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Novo prefeito - Texto de Otávio Nunes

quinta-feira, 9 de outubro de 2008 Texto de

O no­vo pre­fei­to de Bei­ra­di­nha sen­tou-se na ca­dei­ra es­to­fa­da e olhou atra­vés da ja­ne­la. Lá fo­ra, os ci­da­dãos an­da­vam de um la­do pa­ra ou­tro, à pro­cu­ra de seu des­ti­no. “A par­tir de ho­je, eu os go­ver­no”, pen­sou con­si­go mes­mo o al­cai­de re­cém-elei­to.

Al­guns mi­nu­tos de­pois, o se­cre­tá­rio de eco­no­mia e o ve­re­a­dor, lí­der de go­ver­no na câ­ma­ra mu­ni­ci­pal, sen­ta­ram-se à fren­te do pre­fei­to.

- Nos­so or­ça­men­to anu­al é de tro­cen­tos mi­lhões, dis­se o se­cre­tá­rio.

- Is­to é óti­mo, dá pa­ra eu re­a­li­zar meu pla­no de go­ver­no e pa­gar os fun­ci­o­ná­ri­os, res­sal­tou o pre­fei­to.

- Mas, se­nhor, nós ain­da não ne­go­ci­a­mos nos­sa mai­o­ria na câ­ma­ra, lem­brou o ve­re­a­dor.

- O que is­so tem a ver? (o pre­fei­to)

- Pa­ra con­se­guir­mos mai­o­ria na câ­ma­ra, pre­ci­sa­mos co­op­tar mais qua­tro ve­re­a­do­res. E is­to significa...Isto quer dizer...Parte do or­ça­men­to vai pa­ra obras nas ba­ses des­tes par­la­men­ta­res. Só as­sim, pas­sa­rão pa­ra nos­so la­do e vo­ta­rão sem­pre com a gen­te.

- Meu Deus! No meu pro­gra­ma de rá­dio eu sem­pre des­ci o ca­ce­te nes­tas tran­sa­ções ne­bu­lo­sas. E ago­ra es­tou den­tro de uma. (o pre­fei­to)

Uma se­ma­na de­pois o ve­re­a­dor lí­der vol­ta ao ga­bi­ne­te do pre­fei­to.

- Ne­gó­cio fe­cha­do. Con­se­gui se­du­zir cin­co ve­re­a­do­res. Ago­ra te­mos ban­ca­da mais que su­fi­ci­en­te pa­ra apro­var qual­quer pro­je­to.

- O que eles que­rem? (pre­fei­to)

- Te­mos de cons­truir es­te ano um ga­li­nhei­ro mu­ni­ci­pal na Vi­la das Es­pi­gas, re­du­to do ve­re­a­dor um, uma es­tra­di­nha li­gan­do a fa­zen­da do ve­re­a­dor 2 ao sí­tio da ve­re­a­do­ra 3 (de­ve ha­ver al­go en­tre eles), con­ser­tar a pon­te so­bre o rio Dor­mi­nho­co, no Jar­dim das Ser­pen­ti­nas, on­de mo­ra o quar­to ve­re­a­dor. Já o quin­to, quer a vi­si­ta quin­ze­nal de um mé­di­co da pre­fei­tu­ra à Ca­sa da Ira­ci, na Es­tra­da dos Pra­ze­res, pa­ra ve­ri­fi­car a saú­de das me­ni­nas que tra­ba­lham lá. Es­tes no­bres par­la­men­ta­res fo­ram elei­tos em ci­ma des­tas pro­mes­sas. O se­cre­tá­rio de eco­no­mia me dis­se que tu­do is­to irá re­pre­sen­tar cer­ca de 63% do or­ça­men­to da pre­fei­tu­ra pa­ra es­te ano.

- Co­mo é que é? (o pre­fei­to ira­do). É mui­to di­nhei­ro. O que so­bra só dá pa­ra pa­gar o fun­ci­o­na­lis­mo e mais al­gu­mas obri­nhas por aí. Des­te jei­to não pos­so in­ves­tir, não pos­so cum­prir mi­nha pla­ta­for­ma de go­ver­no, não dá pa­ra pri­o­ri­zar na­da. No meu pro­gra­ma de rá­dio, eu sem­pre cri­ti­quei os ou­tros pre­fei­tos por não in­ves­tir, não pri­o­ri­zar...

- Se­nhor pre­fei­to. É pe­gar ou lar­gar. Sem a co­la­bo­ra­ção des­tes ve­re­a­do­res, não te­re­mos mai­o­ria e o se­nhor não con­se­gui­rá go­ver­nar.

- Nun­ca ima­gi­nei que fos­se as­sim. No meu pro­gra­ma de rá­dio...

E-mail: otanunes@gmail.com

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