Impressões

Lobohomem

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 Texto de

Um dos mai­o­res mi­tos da hu­ma­ni­dade volta este mês a ga­nhar es­paço em nosso ima­gi­ná­rio: o lo­bi­so­mem. Não que a cri­a­tura meio ho­mem meio lobo te­nha al­gum dia nos dei­xado para sem­pre. Claro que não. Só que neste fe­ve­reiro, ela chega às sa­las de ci­nema. Ela no­va­mente es­tará re­en­car­nada. Desta vez em Be­ni­cio Del Toro, cujo per­so­na­gem é um in­glês que vi­aja para a Amé­rica e na volta à sua terra na­tal é mor­dido por um lo­bi­so­mem. O re­make (o ori­gi­nal é de 1941) é di­ri­gido por Joe Johns­ton (que fez “Ju­ras­sik Park III” e “Ju­ras­sik Park IV”) e ainda tem no elenco Anthony Hop­kins e Emily Blunt (“O di­abo veste prada” e “Es­trada mal­dita”).

Como já es­crevi em al­guns lu­ga­res aqui no site, vivi no campo um bom tempo, o su­fi­ci­ente para ou­vir mui­tas his­tó­rias e cren­ças a res­peito do dito cujo. Mas é a li­te­ra­tura que traz, sem dú­vida, as his­tó­rias mais bem bu­ri­la­das. Há um li­vro da edi­tora Marco Zero que reúne con­tos de Ale­xan­dre Du­mas, Guy de Mau­pas­sant e Wal­ter Scott, en­tre ou­tros. Para quem gosta do tema, é um prato cheio. Anote aí: “Ho­mens, lo­bos e lo­bi­so­mens – As his­tó­rias mais fas­ci­nan­tes”. Claro que há ou­tros li­vros de his­tó­rias fan­tás­ti­cas que in­cluem ca­sos de lo­bi­so­mens, mas hoje quero in­di­car esse. Há in­clu­sive um conto am­bi­en­tado em São Paulo. Mi­nha co­ta­ção: muito le­gal.

Atra­ção

É cu­ri­osa a atra­ção que sen­ti­mos por cer­tas fi­gu­ras mi­to­ló­gi­cas. No caso do lo­bi­so­mem, não acre­dito que, de modo ge­ral, exista algo que o su­pere. Os ins­ti­tu­tos de pes­quisa de­ve­riam per­gun­tar: se você pu­desse se tor­nar lo­bi­so­mem por um mo­mento sem que isso al­te­rasse sua vida, você o fa­ria? Acho que pou­cos não to­pa­riam. E acho que a mui­tos nem se­ria ne­ces­sá­rio ofe­re­cer a parte da ga­ran­tia so­bre o rumo da pró­pria vida (rs­sss).

Lula

Para su­pe­rar o Lo­bi­so­mem, só mesmo Lula, essa cri­a­tura me­ta­mor­fo­se­ante que hoje conta com 81,7% de ava­li­a­ção po­si­tiva, se­gundo pes­quisa CNT/Sensus di­vul­gada nesta segunda-feira, pri­meiro dia de fe­ve­reiro. É im­pres­si­o­nante! E Dilma já em­pa­tou com Serra, con­forme os nú­me­ros da mesma pes­quisa. Tudo por conta da po­pu­la­ri­dade de Lula. Se con­fir­mada, essa trans­fe­rên­cia de vo­tos po­derá ser a mais clara da his­tó­ria da po­lí­tica bra­si­leira.

Já o filme so­bre Lula não ren­deu o es­pe­rado. Ve­jam o que diz o jor­nal es­pa­nhol “El País” so­bre o que mo­ti­vou o fra­casso de Lula na te­lona: “”O filme não con­ven­ceu por vá­rios mo­ti­vos: os bra­si­lei­ros gos­tam de Lula na re­a­li­dade, na rua, su­bindo em cima de um pa­lan­que, ar­re­ga­çando as man­gas, su­ando e gri­tando coi­sas como ‘Vou ti­rar o povo da merda’”. E tam­bém: “…os bra­si­lei­ros sa­bem tudo so­bre Lula. Eles po­dem vê-lo e tocá-lo to­dos os dias. Sa­bem toda sua his­tó­ria de me­nino po­bre, con­tada mil ve­zes por ele mesmo. De Lula se sabe in­fi­ni­tas mais coi­sas do que as que apa­re­cem no filme”. Para aces­sar a ma­té­ria com­pleta no UOL, cli­que aqui. 

Eu não fui ver o filme. Sei que para um jor­na­lista “se­ria obri­ga­tó­rio”, mas não me senti atraído. Devo ter as­sis­tido a mui­tos fil­mes pi­o­res, pe­los quais, an­tes, me senti atraído. Mas por este não houve aquela… quí­mica (ahahahaha). Pra mim, não se deve ir ao ci­nema por mera “obri­ga­ção”. A não ser, claro, que você es­teja a tra­ba­lho e seja obri­gado mesmo a ir. Tal­vez eu ainda vá ou as­sista em DVD, de­pois. Mas por ora, não deu o es­talo. Pa­ci­ên­cia.

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