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Subo a serra

segunda-feira, 15 de junho de 2009 Texto de

Vejo a mi­nha ima­gem re­fle­tida na ja­nela do ôni­bus se so­bre­pondo com as
lu­zes da ci­dade lá em­baixo. As cri­a­tu­ras da noite en­tram na con­du­ção e
me ame­dron­tam com seus ru­gi­dos e olha­res cor­tan­tes. Per­ma­neço imó­vel,
não posso de­mons­trar emo­ção; eles sen­tem o cheiro do medo. A cada
curva na es­cu­ri­dão, uma ex­pec­ta­tiva que algo acon­te­cerá. Re­pre­sen­ta­mos
nos­sos pa­peis até o mo­mento de sal­ta­rem do ôni­bus. Con­ti­nuo a mi­nha
vi­a­gem, mas o pen­sa­mento per­siste nes­tas cri­a­tu­ras. Tal­vez, te­nha­mos
algo em co­mum: es­con­de­mos em nos­sas car­ca­ças uma cri­ança as­sus­tada.

E-mail: dudu.oliva@uol.com.br

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