Contos

Rua de paralelepípedos

quarta-feira, 25 de agosto de 2010 Texto de

Esta his­tó­ria, ten­tei con­tar a tan­tos que nem sei. Mas não as­sim, de uma forma a não sa­ber contá-la, pois essa ta­refa parece-me ser a mais sim­ples. Em ver­dade, sem­pre faltou-me co­ra­gem. Co­ra­gem para crer em mi­nhas pró­prias pa­la­vras e, daí, por con­se­guinte, no epi­só­dio. Sou de um mu­ni­cí­pio do in­te­rior, hoje até certo ponto um ra­zoá­vel cen­tro ur­bano, o que cos­tu­mam cha­mar de ci­dade de mé­dio porte. Numa das ruas cen­trais, te­nho meu co­mér­cio. Tra­ba­lho com te­ci­dos, a mai­o­ria pe­ças de fi­nas te­ce­la­gens. Es­ses por­me­no­res, con­tudo, não são ne­ces­sá­rios ao re­lato. São ape­nas de­ta­lhes so­bre mi­nha con­duta, tal­vez im­por­tan­tes para afi­an­çar este meu ob­je­tivo, tal­vez des­ne­ces­sá­rios, mas, de pronto, aí es­tão.

Por tratar-se de um pro­duto re­fi­nado, essa li­nha, os cli­en­tes são pou­cos, em­bora se­jam al­tas as con­tas. As­sim, com dois es­pe­ci­a­lis­tas em ven­das e ou­tros dois para as de­mais ta­re­fas, permito-me uma vida sos­se­gada, mesmo nos dias mais cor­ri­dos. Gosto de sair du­rante o ex­pe­di­ente, an­dar um pouco pela área co­mer­cial, be­ber café preto e con­ver­sar com os ami­gos. Tam­bém apre­cio ob­ser­var as trans­for­ma­ções da nossa zona ur­bana. Desde que para cá vi­e­ram al­gu­mas in­dús­trias, mais gente e um tanto de di­nheiro, muita coisa mu­dou. Perdeu-se. Ganhou-se. Como di­zem por aí, ti­ve­mos um grande de­sen­vol­vi­mento.

Bem, a vida fa­mi­liar tam­bém so­freu al­te­ra­ções. Hoje, meus dois fi­lhos es­tão fora. Es­tu­dam em uni­ver­si­da­des dis­tan­tes. Vêm duas ou três ve­zes a cada se­mes­tre. Ma­tam a sau­dade e se vão ou­tra vez. Vi­ve­mos sem eles, fa­zer o quê? Eu e mi­nha mu­lher. Nos­sas fa­mí­lias tam­bém es­tão por aqui. Acre­dite, gosto desta vida pa­cata. Sou, por na­tu­reza, e ge­ral­mente, muito se­reno. E, quem sabe, devo a essa ca­rac­te­rís­tica mi­nha pró­pria sa­ni­dade. Sim, por­que o epi­só­dio em ques­tão pode sur­tir mui­tos efei­tos em um ho­mem, mas acre­dito que pou­cos re­a­gi­riam como eu, ab­sor­vendo de ma­neira gra­da­tiva o cho­que po­de­roso da­quele dia. 

Eu era muito moço ainda, de­zes­seis anos. Na época, nesta mesma rua onde hoje te­nho a loja, ha­via um cal­ça­mento de pa­ra­le­le­pí­pe­dos e cal­ça­das de la­dri­lhos bem cui­da­dos que cir­cun­da­vam ar­ma­ri­nhos, se­cos e mo­lha­dos, pa­da­rias, ba­res e ou­tros es­ta­be­le­ci­men­tos. Nós mo­rá­va­mos num sí­tio pró­ximo à ci­dade. Mi­nha fa­mí­lia é de ori­gem ru­ral. Aos sá­ba­dos, ví­nha­mos fa­zer com­pras, to­mar sor­vete, pas­sear pe­las vias sos­se­ga­das, onde pou­cos car­ros di­vi­diam es­paço com o po­va­réu pro­ve­ni­ente da zona ru­ral, ge­ral­mente tra­zido pe­los ca­mi­nhões dos fa­zen­dei­ros e si­ti­an­tes. A ci­dade, por as­sim di­zer, fer­vi­lhava aos sá­ba­dos.

