Impressões

Velho drama

segunda-feira, 14 de junho de 2010 Texto de

A es­treia do Bra­sil con­tra a Co­reia do Norte nesta terça-feira é es­pe­rada por todo mundo como uma ver­da­deira bar­bada. In­clu­sive por mim. Não dá pra sair desse jogo sem uma go­le­ada. Será?

A ver­dade é que, faz tempo, as es­treias do Bra­sil em Copa do Mundo são um ver­da­deiro mar­tí­rio. Em 2006, é fá­cil lem­brar: um ma­gri­nho 1 a 0 na Croá­cia. Em 2002, ga­nha­mos da Tur­quia com um pê­nalti rou­bado: 2 a 1, mesmo pla­car de 1998 con­tra a Es­có­cia.

Em 1994, até que não foi dra­má­tico: 2 a 0 na Rús­sia. Mas em 1990, foi: 2 a 1 na Sué­cia. Nas Co­pas an­te­ri­o­res, ro­lou coisa ainda pior. Em 1986, o pri­meiro jogo do Bra­sil foi con­tra a Es­pa­nha. O jui­zão não deu um gol para a Es­pa­nha (ele não te­ria visto que a bola en­trou pelo me­nos meio me­tro!). No fim, 1 a 0 Bra­sil.

Em 1982, Val­dir Pe­res to­mou um fran­gão con­tra a União So­vié­tica e o ti­maço de Telê – uma das me­lho­res se­le­ções de to­dos os tem­pos – so­freu para vi­rar e fe­char o jogo em 2 a 1. 

1978: que drama! Em­pate de 1 a 1 com a Sué­cia. E aqui o so­fri­mento ainda foi longe. No se­gundo jogo, ou­tro em­pate: 0 x 0 con­tra a Es­pa­nha. A clas­si­fi­ca­ção foi cho­rada, no ter­ceiro jogo, con­tra a Áus­tria: 1 a 0.

Em 1974, mes­mís­sima si­tu­a­ção. Dois em­pa­tes e a clas­si­fi­ca­ção só no fin­zi­nho do ter­ceiro jogo. 

En­fim, desde 1970, quando o Bra­sil me­teu 4 a 1 na en­tão Tche­cos­lo­vá­quia, que o Bra­sil não co­meça uma Copa vo­ando.

O fato, en­tre­tanto, é que os nú­me­ros são ape­nas his­tó­ria. Não en­tram em campo. E nesta Copa a se­le­ção tem a grande chance de ar­ran­car bem, in­clu­sive para apa­gar a má im­pres­são dos ou­tros jo­gos já re­a­li­za­dos.

A sin­fo­nia do fu­te­bol ainda não en­can­tou na África. E, ape­sar do ba­ru­lhão, as vu­vu­ze­las não são as cul­pa­das pela falta de afi­na­ção.

O me­lhor jogo

O pri­meiro bom jogo da Copa foi Itá­lia x Pa­ra­guai. Eu achava que Ho­landa x Di­na­marca se­ria um par­ti­daço, mas nem pas­sou perto. Os la­ran­jas bem que se es­for­ça­ram, mas no fi­nal houve ape­nas um en­saio do que ainda po­dem mos­trar na África. A Ho­landa deve ir longe. Ela sem­pre vai. Mas sem­pre cai.

Ape­sar do bom jogo, a Itá­lia, como sem­pre, co­me­çou o Mun­dial com um pla­car­zi­nho va­ga­bundo. Mas é fato: eles se re­cu­pe­ram e ainda vão longe. Eles sem­pre vão. E quase nunca caem. 

Uma im­pres­são so­bre Ja­pão 1 x 0 Ca­ma­rões. O prag­ma­tismo, o fu­te­bol de re­sul­ta­dos, pa­rece ter che­gado aos qua­tro can­tos do pla­neta. Os ja­po­ne­ses fi­ze­ram 1 a 0 no pri­meiro tempo e re­sol­ve­ram tran­car tudo no se­gundo. E con­se­gui­ram. Gra­ças, prin­ci­pal­mente, ao que os téc­ni­cos eu­ro­peus es­tão fa­zendo com o fu­te­bol afri­cano – ex­tir­pando a ale­gria de jo­gar bola e in­tro­du­zindo a res­pon­sa­bi­li­dade do re­sul­tado.

Asiá­ti­cos e afri­ca­nos não são mais bo­bos, como di­ria o Gal­vão Bu­eno. Mas tam­bém não mos­tram mais nada de di­fe­rente.

Nesse caso, com o per­dão do pa­la­vrão, se­ria pre­ciso um apartheid: o fu­te­bol afri­cano não de­ve­ria per­mi­tir sua mis­tura com téc­ni­cos eu­ro­peus. Os afri­ca­nos de­ve­riam man­ter suas raí­zes, desse no que desse. É me­lhor per­der com fe­li­ci­dade, mo­çada! E mais: ser co­lo­ni­zado duas ve­zes, pra mim, é um crime. 

Compartilhe