo­ro­so.
ele olha os dis­cos do neil young no chão.
o chei­ro do ca­fé que vem da co­zi­nha.
a tar­de cha­ta, sem sol nem chu­va, que se apre­sen­ta, com ver­go­nha, pe­la ja­ne­la.
os gri­tos da vi­zi­nha com o po­bre do ca­chor­ro.
a ir­mã, ain­da pe­que­ni­na, apren­den­do a fa­lar.
os fo­nes de ou­vi­do no chão, des­plu­ga­dos.
as es­tre­las que tan­tas ve­zes con­tou em noi­tes de so­li­dão.
o pri­mei­ro tom­bo de bi­ci­cle­ta.
fe­cha os olhos.
os de­dos se mo­vem. ra­pi­da­men­te, en­con­tram as cor­das - meu deus, elas sem­pre es­ti­ve­ram lá...
sen­te um som.
sen­te acor­des.
sen­te cor e gos­to. se de­li­cia com o ban­que­te.
é mú­si­ca.
e re­co­nhe­ce a me­lo­dia.
es­tá to­can­do uma can­ção de amor.

E-mail: roque.thiago@hotmail.com

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