Lembro-me que che­gá­va­mos por volta do meio-dia, logo de­pois do al­moço. Na­quela época, es­pe­ci­al­mente no campo, almoçava-se cedo, lá pe­las dez, onze ho­ras no má­ximo. Os ho­mens apa­nha­vam sa­cas bran­cas e iam para os ar­ma­zéns. Lá, os bal­co­nis­tas re­ce­biam a saca e junto, uma lista de pro­du­tos, que pro­vi­den­ci­a­vam, empilhando-os cui­da­do­sa­mente den­tro do in­vó­lu­cro. À tar­de­zi­nha, an­tes de vol­tar para o sí­tio, os pais de fa­mí­lia incumbiam-se de bus­car as com­pras. Nesse ín­te­rim, re­en­con­tra­vam ami­gos nos ba­res, fa­ziam jo­gos de car­tas ou de bo­cha, be­biam cer­veja e ca­chaça. Já as mu­lhe­res, com as cri­an­ças, encarregavam-se de ir às lo­jas de rou­pas, às far­má­cias e às vi­si­tas aos pa­ren­tes e co­nhe­ci­dos da zona ur­bana. A nós, mo­ços e mo­ças, quando não ha­via afa­ze­res de­ter­mi­na­dos pe­los pais, res­ta­vam gos­to­sos pas­seios com os ami­gos, olha­res fur­ti­vos tro­ca­dos com pre­ten­den­tes e pre­ten­di­dos, en­fim, sa­bo­reá­va­mos aque­las tar­des com o pra­zer que acende os jo­vens.

Recordo-me que de­pois de cum­prir to­dos os meus pro­gra­mas da­quele sá­bado, já no fim de tarde, meus ami­gos ha­viam ido em­bora e eu pro­cu­rava reencontrar-me com meus pais. Mais uma hora no má­ximo e vol­ta­ría­mos para casa. Eu pla­ne­java ainda pe­ram­bu­lar pela ci­dade, mas an­tes que­ria sa­ber se pre­ci­sa­vam de mim para algo. Creia-me, fui um jo­vem muito pres­ta­tivo à fa­mí­lia. Ja­mais ima­gi­nei ser ta­chado de ir­res­pon­sá­vel, dis­si­mu­lado ou coi­sas as­sim. Por isso, eu os pro­cu­rava. E foi quando, numa das ruas do co­mér­cio, pró­ximo a gran­des ár­vo­res de ja­tobá, deparei-me com um ho­mem de avan­çada idade, apa­ren­te­mente dis­tinto por si­nal, numa cena no mí­nimo cu­ri­osa.

Ele es­tava po­si­ci­o­nado na rua, so­bre os pa­ra­le­le­pí­pe­dos, na ra­beira da car­ro­ce­ria de um ca­mi­nhão Che­vro­let. Com uma das mãos, apoiava-se na ma­deira do veí­culo, e com a ou­tra, se­gu­rava uma ben­gala. Em seu re­dor, contornando-lhe até quase os jo­e­lhos, enfileiravam-se vá­rias das tais sa­cas bran­cas às quais já me re­feri, to­das de­vi­da­mente cheias de pro­du­tos. Alto e ma­gro, ves­tia um terno es­curo, mas sem gra­vata; um lenço li­lás envolvia-lhe o pes­coço e um cha­péu de fel­tro verde cobria-lhe a ca­beça, de modo que, por vá­rias ve­zes en­quanto per­ma­neci por perto, ele afundava-o o mais que po­dia. Es­tava lá, plan­tado, um leve sor­riso co­lado à face, como al­guém que pre­tende ser gen­til à pri­meira vista. Meu im­pulso ini­cial foi oferecer-lhe ajuda, pois não ha­via nin­guém ao seu lado e, eu bem sa­bia, as com­pras pre­ci­sa­vam ser co­lo­ca­das so­bre o ca­mi­nhão. Quando aproximei-me, ele cumprimentou-me. Sua voz era de uma eloquên­cia im­pres­si­o­nante, e suas pa­la­vras, sem­pre bem pro­nun­ci­a­das. O diá­logo que tra­va­mos foi mais ou me­nos o se­guinte:

