Impressões

Costureiras, cozinheiras e jornalistas

terça-feira, 16 de junho de 2009 Texto de

Tem jor­na­lista bravo pra burro. O Gil­mar Men­des an­dou com­pa­rando jor­na­lista a co­zi­nheira e a cos­tu­reira. Pra mim, a com­pa­ra­ção é uma grande honra. Se to­dos os jor­na­lis­tas fos­sem tão cui­da­do­sos na mesma pro­por­ção que o são as co­zi­nhei­ras e cos­tu­rei­ras, a qua­li­dade do jor­na­lismo se­ria me­lhor.

Mas isso não li­vra o pre­si­dente do Su­premo e sua turma de um grave pe­cado: a ex­tin­ção da exi­gên­cia do di­ploma de jor­na­lismo é ra­di­cal e des­ne­ces­sá­ria.

O exer­cí­cio da pro­fis­são po­de­ria ser me­lho­rado com mais fle­xi­bi­li­dade quanto à par­ti­ci­pa­ção na es­fera jor­na­lís­tica de pes­soas de ou­tras áreas. 

Mas o fim do di­ploma abre um pe­ri­goso flanco. E não ape­nas para a pro­fis­são e os pro­fis­si­o­nais, cuja qua­li­dade pode des­pen­car caso as em­pre­sas de co­mu­ni­ca­ção abram mão de con­tra­tar jor­na­lis­tas for­ma­dos.

Ha­verá um grande risco tam­bém para a so­ci­e­dade, com­posta de lei­to­res, te­les­pec­ta­do­res e ou­vin­tes. O pú­blico aca­bará, em mui­tas ou pou­cas oca­siões, nas mãos de gente que nem tem idéia da im­por­tân­cia e das con­seqüên­cias da in­for­ma­ção. Gente, por exem­plo, como Gil­mar Men­des.

Se­ria algo como ima­gi­nar uma seda cara sob o fio da te­soura ma­nu­se­ada por um jor­na­lista que não sabe cos­tu­rar. Ou uma carne no­bre pre­pa­rada por um mi­nis­tro do Su­premo ig­no­rante em cu­li­ná­ria. Não há es­ca­pa­tó­ria: o re­sul­tado para o con­su­mi­dor será pés­simo.

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Por úl­timo, uma pe­quena nota: é cu­ri­oso que o que­ri­di­nho dos jor­na­lis­tas no Su­premo, o mi­nis­tro Jo­a­quim Bar­bosa, não te­nha com­pa­re­cido à ses­são que de­ci­diu aca­bar com o di­ploma.

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