Abri o livro e caiu dele uma flor seca. A julgar pelo tamanho das outras, faltavam duas pétalas. Que sofrimento levaria alguém a desistir no mal-me-quer e sepultar esse destino num livro velho da Biblioteca Pública? Me deu vontade de olhar o nome na ficha de retiradas, talvez procurá-lo. (mais…)
Archive for 2009
Solidão – Texto de Leonardo Brasiliense
terça-feira, julho 14th, 2009Relato
sexta-feira, julho 10th, 2009Viajando, por muitos lugares, encontrei uma sociedade que vive a
ditadura barulhenta. Todos são obrigados a falar e a expor suas
idéias. Quem imerge no silêncio e se retira da cidade é preso em um
campo de concentração. Lá, sofrem um penoso processo de reeducação.
E-mail: dudu.oliva@uol.com.br
Às primeiras horas da manhã
segunda-feira, julho 6th, 2009A varrição lá fora o acorda. Está dolorido, mas insiste em sair do quarto. A irmã, mancando e cheia de hematomas no rosto, lhe prepara o café. Os pais com feridas profundas fazem a coleta do que ainda serve. Foi tudo muito rápido; homens invadiram a vila e praticaram vários tipos de barbaridades. (mais…)
Árvore da vida – Texto de Otávio Nunes
quinta-feira, julho 2nd, 2009Encontrei a árvore cujos frutos alimentam a humanidade. Está velha, mas frondosa, verde e produtiva, como sempre. Sentei-me à sua sombra e lhe perguntei sobre o calvário de sua vida, ao fornecer comida para bilhões de bocas no mundo. Ela não reclama de ter de gerar ininterruptamente, segundo após segundo. Apenas me diz que seus frutos não são distribuídos igualitariamente. Há pessoas que se satisfazem com um ou dois, enquanto outros levam milhares. Chegam até mesmo a vender seus frutos a quem não consegue ter acesso a ela. (mais…)
Dois minicontos de Ana Flores
sábado, junho 20th, 2009É DOCE MORRER DE AMOR
Você não faz ideia do que esses brincos de pingente de ametista vão fazer ao seu pescocinho longilíneo e macio. Ao seu perfil suave. E aos seus olhos cor de hortênsia. Experimenta e vê se não tenho razão.
Dizia coisas assim quando me presenteava com enfeites e bijuterias acompanhados de beijos. Tudo o que vinha dele me fazia bem, me alegrava o coração, despertava a mulher linda que se escondia em mim e que só acordou quando ele apareceu. É assim que me lembro dele, de cada momento amoroso que passamos juntos nessa felicidade difícil de explicar. (mais…)
Costureiras, cozinheiras e jornalistas
terça-feira, junho 16th, 2009Tem jornalista bravo pra burro. O Gilmar Mendes andou comparando jornalista a cozinheira e a costureira. Pra mim, a comparação é uma grande honra. Se todos os jornalistas fossem tão cuidadosos na mesma proporção que o são as cozinheiras e costureiras, a qualidade do jornalismo seria melhor. (mais…)
Passado inquieto
terça-feira, junho 16th, 2009Quando eu penso que o Pato Donald completa 75 anos este mês, é como se o passado zombasse de mim:
- E então, você não desejava o futuro? – grita-me lá de trás, mal conseguindo pronunciar as últimas sílabas, já quase encobertas pelo sorriso sarcástico.
Não sou afeito, como muita gente, a resmungos pelos cantos sobre as crueldades do presente. Vejo o ser humano mais evoluído em muitos aspectos. Claro, isso não significa estarmos livres de tantos erros que ainda cometemos. Mas não dá para dizer que o passado era melhor, embora concorde que a humanidade perdeu muitas coisas boas pelo caminho. (mais…)
Véu de noiva
segunda-feira, junho 15th, 2009Capítulo 1
Que maus sonhos! A mãe abençoava-lhe e desejava-lhe bons sonhos, mas eram só maus, só maus. Deitava-se e logo adiante, súbito, despertava afogueado: os sonhos. Era no dia do casamento da irmã que se passavam.
Na festa, entre cumprimentos e suspiros, o véu caía-lhe, descortinando a face pálida e transformando-se em negra mortalha. Faltavam ainda duas semanas para o enlace, mas os preparativos andavam até as tantas.
Na sala, sobre a mesa escura, flamejavam os detalhes prateados das pequenas lembranças que traziam os nomes dos noivos: Isidro e Marta. A família, de certo modo, ocupava as noites com entusiasmo e já uma ponta de nostalgia. (mais…)
Subo a serra
segunda-feira, junho 15th, 2009Vejo a minha imagem refletida na janela do ônibus se sobrepondo com as
luzes da cidade lá embaixo. As criaturas da noite entram na condução e
me amedrontam com seus rugidos e olhares cortantes. Permaneço imóvel,
não posso demonstrar emoção; eles sentem o cheiro do medo. (mais…)
Intolerância
quinta-feira, junho 4th, 2009Seduza todas as mulheres que você desejar, Confunda-me com as desculpas mais esfarrapadas que sua imaginação criar, Convença-me de que o que eu estou vendo não é nada disso que eu estou pensando, Passe em branco o aniversário do nosso namoro, Ignore os bilhetinhos de amor que deixo na porta da geladeira para você. Mas nunca mais – ouviu bem? – nunca mais em sua vida recuse provar meu manjar de coco com calda de damasco. Isso eu não vou perdoar.
E-mail: anaflores.rj@terra.com.br