O se­nhor pre­cisa de ajuda? Quer que eu o ajude com as com­pras?

Ah, meu ra­paz! Vejo que você pa­rece ter uma edu­ca­ção su­pe­rior ao que se vê por aí!

Obri­gado… O se­nhor quer que eu suba para me pas­sar as sa­cas?

Não é pre­ciso, meu caro. Logo, meu fi­lho vem e, en­tão, me au­xi­lia com isso tudo. Mas, diga-me, você mora na ci­dade?

Moro na La­goa Seca.

Ah, sim! A La­goa Seca. Há boa pro­du­ção de café para aque­les la­dos, não é? Seus pais são fa­zen­dei­ros?

Bem, não che­ga­ram a tanto ainda. São ape­nas si­ti­an­tes.

Ora, mas isso não quer di­zer que não che­guem a fa­zen­dei­ros um dia, não é mesmo? Para isso, basta que­rer!

É, acho que sim. E tra­ba­lhar muito, acho…

Nesse ponto da con­versa ba­nal que tra­vá­va­mos, houve uma pe­quena pausa por conta da ex­pres­são que se es­tam­pou no rosto do ve­lho, uma ex­pres­são de cu­ri­o­si­dade, se­guida de ad­mi­ra­ção e de­pois, troça. En­tão, ele riu. Aliás, gar­ga­lhou. Eu não com­pre­endi bem o porquê da­quela re­a­ção. Tal­vez em ra­zão de mi­nha sur­presa, ele cor­tou brus­ca­mente o riso e recompôs-se, afun­dando mais uma vez o cha­péu.

Des­culpe… como é mesmo seu nome? 

Sér­gio, se­nhor.

Ah, pois não. Sér­gio. Sér­gio é um nome forte. Nome forte este. Mas, meu caro Sér­gio, você acre­dita mesmo que só o tra­ba­lho pode fa­zer de seus pais, prós­pe­ros fa­zen­dei­ros?

Tal­vez um pouco de sorte ajude tam­bém…

Sorte, isso mesmo. Às ve­zes, a sorte é pri­mor­dial. Você tem ra­zão, tem ra­zão. Você acha que seus pais te­rão essa sorte?

Quando fez-me essa per­gunta, seus olhos ga­nha­ram um bri­lho es­tra­nho, eu ima­gi­nei tê-los visto pró­ximo de es­ta­rem es­car­la­tes, mas foi ape­nas num re­lance, e nisso fran­ca­mente não posso fiar-me. De mi­nha parte, tam­bém senti-me es­tra­nho. Por que ra­zão aquela con­versa? Eu ti­nha ou­tros pla­nos, que­ria ainda olhar as me­ni­nas, tal­vez achar um ou ou­tro amigo, e tam­bém fa­lar com meus pais, mas não era meu de­sejo fal­tar com a edu­ca­ção, dei­xar ali so­li­tá­rio, no meio de um monte de sa­cas bran­cas, o po­bre ho­mem de ben­gala. As­sim, re­solvi res­pon­der às per­gun­tas que me eram for­mu­la­das.

Se eles te­rão sorte, sin­ce­ra­mente eu não sei. O que sei é que eles tra­ba­lham muito e acho que bem me­re­ciam ter muita sorte.

