Impressões

Morte de Saramago

sexta-feira, 18 de junho de 2010 Texto de

A morte de um dos mai­o­res no­mes da li­te­ra­tura mun­dial é um grande acon­te­ci­mento. Um grande evento. Meu amigo Deco sem­pre me di­zia – em nos­sas “noi­ta­das fi­lo­só­fi­cas” – que a morte das pes­soas quase sem­pre se torna um evento so­cial. A morte de Sa­ra­mago é um grande evento cul­tu­ral. Dá voz mais forte a ou­tros es­cri­to­res, a per­so­na­li­da­des da cul­tura, a no­mes que ge­ral­mente fi­cam es­con­di­dos e só apa­re­cem de tem­pos em tem­pos.

E a cul­tura, em ge­ral, fica chi­ando – não chi­ando de re­cla­mando, mas chi­ando como água na cha­leira, es­quen­tada, efer­ves­cente, espalhando-se por aí como um va­por a ser im­preg­nado.

Vejo o Fer­nando Mei­rel­les, que adap­tou “En­saio so­bre a ce­gueira” para o ci­nema, di­zer que “o mundo fi­cou mais burro e mais cego”. É, sem dú­vida, uma bela frase. E, claro, é per­fei­ta­mente de­fen­sá­vel. Uma in­te­li­gên­cia mun­dial morre, o mundo em­po­brece. Mas será exa­ta­mente as­sim?

Po­de­mos pen­sar tam­bém o con­trá­rio. Quando mor­rem, gran­des fi­gu­ras for­ta­le­cem suas ima­gens de íco­nes. Têm, di­ga­mos, um novo nas­ci­mento. Re­ce­bem uma aten­ção mais apro­pri­ada. Pas­sam até a ser mais res­pei­ta­das. Claro que Sa­ra­mago não pre­ci­sou mor­rer para ob­ter tan­tos cré­di­tos. Mas será que a par­tir de agora, com sua morte, mais gente não se in­te­res­sará pe­las suas ideias? Pe­los seus es­cri­tos? Pe­las suas po­lê­mi­cas? Ve­ja­mos o que nos dirá a his­tó­ria.

Sa­ra­mago ti­nha 87 anos. Foi de­ci­sivo para tra­zer ao de­bate im­por­tan­tes ques­tões que in­te­res­sam a to­das as so­ci­e­da­des. Seus li­vros, seus ar­ti­gos, suas en­tre­vis­tas gra­va­das etc etc fi­cam. Tudo o que ele pro­du­ziu ga­nha agora uma nova luz. E o mundo, as­sim como o ser hu­mano, mesmo à morte, sem­pre tem a pos­si­bi­li­dade de apren­der mais.

Cui­dado, gran­dões!

Eu não disse? Essa Copa tá es­qui­si­tona pra va­ler. Ze­bras do dia: Ale­ma­nha perde e In­gla­terra em­pata. Até agora, dos gran­dões, só Bra­sil, Ar­gen­tina e Ho­landa es­tão fir­mes. Ou quase.

Compartilhe