Claro! Bom fi­lho, bom fi­lho você é. A sorte às ve­zes está muito perto e nós não a ve­mos. É pre­ciso procurá-la tam­bém…

O se­nhor pa­rece en­ten­der de sorte…

Aqui, ele sor­riu no­va­mente, quase gar­ga­lhou, mas ou­tra vez conteve-se.

Bem, meu ami­gui­nho, acho que en­tendo um pouco, sim.

Nisso, riu com in­sis­tên­cia. De­pois, freou brus­ca­mente e me olhou de uma ma­neira que, con­fesso, senti certo re­ceio. Não sei se ex­plico de ma­neira con­vin­cente, mas per­cebi, pela pri­meira vez em nosso diá­logo, uma ponta de iro­nia. Aquela pa­la­vra “ami­gui­nho” tal­vez te­nha aju­dado a alertar-me para isso. Era uma pa­la­vra que não con­di­zia com a pos­tura do ho­mem, pelo me­nos a pos­tura de­mons­trada até en­tão. E, na sequên­cia, uma ri­sada gro­tesca, ou­tra vez, aliás. Pas­sei a con­ter mi­nha sim­pa­tia ini­cial pelo meu in­ter­lo­cu­tor. Na re­a­li­dade, meu de­sejo era chis­par dali, mesmo por­que a tarde já caía de­ci­di­da­mente e agora tal­vez fos­sem meus pais que es­ti­ves­sem à mi­nha pro­cura.

– Se­nhor, me des­culpe. Se o se­nhor não pre­cisa de mi­nha ajuda, eu te­nho que ir.

Exa­ta­mente quando ele preparava-se para di­zer algo, aproximou-se um ra­paz. Eu já o ha­via ob­ser­vado, pouco an­tes, e per­cebi sua che­gada um tanto do­mi­nada por des­con­fi­ança e cu­ri­o­si­dade. Tão logo do­brou a es­quina, em nossa di­re­ção, re­du­ziu o passo, fran­ziu o ce­nho de um modo brusco, como se nin­guém pu­desse con­ver­sar com o ve­lho, aliás, seu pai. 

– Ah, Sér­gio, meu caro, este é meu fi­lho. Cons­tan­tino é seu nome, não o acha belo? Isto é, o nome? 

O ho­mem fitava-o com ad­mi­ra­ção, ao apresentá-lo da­quele modo, sem po­der evi­tar um certo cons­tran­gi­mento. O moço, no en­tanto, não disse pa­la­vra, ape­nas con­ce­deu um breve cum­pri­mento, me­ne­ando de leve a ca­beça. En­tão, meu in­ter­lo­cu­tor voltou-se a mim:

– Oh, mas que mau jeito este meu. Eu ainda não lhe fa­lei meu nome. Pois as­sim mesmo o é: Cons­tan­tino, tam­bém. Perdoe-me, Sér­gio. Quando fi­ca­mos ve­lhos, per­de­mos a no­ção de al­gu­mas coi­sas…

Ele riu ou­tra vez, e olhando-o com mais aten­ção, pude no­tar seus den­tes muito sa­dios para al­guém da­quela idade. Lembro-me muito bem desse de­ta­lhe, em­bora não com­pre­enda o mo­tivo. De qual­quer forma, ele pos­suía den­tes in­crí­veis. Ao sus­pen­der o sor­riso, jus­ti­fi­cou a mu­dez do fi­lho, afagando-o no om­bro:

– Es­tou certo do pra­zer de Cons­tan­tino ao conhecê-lo, Sér­gio, mas ele não pode dizer-lhe isso. Meu po­bre Cons­tan­tino… Ele so­freu um ter­rí­vel aci­dente, não é fi­lho? Mas foi há muito tempo. Sua lín­gua foi ar­ran­cada. Mas isso é coisa do pas­sado, não é, fi­lho?

Um frio percorreu-me a es­pi­nha ao ima­gi­nar uma lín­gua ar­ran­cada, como a teve Cons­tan­tino, o fi­lho. Não pude evi­tar observá-lo com co­mi­se­ra­ção, mas ele não po­de­ria per­ce­ber. Es­tava como que hip­no­ti­zado pelo pai, olhando-o pro­fun­da­mente den­tro dos olhos. Foi quando senti a ne­ces­si­dade de afastar-me, sair dali, da­quele diá­logo que aos pou­cos tornara-se opres­sor para mim. O ve­lho ainda ten­tou se­guir com a con­versa, mas eu, acho que até abrup­ta­mente, in­ter­rompi qual­quer pos­si­bi­li­dade nesse sen­tido e, já dando al­guns pas­sos, disse-lhes até logo. Cons­tan­tino, o fi­lho, já em­pi­lhava, so­bre a car­ro­ce­ria do ca­mi­nhão as sa­cas bran­cas, no meio das quais o ve­lho afun­dava as per­nas, sur­gindo em meio a elas como uma ilha, agora si­len­ci­osa.

Com a ca­beça em­bru­lhada no epi­só­dio cu­ri­oso que aca­bara de acontecer-me, voltei-me de­ci­di­da­mente para o lado oposto com o in­tuito de se­guir meu curso. Há, con­tudo, coi­sas in­te­res­san­tes na vida. Em vez de con­ti­nuar an­dando, aten­tei para o se­guinte: já era tarde de­mais para pe­ram­bu­lar, ir até os ba­res e pon­tos de ami­gos onde po­de­ria en­con­trar meu pai. Na ver­dade, eu de­ve­ria re­tor­nar ao lo­cal em que ha­vía­mos dei­xado nosso carro, no quin­tal da casa de uns pa­ren­tes, onde mi­nha fa­mí­lia já de­ve­ria es­tar, à mi­nha es­pera. Dei, en­tão, meia-volta. Mas não quis pas­sar de novo pe­los dois. A certa dis­tân­cia, ainda os vi ajei­tando as sa­cas so­bre a car­ro­ce­ria. Para evitá-los, pas­sei ao ou­tro lado da rua e se­gui, por en­tre os ja­to­bás e os ca­mi­nhões e char­re­tes es­ta­ci­o­na­dos. Como di­zia mi­nha mãe, aper­tei o passo. Que­ria dei­xar logo aquela rua e juntar-me aos meus pais. 

Quase em frente ao ca­mi­nhão dos Cons­tan­ti­nos, acho que de modo in­vo­lun­tá­rio, gi­rei o pes­coço no rumo de­les. Já ha­viam aca­bado de em­pi­lhar as sa­cas. Cons­tan­tino, o fi­lho, con­tor­nava o ca­mi­nhão para en­trar pela porta oposta, en­quanto o ve­lho ca­mi­nhava da ex­tre­mi­dade tra­seira da car­ro­ce­ria para a ca­bine. Eu o vi abrindo a porta e num mo­vi­mento ágil voltando-se meio corpo exa­ta­mente em mi­nha di­re­ção. Por um ins­tante, senti-me cons­tran­gido ou­tra vez. Não era meu de­sejo ser visto no­va­mente, e muito me­nos ser fla­grado espreitando-o com cu­ri­o­si­dade. Afun­dando o cha­péu, ele os­ci­lou a ca­beça, num rá­pido cum­pri­mento, e mostrou-me os den­tes. Digo as­sim por­que não sei se aquilo foi um sor­riso. De­pois, jo­gou a ben­gala num su­porte en­tre a ca­bine e a car­ro­ce­ria e preparou-se para en­trar. Nessa hora, por de­baixo da porta da ca­bine do ca­mi­nhão, pude ver, es­tar­re­cido, de­sa­pa­re­ce­rem len­ta­mente, à me­dida que ele su­bia para as­su­mir a po­si­ção do mo­to­rista, dois cas­cos, um pouco me­no­res que os das pa­tas dos ca­va­los, mas ainda as­sim dois cas­cos, per­fei­ta­mente dois cas­cos. Eram os pés de Cons­tan­tino, o pai. 

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